quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Distúrbios de comportamento nas fêmeas

Esse ano tive problemas com uma fêmea de Harz Roller que colocou 8 ovos! Percebi que na verdade ela tinha emendado duas posturas, com apenas 5 dias de diferença. Dessa ninhada sobreviveu apenas 1 filhote, pois dos outros ovos parte estavam brancos e outros morreram no embrião, uma vez que o choco dela foi bem perturbado.

Segue abaixo uma lista de disturbios de comportamento nas fêmeas na época de reprodução.


O sucesso da criação depende do bom comportamento das fêmeas. Normalmente a fêmea colocada na presença do macho, faz o ninho, põe, choca os ovos e alimenta os filhotes.

O macho pode ajudar na construção do ninho e participa na alimentação dos filhotes; a sua função torna-se cada vez mais importante à medida que os filhos crescem.

Os principais problemas do comportamento concernentes às fêmeas são os seguintes:

  • A fêmea não põe 
  • A fêmea destrói constantemente o ninho 
  • A fêmea põe fora do ninho 
  • A fêmea põe sem parar 
  • A fêmea põe, mas não incuba 
  • A fêmea pica os ovos 
  • Os filhotes são atirados para fora do ninho 
  • Os filhotes são pouco ou mal nutridos 
  • A fêmea pica os filhotes

Analisemos os diferentes casos.

A FÊMEA NÃO PÕE

Normalmente a postura é desencadeada pela visão do ninho; ela é favorecida pela presença do macho. Na ausência de ninho, a presença dum recipiente côncavo pode incitar a fêmea a por; até pode pôr num comedouro.
Mas é necessário que a fêmea esteja pronta para pôr, mesmo que o seu ovário contenha os futuros óvulos. Isto supõe que a temperatura e a luz tenham variado normalmente como aquelas produzidas na Primavera. Muita luz e sem muito calor ou o inverso, muito calor e pouca luz, provocam uma alteração do ciclo sexual, que é frequentemente acompanhada por uma muda parcial.
Se a fêmea não põe, malgrado a presença do ninho e do macho, pode-se mudar o macho e trocá-lo por outro mais ardente, mais viril. Se o comportamento da fêmea não muda, é necessário troca-la por uma outra.
A melhor fêmea é uma de dois anos, cujo comportamento terá sido testado no ano anterior. Uma fêmea muito velha pode estar inapta à postura: torna-se estéril.

A FÊMEA DESTRÓI O NINHO CONSTANTEMENTE

A maioria das fêmeas constrói metodicamente o ninho: empregam materiais grosseiros, depois materiais finos para o acabamento. Algumas começam a construção do ninho sem contudo acabar: elas confundem frequentemente os materiais e finalmente o primeiro ovo é posto num ninho inacabado e muito mal feito. Geralmente este comportamento é hereditário. Ele persiste de ano a ano. A fêmea não sabe fazer o ninho, porque nasceu, geralmente, num ninho mal feito.
O criador deve intervir para terminar o ninho ou oferecer à fêmea um ninho completamente feito.
No caso dum ninho de canários, pode-se colocar um ninho de fibras de coco comprado no comércio. Aos exóticos pode-se oferecer um ninho bola, em vime, no interior do qual se cola um revestimento macio, que o pássaro não poderá arrancar. Geralmente o criador contenta-se em terminar o ninho, colocando um suplemento de materiais e construindo uma cavidade para os ovos. Ele pode obter esta cavidade, fazendo rodar uma maçã no ninho, ou moldando com sua mão.
Como no curso de criação, o ninho se suja, ele não pode hesitar em mudar o revestimento no momento em que ele se torne muito sujo. Os filhotes têm necessidade de asseio e esta limpeza agirá sobre o comportamento de adulto. Isto é sobretudo necessário quando o número de filhotes é importante. Isto é indispensável no momento em que os filhotes defecam sobre as paredes do ninho e quando os pais penetram no ninho para alimentá-los.

A FÊMEA PÕE FORA DO NINHO

Sucede que uma jovem fêmea põe fora do ninho, seja sobre o fundo da gaiola, seja num comedouro. Ela não compreendeu a função do ninho que o criador lhe ofereceu, e não o adoptou.
O mais simples é colocar o ovo no ninho onde ele deveria ser posto; faz-se o mesmo para o segundo ovo, e assim por diante até a obtenção duma postura normal. Se a postura se faz num comedouro, tira-se o comedouro à noitinha, uma vez que a postura tem geralmente lugar ao nascer do dia. Para seduzir a fêmea no ninho, pode-se aí colocar um ovo claro (dum outro casal) ou um ovo falso. Quando se trata dum ninho caixa, junta-se materiais que se deixam passar pela abertura; esses materiais excitarão a curiosidade da fêmea, que visitará então o ninho.
É possível que a fêmea não ponha no ninho, porque está infestado pelos piolhos ou porque não é suficientemente próprio. O asseio é necessário e é preciso então mudar ao menos o revestimento do ninho, entre duas ninhadas.

A FÊMEA PÕE SEM PARAR

Encontra-se no ninho um número de ovos anormal. No caso de uma espécie onde o macho e a fêmea são parecidos, é possível que o casal compreenda duas fêmeas. É necessário sexar atentamente os pássaros.
Mas num casal normal, a fêmea pode pôr numerosos ovos. Geralmente são ovos claros e isto ocorre porque quando uma primeira postura era feita de ovos claros, a fêmea continuava a pôr.
Uma observação atenta do número de ovos teria permitido ao criador ver que não se trata duma só postura, mas de duas sucessivas separadas por 5 a 6 dias. Algumas fêmeas são capazes desde o 5º dia de reconhecer se um ovo está claro ou não; neste momento elas podem abandonar o ninho ou pôr de novo.
Uma perturbação do comportamento pode explicar uma postura abundante e contínua. A fêmea é vitima dum desarranjo endócrino. Normalmente quando a postura atingiu a cifra própria à espécie (5a 6 ovos no máximo), uma inibição se produz e isto bloqueia a produção de óvulos pelo ovário. Em alguns pássaros mais sensíveis que outros, o bloqueio tem lugar mais cedo e a fêmea põe menos ovos. A postura torna-se contínua quando o bloqueio não tem lugar. É necessário tirar a fêmea e trocá-la por uma outra. Esta perturbação desaparece geralmente quando a fêmea é colocada em viveiro não contendo qualquer ninho, sobretudo na ausência de machos. Pode também atenuar-se pouco a pouco: a fêmea podendo pôr ainda alguns ovos num comedouro, antes de se tirar definitivamente.

A FÊMEA PÕE MAS NÃO INCUBA

Esta perturbação pode ter várias causas:
O desenvolvimento é desfavorável: há muito barulho ou a fêmea está inquieta. Pode ser suficiente mudar o lugar do ninho ou aquele da gaiola: a primeira ninhada estará perdida, mas uma segunda será levada a termo. A fêmea não choca porque os ovos estão claros, e isto porque ela não foi coberta pelo macho. É necessário tirar os ovos e aguardar uma segunda postura. Se a fêmea não choca, é preciso mudar o macho. O melhor macho é aquele que não somente cobre frequentemente a fêmea, mas também que a ajuda a ir para o ninho. Alguns machos chocam tanto e mesmo mais que a fêmea, mas o mais frequente e necessário é que a fêmea comece a chocar.

A FÊMEA PICA OS OVOS

Acontece quando os pássaros comem os ovos. O criador que constata a presença dum ovo e não o vê no dia seguinte ou quando o número de ovos diminui. Frequentemente não fica nenhum traço do ovo desaparecido: ele foi comido. Um pássaro pode muito bem comer um ovo. Ás vezes um filhote eclode e não se acha a casca: ela comeu-a, e isto evita que ela atraia a atenção dum predador, o que pode ter lugar quando a casca vazia é lançada fora do ninho. Sabe-se assim quando os pássaros de gaiola podem consumir os fragmentos de cascas; esses fragmentos dados pelo criador são uma fonte de cálcio. Por prudência, ele vai dar o melhor, (por ex. ostras trituradas ou fragmentos de cascas de ovos...)
É normal que um ovo seja comido depois de ter sido posto. Geralmente, o criador acusa o macho. Pensa-se que o macho viu no ovo um corpo estranho que ele quer tirar do ninho; o ovo é quebrado e comido. Isto é possível, mas a fêmea pode comer os ovos. É o que tenho constatado com um casal de mandarins. Para saber se comia o ovo, coloquei sobre a casca um produto utilizado para impedir as crianças de roer as unhas. Um primeiro ovo desapareceu sem problema aparente nos pássaros. Porém após o desaparecimento dum segundo ovo, a fêmea foi gravemente intoxicada, enquanto que o macho ficou normal. A mãe era, pois, culpada. É preciso, então, no momento em que os ovos desaparecerem depois de terem sido postos, tirar a fêmea e trocá-la por uma outra.

OS FILHOTES SÃO LANÇADOS PARA FORA DO NINHO

Acontece quando os filhotes são encontrados fora do ninho, sobre o fundo da gaiola.
Frequentemente apresentam feridas provocadas por cortes de bico.
No momento em que o criador se apercebe, rapidamente deve colocar os filhotes no ninho.
Podem cair acidentalmente ou ser assassinados pelas patas da fêmea, quando abandona muito brutalmente o ninho. É necessário então evitar assustar a fêmea que choca, e cuidar para que o ninho seja suficientemente profundo.
Mas é possível que os filhotes tenham sido lançados para fora do ninho por um dos pais. Pouco depois da eclosão, o principal culpado é o macho; ele não reconhece no filhote o produto dum ovo, e lança-o para fora numa preocupação de propriedade, ou de defesa do ninho. Neste caso, é preciso tirar o macho, esperando-se que todos os filhotes tenham eclodido e chegado a ser bastante grandes. No Diamante Gould, mais sujeito ao stress, o macho pode reagir a uma perturbação (barulho, visitante estranho...), lançando os filhotes pouco depois.
No momento em que os filhotes estão emplumados e prontos para sair do ninho, podem ser lançados pela fêmea desejosa de limpar o ninho para tornar a pôr. Algumas fêmeas tornam a pôr num ninho ocupado, mas outras expulsam os filhotes a golpes de bico. O sangue pode ocasionar a picagem: os filhotes se estiverem ainda depenados podem morrer.

OS FILHOTES SÃO POUCO OU MAL ALIMENTADOS

O crescimento dos filhotes é programado; se ele é retardado, os pais podem abandoná-los. Na natureza um retardamento no crescimento corresponde a uma doença ou ainda afecta o último nascido; esses pássaros estão condenados; eles não darão jamais um adulto robusto; os pais têm pressa de fazer uma nova ninhada, e cessam de alimentar os atrasados. Este comportamento permite a selecção natural indispensável à sobrevivência da espécie.
Na criação, o atraso de crescimento tem as mesmas causas, mas o abandono é menos brutal.
Um pássaro cego será alimentado tanto quanto será capaz de pedir com insistência sua alimentação: cessará de o ser quando não virar mais o bico do lado certo. Os filhotes debilitados por uma doença (frequentemente colibacilose) serão cada vez menos alimentados visto que eles terão cada vez menos força para pedir, levantar a cabeça e abrir o bico.
No que concerne aos filhotes de crescimento mais lento numa ninhada, trata-se de mutantes, ou de últimos nascidos. Para salvá-los, o criador confiá-los-á a outros pais, que tenham filhotes no mesmo tamanho. Para que todos os filhotes duma ninhada sejam salvos é necessário que a ninhada fique homogénea, isto quer dizer que todos os filhotes cresçam regularmente.
Pode-se activar o crescimento dos filhotes, dando-lhes uma pasta enriquecida em vitaminas. No início do crescimento, os protídios devem representar perto de 25% da ração; a seguir sua taxa deve diminuir regularmente em benefício dos glucídios (amidos dos grãos). Na natureza, os pássaros aí compreendidos, os granívoros, fornecem aos recém-nascidos uma alimentação muito rica à base de insectos e de pólen, bem como filhotes de larvas e grãos germinados. Por conseguinte, eles dão mais grãos de amoras.
Se é necessário, em caso de doença, utilizar um antibiótico, ele deve ser associado a uma mistura vitaminada e de grãos germinados. Um antibiótico pode provocar uma carência em vitaminas e retardar o crescimento.

A FÊMEA PICA OS FILHOTES

Dissemos que a fêmea desejosa de pôr pode expulsar os filhotes para fora do ninho e picá-los para arrancar-lhes as penas. Esta hostilidade cessa no momento em que os filhotes deixam o ninho, salvo se o sangue correu. No último caso, a visão do sangue tem um efeito agressivo: ele estimula a picagem. É necessário isolar o filhote, tirar a pena que sangra e colocar um pó bactericida sobre a ferida.
Filhotes machos podem ser igualmente picados pelo pai que o deseja expulsar. Se os filhotes devem ser deixados na presença dos pais, é necessário dispor duma gaiola suficientemente grande ou colocar uma separação através da qual os pais poderão alimentar os filhotes. Quando uma gaiola é muito pequena, os pais têm tendência a picar os filhotes. Pode-se também evitar isto, colocando os pais e os filhotes que deixaram o ninho numa outra gaiola, onde não haverá ninho.

CONCLUSÃO

Os distúrbios de comportamento não são raros numa criação. Isto vem do fato de que se está longe das condições naturais bem como em matéria de ambiente, quer de material ou de alimentação. Cuidados de atenção e a experiência permitem evitá-los ou tratá-los. A maior parte dessas perturbações não são hereditárias e não duram de ano a ano. O criador deve ter interesse em possuir muitas fêmeas e vários machos de reserva; mudam o macho ou a fêmea sendo este o meio mais eficaz para pôr fim a uma distúrbio de comportamento que torna um casal improdutivo.

Autor: Ivo Leite

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Coccidiose - Maior problema sanitário da avicultura de gaiola

    A coccidiose, direta ou indiretamente, é responsável por mais da metade dos problemas de saúde das aves de gaiola. Causada por protozoários, parasitas do epitélio intestinal. Os gêneros de interesse para a avicultura são Eimeria e Isospora sendo que o segundo tem nos pássaros seu hospedeiro. Daí poder-mos nos referir à doença no como Isosporose. Esses coccidas são muito bem sucedidos, por terem desenvolvido um ciclo reprodutivo assexuado, no interior das células e sexuado fora delas, produzindo oocitos extremamente resistentes, que são eliminados com as fezes e completam seu desenvolvimento, com a esporulação, fora do hospedeiro.

    Os oocitos possuem uma camada externa impenetrável para os desinfetantes empregados nos criatórios (imune a Iodo, Ácido Cresílico, Hipoclorito de Sódio, Formalina, Sulfato de Cobre, Ácido Sulfúrico, Diclorado de Potássio, Formaldeído e muitos outros, nas concentrações comercias). Quando ingeridos pelo hospedeiro, o aparelho digestivo se encarrega de corroer a membrana dos oócitos liberando os esporozóitos que penetram nas células do intestino, dando inicio a reprodução assexuada e multiplicando-se até romper-lhe a membrana, migrando para outras células. Assim por algumas gerações, até se tornarem seres sexuados, que, fora do ambiente intracelular, produzirão novos oócitos imaturos, que serão eliminados com as fezes.


 
Corte de intestino corado em roxo H. E. e aumentado 400 vezes mostra os aglomerados de bactérias oportunistas em infecções secundárias.

Os meios de contaminação são sempre mecânicos. Os oócitos são transportados no manuseio do material, levados para outros locais ligados ao vestuário das pessoas, principalmente calçados.
    Também podem ser levados pelo vento, em partículas secas de dejetos contaminados. Podem permanecer ativos em um ambiente por muitos meses em condições ideais de temperatura e umidade.
    Quase todos os pássaros são infestados por coccidas. As defesas do organismo mantêm o controle da infestação em um nível aceitável. É praticamente impossível erradicar as coccidas de um criatório.
    E também seria indesejável exterminar totalmente as isosporas do plantel. Sem contato com as isosporas, as defesas do organismo dos nossos pássaros não seriam estimuladas, e uma ingestão de oócitos, por um organismo despreparado, poderia ser fatal.

    Embora não seja transplacentária, isto é, não é transmitida da mãe para o filhote, através do ovo, o filhote é contaminado por oócitos presentes no ninho, eliminados pela fêmea, nos primeiros dias de vida. Os próprios ovos já apresentam oócitos na parte exterior das suas casas. Daí, ser essa uma fase crítica da criação. Nos primeiros dias de vida, o filhote é contaminado. Sem defesas orgânicas preparadas para enfrentar as coccidas pode facilmente perecer.

    Não há um único medicamento que mate todos os coccidas e permita que o pássaro continue vivo.
    A vacinação seria ótima solução. As vacinas, no entanto, são de alto custo de produção, e, como os coccidas (mais de 600 espécies) são hospedeiro-específicos, a produção de vacinas deve ser própria para cada espécie de hospedeiro. Usar em pássaros, vacina contra coccidiose aviária fabricada para emprego em frangos de corte é um procedimento inócuo.
    Nos resta manter a infestação dos nossos pássaros sob controle. A quantidade de 1 ou 2 oócitos por gramo de fezes é considerada adequada. Um pássaro nessa condição de infestação se mantém saudável, em absoluto equilíbrio sanitário. A coccidiose está presente, no entanto, assintomática.
    Essa é a realidade de quase todos os pássaros de gaiola.

    Qualquer fator que comprometa as defesas orgânicas de um pássaro poderá leva-lo à manifestação de um quadro agudo de isosporose. Daí a grande possibilidade de avaliação incorreta do problema de saúde que acomete o pássaro. Um pássaro que foi submetido a uma corrente de ar frio poderá terminar por apresentar um quadro de isospose. O criador inexperiente dificilmente associaria uma coisa à outra, pensando apenas em um possível problema no aparelho repiratório. A presença do veterinário e o exame de fezes são fundamentais nessa hora.
    As paredes do intestino, danificadas por um quadro agudo de coccidiose, formam ambiente adequado ao desenvolvimento de outras bactérias, causando infecções secundárias que poderão exigir atibioticoterapia específica.

    Em pássaros adultos é mais comum a ocorrência de casos de isosporose na época da muda de penas, quando os pássaros estão mais debilitados. Passaros estressados por viagens e participações em torneios estão mais suscetíveis de apresentar a doença.
    A falta de higiene com poleiros e comedouros, e de grade impedindo que o pássaros tenham contato com as próprias fezes, permitem que ele ingira oócitos que foram produzidos em seu próprio intestino. Para cada oócito ingerido, milhares de células serão comprometidas e a multiplicação das coccidas aumentará em progressão geométrica.

A Prevenção


    A prevensão de casos de coccidiose no plantel é reforça pela higiene adequada.

    Uma dieta equilibrada, suplementada de forma adequada por vitaminas, minerais e aminoácidos essenciais, e, enriquecida com simbióticos (exclusão competitiva dos organismos potencialmente patológicos na microbiota intestestinal) se constitui em poderosa arma para prevenção da coccidiose.

    O emprego sistemático de medicamentos coccidiostáticos, principalmente em doses sub-clinicas, copiado da avicultura de produção, nos leva a correr o risco de tornarmos os coccidas resistentes aos princípios ativos empregados, exigindo super-dosagens e novos medicamentos para o seu controle.

    Muitos criadores manejam seus planteis com tratamentos preventivos ministrados em determinadas épocas do ano, principalmente início da muda e início da temporada de reprodução.

    Tantos outros ministram coccidiostáticos, do penúltimo dia de choco (para que a fêmea elimine menos oócitos no início da vida do filhote) até o 10° dia de vida dos filhotes.

    Alguns passarinheiros, afeitos aos torneios, ministram cocciodiostáticos, de forma preventiva, desde um dia antes da viajem até dois dias após retorno do pássaro ao criatório.

Diagnóstico

    O diagnóstico preciso é obtido pelo exame das fezes do pássaro. Preferencialmente, as fezes devem ser colhidas em diferentes horários e dias. Os oócitos não são eliminados, necessariamente a cada vez que o pássaro defeca. Um pássaro poderá estar com um nível de infestação significativo e não ter oócitos identificados em determinada amostra de material colhido.

    O pássaro acometido de coccidiose ou isosporose, apresenta-se indisposto, embolado. Permanece mais tempo que normal junto ao comedouro e ao bebedouro. Isso por estar com a absorção de nutrientes comprometida pelo dano causado pelos coccidas às células do intestino. É comum que o desconforto, causado pela dor, leve o pássaro a jogar muitas sementes para fora do comedouro, a descascar quebrar e derrubar sementes no comedouro. Em estágios mais avançados poderá ocorrer a conhecida diarréia branca. Que não é uma diarréia. Com a falta de nutrientes absorvidos da alimentação, o organismo ataca as reservas existentes nos tecidos adiposo e muscular, liberando uratos nas fezes, tornando-as esbranquiçadas. Daí a perda de massa muscular que destacará o osso do peito em forma de facão, conhecida vulgarmente por peito seco.
    Devemos ficar atentos para outros problemas que levam às fezes demasiadamente brancas. Deficiência no equilíbrio da dieta, problemas com o bico, língua, e muitos outros. Ao identificarmos fezes brancas devemos observar para diferenciar se o pássaro está comendo muito e não está aproveitando os nutrientes, se não está comendo ou se esta consumindo uma dieta desequilibrada.
    Poderá haver diarréia, normalmente com presença de sangue. Nesses casos o pássaro se desidrata rapidamente e morre.
    O ventre poderá se apresentar com volume aumentado, como em pássaros acometidos de obesidade.

    Um pássaro forte, com as defesas orgânicas em boas condições, poderá apresentar apenas uma significativa queda de desempenho, ficar embolado por alguns momentos e animar-se com a aproximação do tratador, voltando a se movimentar normalmente. Essa situação poderá perdurar por muito tempo até que ele entre na fase crítica da doença.

    É preciso estar-mos atentos para o fato de que outra doença poderá acometer o pássaro, comprometer suas defesas e reservas e facilitar o desenvolvimento das coccidas. Também um quadro de coccidiose poderá danificar muitas células do intestino, criando um ambiente favorável ao desenvolvimento de outras bactérias, causadoras de infecções secundárias. Ainda há outras doenças apresentam sintomas semelhantes. Tudo isso dificulta o diagnóstico sem o resultado de exames dos dejetos.
    Exames de rotina no plantel e os tratamentos preventivos que se fizerem necessários contribuirão muito com a condição sua condição sanitária.

Tratamento

    Não existe remédio milagroso. As coccidas estão se tornando cada vez mais resistentes aos produtos de uso mais comum.
    Os medicamentos podem ser coccidicídas, quando se destinam a matar as coccidas, ou coccidiostáticos, quando interferem no seu ciclo reprodutivo, reduzindo a produção de oócitos.
    Nenhum deles acabará com todos as coccidas. Os coccidicidas costumam ser mais agressivos ao organismo do pássaro tratado.
    O tratamento a base de sulfas, que atuam na fase da reprodução sexuada das coccidas, conforme a dosagem e a duração, poderá causar azoospermia, com a esterilização temporária ou permanente dos galadores. A sulfametazina apresenta a vantagem de ser indicada, também contra a mycoplasmose e a salmonelose, ampliando o espectro na indicação do tratamento.
    A tetraciclina já foi muito usada, mas pela continuidade do seu emprego teve sua eficiência comprometida pela progressiva resistência das coccidas e de outras bactérias, exigindo dosagens cada vez mais fortes.


    O NF-180 pó, foi empregado com sucesso por muito tempo, mas está com sua comercialização proibida no Brasil.

    O Amprolbase, produzido pela Farmabase, mostra-se eficiente como preventivo, não apresentando bom resultado na medicação de pássaros com quadro agudo de coccidiose.

    O Clopindol ou Clopidol, como é conhecido no Brasil o Metilclorpindolo, presente no Coccinon da Angercal e no Coccidex da Vitasol, tem-se mostrado o mais adequado para o tratamento da coccidiose dos pássaros de gaiola.

    Juntamente com o cocciostático deve ser ministrado um complexo vitamínico com vitamina A, que irá ajudar na reparação do intestino atingido, com vitamina K para minimizar possíveis hemorragias, com vitamina C que apresenta propriedades anti-infecciosas e apóia o restabelecimento das defesas orgânicas e vitaminas do grupo B, especialmente as vitaminas B2 e B12, que revigoram o organismo debilitado. No caso de tratamento com sulfas, vitaminas do grupo B devem ser evitadas por antagonizarem a ação das mesmas. Em casos agudos da doença um soro re-hidratante acrescido de energético (açúcar de uva ou dextrosol) é fundamental para devolver ao pássaro as condições mínimas necessárias para volte a se alimentar.

    Alguns criadores afirmam usar com sucesso o Clavulim 250, de uso humano, mas é uma iniciativa empírica, desamparada de estudo científico comprobatório.

    É prática usual da maioria dos criadores empregar um cocciodiostático sempre que um pássaro da sinais de não estar bem de saúde. Não é um procedimento desprovido de fundamento, pois para a maioria dos criadores é difícil dispor de acesso aos necessários exames de fezes, diagnóstico e prescrição veterinária em tempo hábil para a recuperação do pássaro.

    Considerando que a presença de coccidas no organismo do pássaro é, no mínimo, muito provável, minimizar o nível da infestação no pássaro doente, mesmo que a causa da doença seja outra, é extremamente desejável.

    Um pássaro que arrepiou a plumagem (embolou) e demonstrou apatia deve receber um cocciostático imediatamente. Se o seu problema de saúde estiver restrito à coccidiose é de se esperar que, no máximo no terceiro dia de tratamento, apresente significativa melhora. Mesmo em caso de aparente recuperação o tratamento não deve ser inferior a 10 dias.

    Costumamos empregar como medicação emergencial a associação de coccidex (uma cápsula em 50 mL de água) com 10 gotas de R-Trill. Temos tido grande sucesso com esse tratamento.

    Caso não reaja positivamente com esse tratamento, em até 3 dias, o tratamento deve ser modificado.

    Essas recomendações prestam-se apenas aos casos emergenciais, em que não é possível recorrer ao veterinário ou efetuar exame de fezes.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Perguntas e respostas sobre doenças de pássaros de goiola



1. Podemos tratar preventivamente a coccidiose?

O melhor elemento na prevenção da coccidiose é a higiene. Há vários programas de prevenção pelo uso contínuo de produtos homeopáticos. As empresas Arenales Fauna e Flora (http://www.arenales.com.br/) e Vida Animal (http://www.vidaanimal.far.br/) oferecem opções nessa linha de tratamento.

Um protocolo muito adotado pelos criadores de silvestres é o emprego preventivo de produtos à base de metilclorpindolo, como o Coccidex da Aarão ou o Coccinon da Angercal consorciados com emprego de simbióticos na alimentação.
Um protocolo bastante eficiente consiste no emprego de 2 cápsulas de Coccidex por litro de água, durante 10 dias seguidos, em quatro tratamentos anuais, consorciado com o emprego de Organew da Vetnil, na farinhada.
O metilclorpindolo, presente no Coccidex, é um coccidiostático, interferindo na reprodução dos coccídeos, reduzindo o nível de infestação e permitindo o desenvolvimento da imunidade ativa pelo organismo do pássaro. O uso continuo de simbióticos irá mobiliar a microbióta intestinal com organismos vivos não nocivos, reduzindo a possibilidade de instalação de agentes patógenos.
Uma observação importante é que, no caso de um quadro agudo de coccidiose, o metilclorpindolo não deverá ser mais a primeira escolha de tratamento, pela possibilidade de desenvolvimento de resistência.


2. Minha fêmea bota 3 ovos mas sempre o terceiro com a casca mole. Como posso corrigir isso?

Muitas podem ser as causas da má formação da cascas dos ovos. Nesse caso específico, parece faltar cálcio para a formação da casca. O correto balanceamento da dieta, com o fornecimento cálcio, fósforo e vitamina D em níveis adequados é fundamental para a correta formação dos ovos.
Como medida paliativa emergencial pode ser adicionada uma pitada de bicarbonato de cálcio na água de bebida, a partir da primeira gala até a postura do último ovo. Esse procedimento elevará a concentração plasmática de cálcio, facilitando a sua deposição na formação da casca.

3. Meus filhotes estão morrendo antes de sairem do ninho. Notei pequenas manchas amareladas no abdomem. Qual é o problema?

As manchas amareladas parecem evidenciar restos de gema não absorvidos no desenvolvimento do embrião. É provável a mycoplasmose nos reprodutores. O diagnóstico somente pode ser comprovado por exame necrológico e cultura de material em laboratório. Emergencialmente, pode ser ministrado Nalit Baby, da Angercal, 1g em 50 mL da água de bebida durante os oito primeiros dias de vida dos filhotes.
Comprovado o diagnóstico, provavelmente a indicação será tratar o plantel com Linco-Spectin, da Pfizer, 3 mL por litro de água, durante 6 dias.
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4. Meu pássaro prendeu a anilha no porta-frutas e está com a canela e o pé feridos. Como tratar?

Costumamos empregar nos casos mais graves, o Cort-Trat, da SM, destinado aos caninos e felinos, cujo princípio ativo é a Dexametazona, usando ¼ de comprimido em 50 mL de água, por, no máximo, 3 dias seguidos.
Para uso tópico, nossa primeira opção é a pomada de uso humano, Queimalive, da Cifarma.
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5. Tenho uma fêmea de azulão que está perdendo as penas na nuca e nas costas. A falha está aumentando e eu já pinguei ivomec e não melhorou. O que posso fazer?

O melhor é procurar um veterinário para colher material do local e examinar em laboratório. Se não houver essa disponibilidade, a nossa primeira escolha seria o Frontline, Spray, da Merial, destinado ao combate de pulgas em cães. O produto tem como principio ativo o Fipronil, bastante seguro para pulverização em pássaros. Tendo o cuidado de não borrifar sobre comedouros e utensílios.

Se não houver melhora, poderá ser ministrado Cetoconazol solução oral, também destinada aos cães. Uma gota em 50 mL de água durante 30 dias.

6. A Ivermectina é o vermifugo mais indicado para os pássaros?

O melhor vermífugo é sempre o específico para a infestação, indicado pela analise laboratorial de fezes colhidas.
A Ivermectina é um potente anti-parasitário, com ação eficaz sobre Nematóides (vermes redondos) e artrópodes (ácaros, piolhos e outros insetos), muito empregada na avicultura de gaiola.
Nos casos de quarentena de pássaros chegados ao criatório, sempre iniciamos o tratamento pelo emprego da Ivermectina (G-Tróx da Aarão) em dois tratamento intervalados por 8 dias. Ministramos após uma semana o Mebendazole, efetivo contra os Cestóides (vermes chatos), também em dois tratamentos intervalados por 10 dias.
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7. Tenho perdido muitos filhotes de curió e um amigo mais experiente observou que estão com a doença da pinta preta no lado direito do abdomem. O que devo fazer?

A mancha escura que você observou na lateral direita do abdome dos filhotes é, provavelmente, a vesícula biliar aumentada, e (ou) o próventrículo aumentado por acumulo de alimentos não digeridos, podendo refletir Salmonelose ou (e) Colibacilose.
Emergencialmente, você poderá ministrar para as ninhadas, Clavulin (250mg), medicamento de uso humano que associa AMOXICILINA+CLAVULANATO. A solução oral é fornecida em pó, para ser hidratada pelo usuário. Não a hidrate. Ministre uma pitada do pó, com volume semelhante ao de um grão de arroz com casca, em 50 mL de água, por 8 dias.
Procure um veterinário para a avaliação das matrizes. Essa ocorrência é comum em planteis imunossuprimidos, normalmente com aves portadoras crônicas de Mycoplasmose.

8. Minha fêmea de bicudos está ficando com as penas do peito molhadas e desarrumadas. Os filhotes estão com 5 dias. Acho que é a doença do suor das fêmeas. Como posso tratar?

As fêmeas de bicudo, como outros pássaros, não suam. Os filhotes têm diarréia e suas fezes umedecem a plumagem do peito das fêmeas.
Os filhotes quando nascem não apresentam flora intestinal. A colonização intestinal é lenta e gradual pela flora benéfica. Evidentemente que bactérias patogênicas, quando conseguem localizar-se no tubo digestivo destes filhotes, encontram terreno propício à proliferação causando diarreias.
O uso de probióticos nas farinhadas auxilia na prevenção das diarréias de ninho. Devido a grande resistência bacteriana aos principais medicamentos empregados na avicultura de gaiola, a coleta de matéria para exame laboratorial e antibiograma é importantíssima.
Na impossibilidade, a associação de 5 gotas de Neocolin, da Vansil, com 8 gotas de R-Trill, da Aarão, em 50 mL, por 8 dias, têm apresentado excelente resultado.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Padrão do Gloster segundo a FOB


1. ORIGEM
Condado de Gloucester, Grã-Bretanha

2.HISTÓRICO
A origem da raça é bem conhecida, ao contrário da maioria das outras.
Em 1925 dois exemplares foram exibidos no National Show no Cristal Palace e, afortunadamente eles foram reconhecidos como uma nova raça pelo juiz A.W.Smith, já falecido.

Há mais de sessenta anos, ao fazer sua aparição, no tempo em que a raça Crested estava em seu apogeu, o GLOSTER foi objeto de muita polêmica. Muitos criadores daquele tempo relutaram em aceitá-los, considerando-os com maus exemplares do então rei da criação de canários, o Crested. Com incrível persistência, a Senhora Rogerson, e os Srs. A.W.Smith e John Mclay, um notável criador escocês, tornaram-se os pioneiros na criação desse novo e pequeno canário de forma. Enquanto a Senhora Rogerson obteve seus passáros partindo do cruzamento de Rollers de topete com Border de tamanho bem reduzido do plantel de J. H. Madagan, o Senhor Maclay cruzou seus menores Crested, que eram usados como amas para os grandes, com os menores Borders que conseguiu obter com os criadores escoceses. É preciso não esquecer que o Border de 1925 era um pássaro pequeno e de plumagem excelente e deste pequeno "wee gem" e do então considerado o rei da canaricultura, o Crested, se originou o pequeno pássaro que posteriormente passou a se chamar-se GLOSTER, corruptela de Gloucester, nome escolhido pelo juíz que primeiro aceitou, A. W. Smith.

Como toda raça que possui o topete, há exemplares com e sem topete, ou seja, o CORONA e o CONSORT, que apresentam características idênticas, executando-se o topete.

O GLOSTER IDEAL


É um pássaro pequeno, tendendo ao diminutivo.
O tamanho ideal é em torno dos 11 cm.

O topete é rico em penas, redondo, simétrico e perfeitamente aderente à nuca, cobrindo parte do bico e dos olhos. O ponto central de onde se irradiam as penas é um pequeno ponto de no máximo 1 mm de diâmetro.

O CONSORT possui a cabeça redonda sob todos os ângulos, penas longas e sobrancelhas bem evidentes, como devem ser todos os parceiros de pássaros de topete.

O bico é curto e cônico, olhos mais próximos do bico que da nuca, que com uma curva reversa quase imperceptível faz a concordância com o dorso.

O pescoço é curtíssimo e grosso, ligando a cabeça harmoniosamente ao dorso, peito e ombros, o dorso é ligeiramente arredondado, ombros largos, peito amplo com afunilamento pronunciado em direção à cauda (Pião).

A plumagem deve ser compacta, sem frisos ou penas soltas e são aceitas todas as cores, à exceção do fundo vermelho.

A postura se caracteriza por uma inclinação do corpo de aproximadamente 45º com a horizontal.

A cauda é curta, compacta, praticamente alinhada com a parte baixa do dorso.

As asas, também curtas, assentam-se perfeitamente sobre o dorso sem cruzar as pontas que se apoiam sobre a rabadilha.

As pernas que apresentam as coxas invisíveis na plumagem, são implantadas bem atrás do corpo, as canelas curtas com os dedos e unhas perfeitos e delicados, característicos das raças pequenas.

É um pássaro vivo, de movimentações constantes, que deve estar perfeitamente limpo e saudável para que esteja completo o pássaro ideal.

COMENTÁRIOS SOBRE OS ITENS DA TABELA


1. TAMANHO - 20 PONTOS
  • Pássaros com 13 cm ou mais devem ser desclassificados. Os nevados sempre se apresentam maiores que os intensos e pássaros intensos grandes devem ser também penalizados com extremo rigor.
  • A preferência é sempre, desde que idênticos em todos os outros pontos, pelo pássaro menor

2. CABEÇA/TOPETE - 20 PONTOS
  • Topetes elípticos, embora perfeitos, devem ser penalizados com rigor.
  • Topetes com falhas ou fendidos, levantados na nuca deixando à vista um área acima de 2mm de diâmetro, implicam em desclassificação do exemplar.
  • Topetes planos ou que cubram por demasiado o bico e os olhos devem ser penalizados com rigor.
  • Topetes com outra forma que não a circular devem ser penalizados.
  • Topetes cujas penas não estejam assentadas acompanhando a forma natural devem ser penalizados com rigor. Topetes em que a parte traseira não esteja aderente à nuca devem ser penalizados, proporcionalmente ao afastamento do padrão.
  • Penas com canos, normais em pássaros que estão em fase terminal da muda, devem ser penalizados, porém, de acordo com a quantidade delas. A cabeça faz parte do julgamento neste item, e deve ser analisada em suas partes aparentes da mesma forma que o é no CONSORT. 
  • Cabeças proporcionalmente pequenas devem ser penalizadas com rigor, assim como os pássaros de faces pontiagudas (pouca bochecha). Cabeças sem a elevação da fronte, topo plano, nuca arredondada destacando-se por demais da linha do dorso, olhos mal posicionados ou bico desproporcional devem ser penalizados proporcionalmente à deficiência. 
  • Ponto central de tamanho maior que o permitido deve ser penalizado com rigor de acordo com o tamanho do círculo calvo, acima de 2mm de diâmetro devem ser desclassificados. Pontos transformados em linha ou outras figuras devem ser penalizados com rigor. Pontos deslocados em relação ao centro do topo da cabeça devem ser penalizados de acordo com a importância da deficiência. A ausência dos cílios deve ser penalizada com rigor. Quando presentes, a penalização deve ser proporcional à deficiência na apresentação dos cílios.
3. FORMA - 20 PONTOS
  • Nuca perfeitamente alinhada com o dorso deve ser penalizada. Pescoço fino ou comprido devem ser penalizados com rigor
  • A linha do peito deve ser analisada em relação ao padrão. Peitos retos,dorsos corcundas ou côncavos, ombros, corpo muito comprido, asas cruzadas devem ser penalizados neste item, proporcionalmente à deficiência.
  • Pássaros compridos e finos devem ser penalizados com extremo rigor, principalmente os nevados.
4. PLUMAGEM - 15 PONTOS
  • A plumagem deve ser compacta. Pássaros com penas soltas que modifiquem o contorno externo devem ser penalizados, proporcionalmente às deficiências.
  • Pássaros com fachos muito pronunciados devem ser penalizados com rigor. Quistos na plumagem implicam em desclassificação.
5. POSIÇÃO - 10 PONTOS
  • Pássaros cuja posição seja nitidamente superior ou inferior aos 45º com a horizontal devem ser penalizados. Os pássaros de topete algumas vezes ficam um pouco mais elevados, principalmente quando o topete cobre grande parte dos olhos, o que deve ser penalizado no item referente.
  • Pássaros que se situam na horizontal ou próximo à vertical devem ser penalizados com extremo rigor.

6. CAUDA - 5 PONTOS
  • Caudas compridas ou abertas devem ser penalizadas. 
  • Caudas caídas ou levantadas devem ser penalizadas com rigor.


7. PERNAS E PÉS - 5 PONTOS
  • Pernas implantadas muito à frente devem ser penalizadas com extremo rigor. 
  • Canelas longas devem ser penalizadas com rigor.

8. CONDIÇÃO GERAL - 5 PONTOS
  • Pássaros sujos na plumagem, com escamas nos pés ou canelas e pássaros letárgicos devem ser penalizados.

Resumo Técnico da Raça GLOSTER


1. Tamanho - 20 pontos
O menor possível, sendo o ideal em torno dos 11cm


2. Topete/Cabeça - 20 pontos
Topete (corona): bem redondo e cheio com pontos central o menor possível, aderente à nuca. Olhos visíveis, bico cônico e pequeno.
Cabeça (consort): bem redonda e larga com penas longas e sobrancelhas bem evidentes.

3. Corpo/Forma - 20 pontos
Pescoço largo, separação cabeça/corpo invisível.
Peito bem largo, redondo e cheio, sem proeminências. Dorso bem cheio ligeiramente arredondado.

4. Plumagem - 15 pontos
Sedosa, compacta, brilhante e com cor natural.

5. Posição - 10 pontos
Altiva, aproximadamente 45º vom s horizontal
Movimentação constante.


6. Cauda - 5 pontos
Cauda curta, compacta, no alinhamento do dorso.



7. Pernas e Pés - 5 pontos
Pernas ligeiramente fletidas; com coxas invisíveis, canelas curtas.


8. Condição Geral - 5 pontos
Perfeitamente limpo e saudável.

GAIOLAS: 
Tipo canário de cor, com os poleiros redondos com diâmetro de 12mm, alinhados e afastados de 7,5cm


ANILHA: 
3,0mm


DEFEITOS DESCLASSIFICANTES:
  • Pássaros com topete parcialmente decomposto.
  • Pássaros de topete com ponto central com área acima de 2 mm de diâmetro.
  • Área calva aparente na nuca.
  • Pássaros com tamanho igual ou superior a 13 cm.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A importância do tamanho no Gloster

Tamanho e história do gloster

O pequeno tamanho no gloster sempre foi um aspecto importante ao longo da história de criação deste canário. Inclusive a grande razão para a criação da raça gloster durante o ano de 1920 foi a de produzir um pequeno canário com coroa. Esta foi a razão que levou a fundadora do gloster, Mrs Rogerson, conhecida criadora de Gloucestershire em Inglaterra, a seleccionar tal ave, este não apreciava de todo o tamanho exagerado do canário Crested, e começou a sua busca por um canário pequeno coroado.

Assim o pequeno tamanho tornou-se a linha mestra de selecção para Mrs Rogerson, e deveria ser também o principal aspecto de selecção dos restantes criadores que seguem os seus passos. Podemos assim dizer que é o tamanho do gloster que o distingue do canário Norwich ou Crested e se isto não for tido em conta não existe razão para separarmos este das raças anteriormente citadas.

Nos tempos modernos o tamanho tem sido um dos tópicos mais controversos entre os criadores de glosters. Quando falamos de tamanho, falamos do comprimento desde o bico até à ponta da cauda, no gloster deve ser o mais curto possível, mantendo o corpo, a forma pois actualmente buscamos um canário potente. Durante os últimos 40 anos um grande número de criadores de glosters, fizeram grandes melhorias na criação, surgiram as coroas redondas, longas e com poucas falhas, melhoram-se a cor e a qualidade da plumagem e mais recentemente corpos redondos que dão ao gloster uma distinta e particular forma. No entanto durante este período de rápida evolução, houve períodos em que a raça para evoluir nos pontos atrás assinalados, se descurou ligeiramente a questão tamanho. Por exemplo quando começaram a aparecer os primeiros glosters com coroas cadentes todos os vencedores procuraram trabalhar as mesmas, o que fez com que outras características fossem menosprezadas, incluindo o tamanho.

Esta tendência para dar pouca importância ao tamanho é um problema bem maior se compararmos a Inglaterra com o resto da Europa, criadores do continente, especialmente da Bélgica, sempre tiveram como prioridade o tamanho. Conseguimos ver ainda hoje que essa preocupação continua, com as recentes alterações COM de alocução de pontos com bastante ênfase para com o tamanho dos glosters. Outra grande diferença é que o sistema COM tem como ideal 11,5 cm, enquanto que na Inglaterra tal não existe no nosso standard, que diz simplesmente “tendency to the diminutive”, frase muito aberta a distintas interpretações.

Tamanho e criar bests in show

Quando tentamos criar glosters para vencer exposições, estamos a tentar produzir uma ave com excelente tipo/forma, isto significa ter uma coroa sem faltas, associado a uma boa queda de pena, redonda e com o tamanho apropriado, associado a um pescoço curto e a um corpo redondo e poderoso. Uma ave com todos estes aspectos é um Gloster fantástico! Contudo é muito mais fácil obter todos estes aspectos numa ave maior uma vez que podemos usar plumagens longas e curtas para aumentar cabeça, largura de pescoço e corpo nos nossos casais. È fácil de ver quanto é fácil obter tipo/forma numa ave maior ao analisarmos aves de exposição como por exemplo o Crested ou mesmo o Norwich, bons exemplares destas raças têm cabeças, coroas e pescoços que ultrapassam em muito o que obtemos no gloster, no entanto, tal só é conseguido num conjunto geral maior. Na realidade o que torna difícil a criação do nosso gloster é o facto de tentarmos ter tipo/forma numa ave pequena. Neste aspecto só alguns criadores experientes conseguem produzir glosters pequenos mantendo o tipo/forma e cabeça que todos amamos.

No entanto se permitirmos que aves maiores vençam shows, estamos a fazer com que criação de aves vencedoras seja mais fácil, e de certa forma não estamos a valorizar a habilidade e destreza de certos criadores em combinar tipo/forma num tamanho pequeno.

Se concordamos que é no pequeno tamanho que reside o desafio de criar bons glosters então temos de dar o mérito a esses criadores nas exposições.

Um gloster que seja curto desde o bico à cauda automaticamente parece melhor que uma ave cumprida, isto porque ao ser curto faz com que este pareça mais compacto fazendo com que corpo e pescoço pareçam melhor, mais compactos. No entanto é essencial que seja curtos por natureza, existe uma longa e indistinguível historia à volta de criadores de gloster devido a cortarem caudas de forma a parecem mais curtos. Esta prática é .... uma falta, tal como um centro da coroa deslocado à frente. Ao cortar a cauda o criador está a admitir que não conseguiu combinar tipo/forma e tamanho o suficiente, logo ao cortar a cauda está a tentar bater um colega que produziu uma ave melhor sem recurso a artifícios.

É importante que os juízes tenham a coragem de desclassificar aves que tenham caudas alteradas e mostrar claramente a razão de desclassificação da ave, se o juiz não tomar tal atitude então criadores honestos podem desistir de criar glosters ou começarem também a fazer batota.

O Futuro

No ultimo ano em Inglaterra a mensagem era para que aves grandes vencessem cada vez menos exposições. No entanto, continuam a haver demasiadas aves grandes a bater pequenos glosters que estão mais próximos daquilo que deveríamos procurar na raça. Existem também criadores noutros continentes e na Europa que estão a ficar preocupados com o aumento do tamanho dos glosters nas exposições.

Países como Portugal e Espanha onde a criação do gloster aumentou rapidamente em popularidade são os criadores do futuro, com muitas e excelentes aves criadas que levaram o Gloster para outros níveis. Seria excelente se estes criadores estudassem alguns dos erros cometidos pelos criadores Ingleses nos últimos 40 anos de forma a poderem evitar alguns problemas que possam surgir nos próximos 40 anos.

Por Rob Wright, publicado na Revista O Gloster nº 12

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Conselhos para a criação de uma linhagem de alto valor genético



  • Adquirir canários de ótima qualidade, nas mãos de um criador que já pratique a consanguinidade há pelo menos três anos. Deverá ter em mente que o objetivo inicial é a estabilização de uma linhagem de elevado valor genético, não a criação de campeões, que poderá demorar algum tempo.
  • Não realizar mais do que três criações por ano ou, como alternativa, utilizar amas secas. Os reprodutores devem ser de boa genealogia, saudáveis, férteis e vigorosos.
  • Robustez, vigor, fertilidade e saúde deverão estar associadas à beleza estética dos reprodutores.
  • Vender, desde que não imprescindíveis, os canários que participaram nas exposições, evitando eventual contaminação patogénica do canaril.
  • Adquirir canários de plumagem excelente (cores / qualidade) e ótima posição. Importante ter em mente que as características hereditárias prevalescentes transmitidas pelo macho são a cor e comprimento (tamanho), enquanto que da fêmea herda o tipo; cabeça; forma; constituição.
  • Possuir condições de espaço ideais para a quantidade e pássaros que se pretende criar.
  • Fixadas as linhagens, criar em circuito fechado, de modo a evitar genes incompatíveis e efeitos negativos. Deve afastar-se o temor absurdo dos efeitos negativos da consanguinidade.
  • Somente a correta aplicação da consanguinidade pode dar vida a uma linha de elevado valor genético. Para isso aplicar um dos métodos de cruzamentos consanguineos já conhecidos.
  • A consanguinidade é um filtro do património hereditário, fazendo emergir os caracteres positivos e negativos, por isso eliminar do plantel os pássaros com características indesejadas.
  • Acasalar somente os canários saudáveis, ferteis, vigorosos, de bela plumagem e o mais próximo do padrão ideal da raça. Para isso é imprescindível conhecer bem o padrão. Adquisição do manual da raça é um ótimo começo.
  • A consanguinidade tende a reagrupar o conjunto dos genes positivos semelhantes, isto é, produz homozigotes, ou seja, a pureza dos caracteres selecionados que assumem predominância na linhagem, de modo que tais características sejam menifestas em todos os membros da família.

Retirado e adaptado de http://mundodogloster.webnode.pt/conselhos/

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A mutação intenso

Exclusiva do canário, a mutação intenso reveste-se de aspectos de extraordinária raridade e de grande interesse cientifíco. É geneticamente dominante e sub-letal, provavelmente com um aspecto de expressiva variabilidade, e compreende o antigimento pelo lipocromo da ponta da pena, cujas bárbulas são mais curtas. A expressão lipocrômica é muito forte e a forma do corpo é mais leve e esbelta.

O gene responsável por esta mutação é pleiotrópico, ou seja ele  influencia várias características do portador. Nos sujeitos homozigotos, as características se exaltam, reduzindo o seu tamanho, com plumagem muito curta e fortíssima expressão do lipocromo.
Existem fortes variações de um indivíduo para outro, podendo ser mais ou menos evidentes os resíduos de nevadismo. Nos machos, a atuação do fator intenso é geralmente mais forte.

Um fenômeno excepcionalmente notável, que permanece sem explicação e que nunca havia acontecido anteriormente, é o fato da categoria nevado (forma ancestral) precisar de cruzamento misto com a mutação intenso. Efetivamente, o sucessivo cruzamento entre nevados é desaconselhado, uma vez que se obtêm todos os filhotes nevados, normalmente de má qualidade, com nevadismo excessivo que pode estender-se às zonas "de eleição", com carência de lipocromo e, por fim, tendência à plumagem muito abundante. Em caso de repetidos cruzamentos entre exemplares nevados, essas características negativas tendem a aumentar.
Na natureza, os canários se reproduzem sempre entre exemplares nevados sem qualquer problema, mesmo porque não há intensos. No entanto, em cativeiro, o mesmo tipo de cruzamento produz os resultados negativos acima citados. Por outro lado, o acasalamento entre exemplares intensos e nevados permite o nascimento de nevados de boa qualidade e equilibrados. Em todas as espécies criadas em cativeiro, a regra geral é que maiores serão o equilíbrio e a vitalidade dos filhotes quanto mais fortes forem as características presentes do tipo ancestral. É realmente difícil explicar esta exceção nos canários!

Infelizmente são poucos os que se aprofundam no problema. Na minha opinião, provavelmente o fenômeno é uma conseqüência induzida pela mutação intenso, que pode ser capaz de induzir outras mutações e de modificar, mesmo que não de forma evidente a própria forma genética.

Um outro problema a ser considerado é por que os nevados resultantes do cruzamento entre intensos e nevados são bons. Acredito que possa ocorrer um fenômeno semelhante ao da heterogênese não transmissível. Os nevados obtidos de acasalamentos entre dois exemplares intensos, nascidos na probabilidade de 25% dos filhotes, geralmente apresentam uma situação de excesso que os faz semelhantes aos obtidos através de cruzamnetos puros. Por outro lado, usando uma fêmea intensa com um macho nevado, obtêm-se em geral, apenas como uma tendênmcia, resultados ligeiramente melhores que os obtidos quando se usam uma fêmea nevada com um macho intenso. A regra é válida tanto para os filhotes intensos quanto para os nevados. Os intensos tendem a apresentar uma melhor intensidade de cor, e os nevados, um ótimo equilíbrio e bom nevadismo.