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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Distúrbios de comportamento nas fêmeas

Esse ano tive problemas com uma fêmea de Harz Roller que colocou 8 ovos! Percebi que na verdade ela tinha emendado duas posturas, com apenas 5 dias de diferença. Dessa ninhada sobreviveu apenas 1 filhote, pois dos outros ovos parte estavam brancos e outros morreram no embrião, uma vez que o choco dela foi bem perturbado.

Segue abaixo uma lista de disturbios de comportamento nas fêmeas na época de reprodução.


O sucesso da criação depende do bom comportamento das fêmeas. Normalmente a fêmea colocada na presença do macho, faz o ninho, põe, choca os ovos e alimenta os filhotes.

O macho pode ajudar na construção do ninho e participa na alimentação dos filhotes; a sua função torna-se cada vez mais importante à medida que os filhos crescem.

Os principais problemas do comportamento concernentes às fêmeas são os seguintes:

  • A fêmea não põe 
  • A fêmea destrói constantemente o ninho 
  • A fêmea põe fora do ninho 
  • A fêmea põe sem parar 
  • A fêmea põe, mas não incuba 
  • A fêmea pica os ovos 
  • Os filhotes são atirados para fora do ninho 
  • Os filhotes são pouco ou mal nutridos 
  • A fêmea pica os filhotes

Analisemos os diferentes casos.

A FÊMEA NÃO PÕE

Normalmente a postura é desencadeada pela visão do ninho; ela é favorecida pela presença do macho. Na ausência de ninho, a presença dum recipiente côncavo pode incitar a fêmea a por; até pode pôr num comedouro.
Mas é necessário que a fêmea esteja pronta para pôr, mesmo que o seu ovário contenha os futuros óvulos. Isto supõe que a temperatura e a luz tenham variado normalmente como aquelas produzidas na Primavera. Muita luz e sem muito calor ou o inverso, muito calor e pouca luz, provocam uma alteração do ciclo sexual, que é frequentemente acompanhada por uma muda parcial.
Se a fêmea não põe, malgrado a presença do ninho e do macho, pode-se mudar o macho e trocá-lo por outro mais ardente, mais viril. Se o comportamento da fêmea não muda, é necessário troca-la por uma outra.
A melhor fêmea é uma de dois anos, cujo comportamento terá sido testado no ano anterior. Uma fêmea muito velha pode estar inapta à postura: torna-se estéril.

A FÊMEA DESTRÓI O NINHO CONSTANTEMENTE

A maioria das fêmeas constrói metodicamente o ninho: empregam materiais grosseiros, depois materiais finos para o acabamento. Algumas começam a construção do ninho sem contudo acabar: elas confundem frequentemente os materiais e finalmente o primeiro ovo é posto num ninho inacabado e muito mal feito. Geralmente este comportamento é hereditário. Ele persiste de ano a ano. A fêmea não sabe fazer o ninho, porque nasceu, geralmente, num ninho mal feito.
O criador deve intervir para terminar o ninho ou oferecer à fêmea um ninho completamente feito.
No caso dum ninho de canários, pode-se colocar um ninho de fibras de coco comprado no comércio. Aos exóticos pode-se oferecer um ninho bola, em vime, no interior do qual se cola um revestimento macio, que o pássaro não poderá arrancar. Geralmente o criador contenta-se em terminar o ninho, colocando um suplemento de materiais e construindo uma cavidade para os ovos. Ele pode obter esta cavidade, fazendo rodar uma maçã no ninho, ou moldando com sua mão.
Como no curso de criação, o ninho se suja, ele não pode hesitar em mudar o revestimento no momento em que ele se torne muito sujo. Os filhotes têm necessidade de asseio e esta limpeza agirá sobre o comportamento de adulto. Isto é sobretudo necessário quando o número de filhotes é importante. Isto é indispensável no momento em que os filhotes defecam sobre as paredes do ninho e quando os pais penetram no ninho para alimentá-los.

A FÊMEA PÕE FORA DO NINHO

Sucede que uma jovem fêmea põe fora do ninho, seja sobre o fundo da gaiola, seja num comedouro. Ela não compreendeu a função do ninho que o criador lhe ofereceu, e não o adoptou.
O mais simples é colocar o ovo no ninho onde ele deveria ser posto; faz-se o mesmo para o segundo ovo, e assim por diante até a obtenção duma postura normal. Se a postura se faz num comedouro, tira-se o comedouro à noitinha, uma vez que a postura tem geralmente lugar ao nascer do dia. Para seduzir a fêmea no ninho, pode-se aí colocar um ovo claro (dum outro casal) ou um ovo falso. Quando se trata dum ninho caixa, junta-se materiais que se deixam passar pela abertura; esses materiais excitarão a curiosidade da fêmea, que visitará então o ninho.
É possível que a fêmea não ponha no ninho, porque está infestado pelos piolhos ou porque não é suficientemente próprio. O asseio é necessário e é preciso então mudar ao menos o revestimento do ninho, entre duas ninhadas.

A FÊMEA PÕE SEM PARAR

Encontra-se no ninho um número de ovos anormal. No caso de uma espécie onde o macho e a fêmea são parecidos, é possível que o casal compreenda duas fêmeas. É necessário sexar atentamente os pássaros.
Mas num casal normal, a fêmea pode pôr numerosos ovos. Geralmente são ovos claros e isto ocorre porque quando uma primeira postura era feita de ovos claros, a fêmea continuava a pôr.
Uma observação atenta do número de ovos teria permitido ao criador ver que não se trata duma só postura, mas de duas sucessivas separadas por 5 a 6 dias. Algumas fêmeas são capazes desde o 5º dia de reconhecer se um ovo está claro ou não; neste momento elas podem abandonar o ninho ou pôr de novo.
Uma perturbação do comportamento pode explicar uma postura abundante e contínua. A fêmea é vitima dum desarranjo endócrino. Normalmente quando a postura atingiu a cifra própria à espécie (5a 6 ovos no máximo), uma inibição se produz e isto bloqueia a produção de óvulos pelo ovário. Em alguns pássaros mais sensíveis que outros, o bloqueio tem lugar mais cedo e a fêmea põe menos ovos. A postura torna-se contínua quando o bloqueio não tem lugar. É necessário tirar a fêmea e trocá-la por uma outra. Esta perturbação desaparece geralmente quando a fêmea é colocada em viveiro não contendo qualquer ninho, sobretudo na ausência de machos. Pode também atenuar-se pouco a pouco: a fêmea podendo pôr ainda alguns ovos num comedouro, antes de se tirar definitivamente.

A FÊMEA PÕE MAS NÃO INCUBA

Esta perturbação pode ter várias causas:
O desenvolvimento é desfavorável: há muito barulho ou a fêmea está inquieta. Pode ser suficiente mudar o lugar do ninho ou aquele da gaiola: a primeira ninhada estará perdida, mas uma segunda será levada a termo. A fêmea não choca porque os ovos estão claros, e isto porque ela não foi coberta pelo macho. É necessário tirar os ovos e aguardar uma segunda postura. Se a fêmea não choca, é preciso mudar o macho. O melhor macho é aquele que não somente cobre frequentemente a fêmea, mas também que a ajuda a ir para o ninho. Alguns machos chocam tanto e mesmo mais que a fêmea, mas o mais frequente e necessário é que a fêmea comece a chocar.

A FÊMEA PICA OS OVOS

Acontece quando os pássaros comem os ovos. O criador que constata a presença dum ovo e não o vê no dia seguinte ou quando o número de ovos diminui. Frequentemente não fica nenhum traço do ovo desaparecido: ele foi comido. Um pássaro pode muito bem comer um ovo. Ás vezes um filhote eclode e não se acha a casca: ela comeu-a, e isto evita que ela atraia a atenção dum predador, o que pode ter lugar quando a casca vazia é lançada fora do ninho. Sabe-se assim quando os pássaros de gaiola podem consumir os fragmentos de cascas; esses fragmentos dados pelo criador são uma fonte de cálcio. Por prudência, ele vai dar o melhor, (por ex. ostras trituradas ou fragmentos de cascas de ovos...)
É normal que um ovo seja comido depois de ter sido posto. Geralmente, o criador acusa o macho. Pensa-se que o macho viu no ovo um corpo estranho que ele quer tirar do ninho; o ovo é quebrado e comido. Isto é possível, mas a fêmea pode comer os ovos. É o que tenho constatado com um casal de mandarins. Para saber se comia o ovo, coloquei sobre a casca um produto utilizado para impedir as crianças de roer as unhas. Um primeiro ovo desapareceu sem problema aparente nos pássaros. Porém após o desaparecimento dum segundo ovo, a fêmea foi gravemente intoxicada, enquanto que o macho ficou normal. A mãe era, pois, culpada. É preciso, então, no momento em que os ovos desaparecerem depois de terem sido postos, tirar a fêmea e trocá-la por uma outra.

OS FILHOTES SÃO LANÇADOS PARA FORA DO NINHO

Acontece quando os filhotes são encontrados fora do ninho, sobre o fundo da gaiola.
Frequentemente apresentam feridas provocadas por cortes de bico.
No momento em que o criador se apercebe, rapidamente deve colocar os filhotes no ninho.
Podem cair acidentalmente ou ser assassinados pelas patas da fêmea, quando abandona muito brutalmente o ninho. É necessário então evitar assustar a fêmea que choca, e cuidar para que o ninho seja suficientemente profundo.
Mas é possível que os filhotes tenham sido lançados para fora do ninho por um dos pais. Pouco depois da eclosão, o principal culpado é o macho; ele não reconhece no filhote o produto dum ovo, e lança-o para fora numa preocupação de propriedade, ou de defesa do ninho. Neste caso, é preciso tirar o macho, esperando-se que todos os filhotes tenham eclodido e chegado a ser bastante grandes. No Diamante Gould, mais sujeito ao stress, o macho pode reagir a uma perturbação (barulho, visitante estranho...), lançando os filhotes pouco depois.
No momento em que os filhotes estão emplumados e prontos para sair do ninho, podem ser lançados pela fêmea desejosa de limpar o ninho para tornar a pôr. Algumas fêmeas tornam a pôr num ninho ocupado, mas outras expulsam os filhotes a golpes de bico. O sangue pode ocasionar a picagem: os filhotes se estiverem ainda depenados podem morrer.

OS FILHOTES SÃO POUCO OU MAL ALIMENTADOS

O crescimento dos filhotes é programado; se ele é retardado, os pais podem abandoná-los. Na natureza um retardamento no crescimento corresponde a uma doença ou ainda afecta o último nascido; esses pássaros estão condenados; eles não darão jamais um adulto robusto; os pais têm pressa de fazer uma nova ninhada, e cessam de alimentar os atrasados. Este comportamento permite a selecção natural indispensável à sobrevivência da espécie.
Na criação, o atraso de crescimento tem as mesmas causas, mas o abandono é menos brutal.
Um pássaro cego será alimentado tanto quanto será capaz de pedir com insistência sua alimentação: cessará de o ser quando não virar mais o bico do lado certo. Os filhotes debilitados por uma doença (frequentemente colibacilose) serão cada vez menos alimentados visto que eles terão cada vez menos força para pedir, levantar a cabeça e abrir o bico.
No que concerne aos filhotes de crescimento mais lento numa ninhada, trata-se de mutantes, ou de últimos nascidos. Para salvá-los, o criador confiá-los-á a outros pais, que tenham filhotes no mesmo tamanho. Para que todos os filhotes duma ninhada sejam salvos é necessário que a ninhada fique homogénea, isto quer dizer que todos os filhotes cresçam regularmente.
Pode-se activar o crescimento dos filhotes, dando-lhes uma pasta enriquecida em vitaminas. No início do crescimento, os protídios devem representar perto de 25% da ração; a seguir sua taxa deve diminuir regularmente em benefício dos glucídios (amidos dos grãos). Na natureza, os pássaros aí compreendidos, os granívoros, fornecem aos recém-nascidos uma alimentação muito rica à base de insectos e de pólen, bem como filhotes de larvas e grãos germinados. Por conseguinte, eles dão mais grãos de amoras.
Se é necessário, em caso de doença, utilizar um antibiótico, ele deve ser associado a uma mistura vitaminada e de grãos germinados. Um antibiótico pode provocar uma carência em vitaminas e retardar o crescimento.

A FÊMEA PICA OS FILHOTES

Dissemos que a fêmea desejosa de pôr pode expulsar os filhotes para fora do ninho e picá-los para arrancar-lhes as penas. Esta hostilidade cessa no momento em que os filhotes deixam o ninho, salvo se o sangue correu. No último caso, a visão do sangue tem um efeito agressivo: ele estimula a picagem. É necessário isolar o filhote, tirar a pena que sangra e colocar um pó bactericida sobre a ferida.
Filhotes machos podem ser igualmente picados pelo pai que o deseja expulsar. Se os filhotes devem ser deixados na presença dos pais, é necessário dispor duma gaiola suficientemente grande ou colocar uma separação através da qual os pais poderão alimentar os filhotes. Quando uma gaiola é muito pequena, os pais têm tendência a picar os filhotes. Pode-se também evitar isto, colocando os pais e os filhotes que deixaram o ninho numa outra gaiola, onde não haverá ninho.

CONCLUSÃO

Os distúrbios de comportamento não são raros numa criação. Isto vem do fato de que se está longe das condições naturais bem como em matéria de ambiente, quer de material ou de alimentação. Cuidados de atenção e a experiência permitem evitá-los ou tratá-los. A maior parte dessas perturbações não são hereditárias e não duram de ano a ano. O criador deve ter interesse em possuir muitas fêmeas e vários machos de reserva; mudam o macho ou a fêmea sendo este o meio mais eficaz para pôr fim a uma distúrbio de comportamento que torna um casal improdutivo.

Autor: Ivo Leite

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Coccidiose - Maior problema sanitário da avicultura de gaiola

    A coccidiose, direta ou indiretamente, é responsável por mais da metade dos problemas de saúde das aves de gaiola. Causada por protozoários, parasitas do epitélio intestinal. Os gêneros de interesse para a avicultura são Eimeria e Isospora sendo que o segundo tem nos pássaros seu hospedeiro. Daí poder-mos nos referir à doença no como Isosporose. Esses coccidas são muito bem sucedidos, por terem desenvolvido um ciclo reprodutivo assexuado, no interior das células e sexuado fora delas, produzindo oocitos extremamente resistentes, que são eliminados com as fezes e completam seu desenvolvimento, com a esporulação, fora do hospedeiro.

    Os oocitos possuem uma camada externa impenetrável para os desinfetantes empregados nos criatórios (imune a Iodo, Ácido Cresílico, Hipoclorito de Sódio, Formalina, Sulfato de Cobre, Ácido Sulfúrico, Diclorado de Potássio, Formaldeído e muitos outros, nas concentrações comercias). Quando ingeridos pelo hospedeiro, o aparelho digestivo se encarrega de corroer a membrana dos oócitos liberando os esporozóitos que penetram nas células do intestino, dando inicio a reprodução assexuada e multiplicando-se até romper-lhe a membrana, migrando para outras células. Assim por algumas gerações, até se tornarem seres sexuados, que, fora do ambiente intracelular, produzirão novos oócitos imaturos, que serão eliminados com as fezes.


 
Corte de intestino corado em roxo H. E. e aumentado 400 vezes mostra os aglomerados de bactérias oportunistas em infecções secundárias.

Os meios de contaminação são sempre mecânicos. Os oócitos são transportados no manuseio do material, levados para outros locais ligados ao vestuário das pessoas, principalmente calçados.
    Também podem ser levados pelo vento, em partículas secas de dejetos contaminados. Podem permanecer ativos em um ambiente por muitos meses em condições ideais de temperatura e umidade.
    Quase todos os pássaros são infestados por coccidas. As defesas do organismo mantêm o controle da infestação em um nível aceitável. É praticamente impossível erradicar as coccidas de um criatório.
    E também seria indesejável exterminar totalmente as isosporas do plantel. Sem contato com as isosporas, as defesas do organismo dos nossos pássaros não seriam estimuladas, e uma ingestão de oócitos, por um organismo despreparado, poderia ser fatal.

    Embora não seja transplacentária, isto é, não é transmitida da mãe para o filhote, através do ovo, o filhote é contaminado por oócitos presentes no ninho, eliminados pela fêmea, nos primeiros dias de vida. Os próprios ovos já apresentam oócitos na parte exterior das suas casas. Daí, ser essa uma fase crítica da criação. Nos primeiros dias de vida, o filhote é contaminado. Sem defesas orgânicas preparadas para enfrentar as coccidas pode facilmente perecer.

    Não há um único medicamento que mate todos os coccidas e permita que o pássaro continue vivo.
    A vacinação seria ótima solução. As vacinas, no entanto, são de alto custo de produção, e, como os coccidas (mais de 600 espécies) são hospedeiro-específicos, a produção de vacinas deve ser própria para cada espécie de hospedeiro. Usar em pássaros, vacina contra coccidiose aviária fabricada para emprego em frangos de corte é um procedimento inócuo.
    Nos resta manter a infestação dos nossos pássaros sob controle. A quantidade de 1 ou 2 oócitos por gramo de fezes é considerada adequada. Um pássaro nessa condição de infestação se mantém saudável, em absoluto equilíbrio sanitário. A coccidiose está presente, no entanto, assintomática.
    Essa é a realidade de quase todos os pássaros de gaiola.

    Qualquer fator que comprometa as defesas orgânicas de um pássaro poderá leva-lo à manifestação de um quadro agudo de isosporose. Daí a grande possibilidade de avaliação incorreta do problema de saúde que acomete o pássaro. Um pássaro que foi submetido a uma corrente de ar frio poderá terminar por apresentar um quadro de isospose. O criador inexperiente dificilmente associaria uma coisa à outra, pensando apenas em um possível problema no aparelho repiratório. A presença do veterinário e o exame de fezes são fundamentais nessa hora.
    As paredes do intestino, danificadas por um quadro agudo de coccidiose, formam ambiente adequado ao desenvolvimento de outras bactérias, causando infecções secundárias que poderão exigir atibioticoterapia específica.

    Em pássaros adultos é mais comum a ocorrência de casos de isosporose na época da muda de penas, quando os pássaros estão mais debilitados. Passaros estressados por viagens e participações em torneios estão mais suscetíveis de apresentar a doença.
    A falta de higiene com poleiros e comedouros, e de grade impedindo que o pássaros tenham contato com as próprias fezes, permitem que ele ingira oócitos que foram produzidos em seu próprio intestino. Para cada oócito ingerido, milhares de células serão comprometidas e a multiplicação das coccidas aumentará em progressão geométrica.

A Prevenção


    A prevensão de casos de coccidiose no plantel é reforça pela higiene adequada.

    Uma dieta equilibrada, suplementada de forma adequada por vitaminas, minerais e aminoácidos essenciais, e, enriquecida com simbióticos (exclusão competitiva dos organismos potencialmente patológicos na microbiota intestestinal) se constitui em poderosa arma para prevenção da coccidiose.

    O emprego sistemático de medicamentos coccidiostáticos, principalmente em doses sub-clinicas, copiado da avicultura de produção, nos leva a correr o risco de tornarmos os coccidas resistentes aos princípios ativos empregados, exigindo super-dosagens e novos medicamentos para o seu controle.

    Muitos criadores manejam seus planteis com tratamentos preventivos ministrados em determinadas épocas do ano, principalmente início da muda e início da temporada de reprodução.

    Tantos outros ministram coccidiostáticos, do penúltimo dia de choco (para que a fêmea elimine menos oócitos no início da vida do filhote) até o 10° dia de vida dos filhotes.

    Alguns passarinheiros, afeitos aos torneios, ministram cocciodiostáticos, de forma preventiva, desde um dia antes da viajem até dois dias após retorno do pássaro ao criatório.

Diagnóstico

    O diagnóstico preciso é obtido pelo exame das fezes do pássaro. Preferencialmente, as fezes devem ser colhidas em diferentes horários e dias. Os oócitos não são eliminados, necessariamente a cada vez que o pássaro defeca. Um pássaro poderá estar com um nível de infestação significativo e não ter oócitos identificados em determinada amostra de material colhido.

    O pássaro acometido de coccidiose ou isosporose, apresenta-se indisposto, embolado. Permanece mais tempo que normal junto ao comedouro e ao bebedouro. Isso por estar com a absorção de nutrientes comprometida pelo dano causado pelos coccidas às células do intestino. É comum que o desconforto, causado pela dor, leve o pássaro a jogar muitas sementes para fora do comedouro, a descascar quebrar e derrubar sementes no comedouro. Em estágios mais avançados poderá ocorrer a conhecida diarréia branca. Que não é uma diarréia. Com a falta de nutrientes absorvidos da alimentação, o organismo ataca as reservas existentes nos tecidos adiposo e muscular, liberando uratos nas fezes, tornando-as esbranquiçadas. Daí a perda de massa muscular que destacará o osso do peito em forma de facão, conhecida vulgarmente por peito seco.
    Devemos ficar atentos para outros problemas que levam às fezes demasiadamente brancas. Deficiência no equilíbrio da dieta, problemas com o bico, língua, e muitos outros. Ao identificarmos fezes brancas devemos observar para diferenciar se o pássaro está comendo muito e não está aproveitando os nutrientes, se não está comendo ou se esta consumindo uma dieta desequilibrada.
    Poderá haver diarréia, normalmente com presença de sangue. Nesses casos o pássaro se desidrata rapidamente e morre.
    O ventre poderá se apresentar com volume aumentado, como em pássaros acometidos de obesidade.

    Um pássaro forte, com as defesas orgânicas em boas condições, poderá apresentar apenas uma significativa queda de desempenho, ficar embolado por alguns momentos e animar-se com a aproximação do tratador, voltando a se movimentar normalmente. Essa situação poderá perdurar por muito tempo até que ele entre na fase crítica da doença.

    É preciso estar-mos atentos para o fato de que outra doença poderá acometer o pássaro, comprometer suas defesas e reservas e facilitar o desenvolvimento das coccidas. Também um quadro de coccidiose poderá danificar muitas células do intestino, criando um ambiente favorável ao desenvolvimento de outras bactérias, causadoras de infecções secundárias. Ainda há outras doenças apresentam sintomas semelhantes. Tudo isso dificulta o diagnóstico sem o resultado de exames dos dejetos.
    Exames de rotina no plantel e os tratamentos preventivos que se fizerem necessários contribuirão muito com a condição sua condição sanitária.

Tratamento

    Não existe remédio milagroso. As coccidas estão se tornando cada vez mais resistentes aos produtos de uso mais comum.
    Os medicamentos podem ser coccidicídas, quando se destinam a matar as coccidas, ou coccidiostáticos, quando interferem no seu ciclo reprodutivo, reduzindo a produção de oócitos.
    Nenhum deles acabará com todos as coccidas. Os coccidicidas costumam ser mais agressivos ao organismo do pássaro tratado.
    O tratamento a base de sulfas, que atuam na fase da reprodução sexuada das coccidas, conforme a dosagem e a duração, poderá causar azoospermia, com a esterilização temporária ou permanente dos galadores. A sulfametazina apresenta a vantagem de ser indicada, também contra a mycoplasmose e a salmonelose, ampliando o espectro na indicação do tratamento.
    A tetraciclina já foi muito usada, mas pela continuidade do seu emprego teve sua eficiência comprometida pela progressiva resistência das coccidas e de outras bactérias, exigindo dosagens cada vez mais fortes.


    O NF-180 pó, foi empregado com sucesso por muito tempo, mas está com sua comercialização proibida no Brasil.

    O Amprolbase, produzido pela Farmabase, mostra-se eficiente como preventivo, não apresentando bom resultado na medicação de pássaros com quadro agudo de coccidiose.

    O Clopindol ou Clopidol, como é conhecido no Brasil o Metilclorpindolo, presente no Coccinon da Angercal e no Coccidex da Vitasol, tem-se mostrado o mais adequado para o tratamento da coccidiose dos pássaros de gaiola.

    Juntamente com o cocciostático deve ser ministrado um complexo vitamínico com vitamina A, que irá ajudar na reparação do intestino atingido, com vitamina K para minimizar possíveis hemorragias, com vitamina C que apresenta propriedades anti-infecciosas e apóia o restabelecimento das defesas orgânicas e vitaminas do grupo B, especialmente as vitaminas B2 e B12, que revigoram o organismo debilitado. No caso de tratamento com sulfas, vitaminas do grupo B devem ser evitadas por antagonizarem a ação das mesmas. Em casos agudos da doença um soro re-hidratante acrescido de energético (açúcar de uva ou dextrosol) é fundamental para devolver ao pássaro as condições mínimas necessárias para volte a se alimentar.

    Alguns criadores afirmam usar com sucesso o Clavulim 250, de uso humano, mas é uma iniciativa empírica, desamparada de estudo científico comprobatório.

    É prática usual da maioria dos criadores empregar um cocciodiostático sempre que um pássaro da sinais de não estar bem de saúde. Não é um procedimento desprovido de fundamento, pois para a maioria dos criadores é difícil dispor de acesso aos necessários exames de fezes, diagnóstico e prescrição veterinária em tempo hábil para a recuperação do pássaro.

    Considerando que a presença de coccidas no organismo do pássaro é, no mínimo, muito provável, minimizar o nível da infestação no pássaro doente, mesmo que a causa da doença seja outra, é extremamente desejável.

    Um pássaro que arrepiou a plumagem (embolou) e demonstrou apatia deve receber um cocciostático imediatamente. Se o seu problema de saúde estiver restrito à coccidiose é de se esperar que, no máximo no terceiro dia de tratamento, apresente significativa melhora. Mesmo em caso de aparente recuperação o tratamento não deve ser inferior a 10 dias.

    Costumamos empregar como medicação emergencial a associação de coccidex (uma cápsula em 50 mL de água) com 10 gotas de R-Trill. Temos tido grande sucesso com esse tratamento.

    Caso não reaja positivamente com esse tratamento, em até 3 dias, o tratamento deve ser modificado.

    Essas recomendações prestam-se apenas aos casos emergenciais, em que não é possível recorrer ao veterinário ou efetuar exame de fezes.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Perguntas e respostas sobre doenças de pássaros de goiola



1. Podemos tratar preventivamente a coccidiose?

O melhor elemento na prevenção da coccidiose é a higiene. Há vários programas de prevenção pelo uso contínuo de produtos homeopáticos. As empresas Arenales Fauna e Flora (http://www.arenales.com.br/) e Vida Animal (http://www.vidaanimal.far.br/) oferecem opções nessa linha de tratamento.

Um protocolo muito adotado pelos criadores de silvestres é o emprego preventivo de produtos à base de metilclorpindolo, como o Coccidex da Aarão ou o Coccinon da Angercal consorciados com emprego de simbióticos na alimentação.
Um protocolo bastante eficiente consiste no emprego de 2 cápsulas de Coccidex por litro de água, durante 10 dias seguidos, em quatro tratamentos anuais, consorciado com o emprego de Organew da Vetnil, na farinhada.
O metilclorpindolo, presente no Coccidex, é um coccidiostático, interferindo na reprodução dos coccídeos, reduzindo o nível de infestação e permitindo o desenvolvimento da imunidade ativa pelo organismo do pássaro. O uso continuo de simbióticos irá mobiliar a microbióta intestinal com organismos vivos não nocivos, reduzindo a possibilidade de instalação de agentes patógenos.
Uma observação importante é que, no caso de um quadro agudo de coccidiose, o metilclorpindolo não deverá ser mais a primeira escolha de tratamento, pela possibilidade de desenvolvimento de resistência.


2. Minha fêmea bota 3 ovos mas sempre o terceiro com a casca mole. Como posso corrigir isso?

Muitas podem ser as causas da má formação da cascas dos ovos. Nesse caso específico, parece faltar cálcio para a formação da casca. O correto balanceamento da dieta, com o fornecimento cálcio, fósforo e vitamina D em níveis adequados é fundamental para a correta formação dos ovos.
Como medida paliativa emergencial pode ser adicionada uma pitada de bicarbonato de cálcio na água de bebida, a partir da primeira gala até a postura do último ovo. Esse procedimento elevará a concentração plasmática de cálcio, facilitando a sua deposição na formação da casca.

3. Meus filhotes estão morrendo antes de sairem do ninho. Notei pequenas manchas amareladas no abdomem. Qual é o problema?

As manchas amareladas parecem evidenciar restos de gema não absorvidos no desenvolvimento do embrião. É provável a mycoplasmose nos reprodutores. O diagnóstico somente pode ser comprovado por exame necrológico e cultura de material em laboratório. Emergencialmente, pode ser ministrado Nalit Baby, da Angercal, 1g em 50 mL da água de bebida durante os oito primeiros dias de vida dos filhotes.
Comprovado o diagnóstico, provavelmente a indicação será tratar o plantel com Linco-Spectin, da Pfizer, 3 mL por litro de água, durante 6 dias.
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4. Meu pássaro prendeu a anilha no porta-frutas e está com a canela e o pé feridos. Como tratar?

Costumamos empregar nos casos mais graves, o Cort-Trat, da SM, destinado aos caninos e felinos, cujo princípio ativo é a Dexametazona, usando ¼ de comprimido em 50 mL de água, por, no máximo, 3 dias seguidos.
Para uso tópico, nossa primeira opção é a pomada de uso humano, Queimalive, da Cifarma.
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5. Tenho uma fêmea de azulão que está perdendo as penas na nuca e nas costas. A falha está aumentando e eu já pinguei ivomec e não melhorou. O que posso fazer?

O melhor é procurar um veterinário para colher material do local e examinar em laboratório. Se não houver essa disponibilidade, a nossa primeira escolha seria o Frontline, Spray, da Merial, destinado ao combate de pulgas em cães. O produto tem como principio ativo o Fipronil, bastante seguro para pulverização em pássaros. Tendo o cuidado de não borrifar sobre comedouros e utensílios.

Se não houver melhora, poderá ser ministrado Cetoconazol solução oral, também destinada aos cães. Uma gota em 50 mL de água durante 30 dias.

6. A Ivermectina é o vermifugo mais indicado para os pássaros?

O melhor vermífugo é sempre o específico para a infestação, indicado pela analise laboratorial de fezes colhidas.
A Ivermectina é um potente anti-parasitário, com ação eficaz sobre Nematóides (vermes redondos) e artrópodes (ácaros, piolhos e outros insetos), muito empregada na avicultura de gaiola.
Nos casos de quarentena de pássaros chegados ao criatório, sempre iniciamos o tratamento pelo emprego da Ivermectina (G-Tróx da Aarão) em dois tratamento intervalados por 8 dias. Ministramos após uma semana o Mebendazole, efetivo contra os Cestóides (vermes chatos), também em dois tratamentos intervalados por 10 dias.
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7. Tenho perdido muitos filhotes de curió e um amigo mais experiente observou que estão com a doença da pinta preta no lado direito do abdomem. O que devo fazer?

A mancha escura que você observou na lateral direita do abdome dos filhotes é, provavelmente, a vesícula biliar aumentada, e (ou) o próventrículo aumentado por acumulo de alimentos não digeridos, podendo refletir Salmonelose ou (e) Colibacilose.
Emergencialmente, você poderá ministrar para as ninhadas, Clavulin (250mg), medicamento de uso humano que associa AMOXICILINA+CLAVULANATO. A solução oral é fornecida em pó, para ser hidratada pelo usuário. Não a hidrate. Ministre uma pitada do pó, com volume semelhante ao de um grão de arroz com casca, em 50 mL de água, por 8 dias.
Procure um veterinário para a avaliação das matrizes. Essa ocorrência é comum em planteis imunossuprimidos, normalmente com aves portadoras crônicas de Mycoplasmose.

8. Minha fêmea de bicudos está ficando com as penas do peito molhadas e desarrumadas. Os filhotes estão com 5 dias. Acho que é a doença do suor das fêmeas. Como posso tratar?

As fêmeas de bicudo, como outros pássaros, não suam. Os filhotes têm diarréia e suas fezes umedecem a plumagem do peito das fêmeas.
Os filhotes quando nascem não apresentam flora intestinal. A colonização intestinal é lenta e gradual pela flora benéfica. Evidentemente que bactérias patogênicas, quando conseguem localizar-se no tubo digestivo destes filhotes, encontram terreno propício à proliferação causando diarreias.
O uso de probióticos nas farinhadas auxilia na prevenção das diarréias de ninho. Devido a grande resistência bacteriana aos principais medicamentos empregados na avicultura de gaiola, a coleta de matéria para exame laboratorial e antibiograma é importantíssima.
Na impossibilidade, a associação de 5 gotas de Neocolin, da Vansil, com 8 gotas de R-Trill, da Aarão, em 50 mL, por 8 dias, têm apresentado excelente resultado.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Ácaro da traquéia - O Fantasma dos Criadores de Canários

Nomes estranhos como Sternostoma tracheacolum, mais comum, Cytodites nodus ou Psittanyssua e mais uns 30 nomes esquisitos como estes, não assustam tanto o criador de canários quanto ouvir o simples apelido "ácaro de traquéia". Estes são alguns dos tipos desse verdadeiro fantasma para os canaricultores do Brasil e do mundo.

O ácaro de traquéia encontra-se no meio ambiente, alimentando-se de detritos e poeira. Instala-se oportunamente nas vias respiratórias das aves, podendo atacar a traquéia, sacos aéreos, pulmões e até mesmo ossos pneumáticos. Esses ácaros provocam lesões inflamatórias no trato respiratório, provocando irritação e perda da "voz", e em casos extremos pode ocorrer morte por asfixia devido a alta infestação.

O tratamento de eleição para controlar esses ácaros é o uso da ivermectina, administrada de 15 em 15 dias até sanar o problema. Tomar cuidado com a época de aplicação e período de recesso na reprodução, para sucesso no tratamento.

Esses períodos devem ser analisados e determinados pelo veterinário responsável pelo plantel, de acordo com a espécie, condições nutricionais e fisiológicas da ave.

Ao se necropsiar uma ave parasitada por ácaros, encontra-se um quadro de intensa irritação do trato respiratório (pontinhos pretos) desde a traquéia até os pulmões. Essa irritação provoca dificuldade respiratória, queda no sistema imunológico e uma conseqüente instalação de patologias, secundárias (Mycoplasma, bactérias, vírus, fungos) que geralmente são a causa das mortes nas aves. Muitas vezes, mesmo matando o ácaro, as cicatrizes das lesões não permitem uma total recuperação da "voz", e em outros casos não se observam seqüelas.

Levando-se em conta a grande extensão do sistema respiratório das aves, a cronificação dessas infecções secundárias pode tornar-se um problema de difícil solução por atingir os sacos aéreos que estão distribuídos por todo corpo. É fundamental que o veterinário diagnostique e trate essas infecções para evitar a morte do animal.

Esse é o maior erro de todos os criadores, achar que o ácaro é um problema isolado enquanto ele apenas abre portas para infecções mais sérias. A ivermectina apenas mata o ácaro, enquanto a infecção secundária deve receber a terapia específica.

Qualquer terapia não deixa de ser mais um estresse para o animal, de onde devemos concluir que a prevenção continua sendo a melhor via de sucesso na criação. Isto não significa o uso de medicamentos para a prevenção que é praticamente um crime, e sim, cuidados de manejo como alimentação balanceada e contínua (sem mudanças bruscas), ausência de correntes de vento, evitar levantar poeira no criadouro (varrições) e outras formas de estresse conhecidas pelo criador.

Com uma prevenção cuidadosa e a detecção imediata das mais discretas alterações, o fantasma torna-se o que na verdade sempre foi : Nada.

Rodrigo Silva Miguel
médico veterinário (CRMV SP 10.552)
Criador de Aves Ornamentais

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ácaros, piolhos e o uso da Ivermectina

[...]
Os ectoparasitas, nas aves, se subdividem em dois grandes grupos de importância: piolhos e sarnas. E os carrapatos?! Também pertence aos ácaros, mas para nós aqui hoje em pássaros não possui muita importância. Esses piolhos e ácaros são subdivididos em chupadores (sangue) ou mastigadores (pena).

Sabendo-se disso vamos entender como funciona a ivermectina. Esta deve ser absorvida pelo organismo seja de forma tópica, oral ou outra via e ser metabolizada no fígado tornando-se ativa. Ela age efetivamente causando uma "paralisia muscular" do parasita e este acaba morrendo de inanição na maioria das vezes. Então já cai a primeira lenda: não adianta usar ivermectina direto em cima do parasita em questão, pois tem que ser metabolizado no fígado da ave.

A segunda lenda é que, como a maioria dos ectoparasitas nas aves são mastigadores, o produto não fará efeito pois a ave esta comendo penas e o não terá contato com o produto. Então meus amigos usar ivermectina e ainda mais de forma indiscriminada para ectoparasitas há grandes chances de errar. E por outro lado vermifugar a ave com o produto vocês já viram na edição passada que é desperdício de tempo e dinheiro.

Vejo milhares de pessoas usando 1 gotinha de ivermectina na coxa ou no bico ou o que é pior, veterinários repetindo e propagando o erro em suas consultas dizendo que estão vermifugando a ave ou que é profilaxia para piolhos... e o pior que as pessoas acreditam e chega ao ponto da pessoa falar que você não vermifugou a ave dela na consulta... putz aí é o fim da picada aí essa pessoa merece ganhar a coletânea da Revista Pássaros para ler e fazer uma lavagem cerebral de conhecimento.

Hoje existem produtos veterinários a base de ivermectina que possui as suas indicações, mas vejo tanta pessoa usar errado aí depois reclama que intoxicou ou que o produto é ruim. O problema está quando e onde usar. Essa é a grande questão. O exemplo clássico é sempre assim: minha ave está se coçando e já usei 1 gotinha na coxa e já usei o produto veterinário e ela continua se coçando e arrancando penas.
A resposta é simples: usar gotinha na coxa não é dosagem e nem terapêutica, isso é curandeirismo e não medicina veterinária preventiva. Segunda: mesmo que tenha usado o medicamento veterinário indicado para aves, registrado tudo certinho, com certeza fez subdosagem. O produto é claro, é 1 gota para 5g de peso da ave. A pessoa quer fazer 3 gotas num Trinca Ferro... aí fica difícil. No mínimo ele vai pesar 70g, o que daria 14 gotas do produto em contato direto com a pele. Outro erro: muita gente não afasta as penas para administrar o produto corretamente. O produto é bom, mas não sabem usar. E por fim, se você fez tudo certo ficará triste agora: a ivermectina não possui ação sobre ectoparasitas malófagos (mastigadores)... ahhh... que triste... eu sei é um choque para todas as pessoas.

Ahh... antes que me esqueça, usar spray mata barata para acabar com piolhos também é pajelança e das brabas mesmo. Eu não sei o que leva uma pessoa a usar um produto que mata barata na sua ave de estimação! Podia usar na cabeça do filho também né!? Depois dessa proponho ate uma pausa para retomar o ar...

Aí sua ave continua se coçando; daí já evolui para automutilação e piora tudo. Outro exemplo é a ave que coça o olho no poleiro. Com quase toda certeza está com sarna. "... Mas o Dr. lá falou que era conjuntivite no meu curió". Pode até ser, mas a causa primária foi pela sarna. Os sinais são claros: irritabilidade, coceira, emagrecimento, etc.

Quando falo muitas vezes para a pessoa que a ave possui piolho ou ácaro ela tira o poleiro e bate no papel branco. Todos já fizeram isso. Todos querem ver o danadinho! Mas neste caso de bater o poleiro só vera piolhos vermelhos que chupam sangue das aves. Nesse sim, a ivermectina fará efeito, assim como nos ácaros que parasitam as vias aéreas principalmente de canários. Mas nem tudo é isso e muitas vezes devem ter uma Micoplasmose associada e cura não é total. Não é tão difícil de uma ave possuir piolhos vermelhos, mas é mais comum quando tem ninho e podem levar a morte rapidamente os filhotinhos.

Então Dr. Felipe, qual o melhor produto ou o mais indicado para esses piolhos ou ácaros que mastigam penas. Logicamente tem que ser um produto por contato. Que mate o ectoparasita quando entra em contato diretamente. Temos hoje produtos em pó ou líquidos. Eu particularmente não uso os produtos em pó pelo risco da ave esfregar o olho nas penas e ingestão do produto. Além do mais você fazer na clinica é uma coisa. A pessoa fazer em casa é totalmente diferente. A pessoa não consegue manusear a calopsita tão bem quanto você e ainda mais colocar produto em pó?! Com certeza vai uma pitada no olho.

Eu prefiro os produtos líquidos, pois além de penetrar facilmente as penas e encharcar rapidamente a ave pode pegar nas mucosas que nada irá acontecer com a ave. Irritabilidade são raras pelo produto. O detalhe é fazer isso em dias quentes e secar a sombra ou ao sol dependendo do produto. Hoje existem produtos naturais muito bons, porém estes devem ser feitos por mais tempo e em intervalos menores de administração. E jamais esquecer que dependendo da espécie mais de 90% dos ectoparasitas está nas instalações do criadouro e gaiola, outro erro crucial.

Toda ave é susceptível a piolhos e ácaros. A melhor maneira de evitar é profilaxia e controle. As mesmas coisas que comentamos sempre: quarentena de aves novas; exames rotineiros e ter um acompanhamento de um profissional especializado.

Dr Felipe Bath, veterinário especializado em pássaros

Meus comentários e conclusões:

  1. Uso da ivermectina não é eficiente para todos os ectoparasitas, mas somente para os chupadores. Então para tratamento de piolhos ou ácaros que mastigam penas, é recomensado usar outro produto, como Kill Red
  2. O uso mais recomendado da ivermectina é para ácaros na traquéia e piolhos vemelho chupadores de sangue.
  3. O meio de aplicação correta é por contato com a pele, baseado na posologia indicada na bula.
  4. A forma mais indicada para administrar ivermectina nos pássaros é através do Allax, cuja posologia é 1 gota a cada 5 gramas de peso vivo, aplicado na parte de trás do pescoço, por baixo das penas (na pele).
  5. Portanto não é recomensado usar Ivomec pra gado ou ovinos, pelo risco da superdosagem.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Porque meus filhotes estão morrendo no ovo?


Todos os anos durante o período de reprodução sou procurado por criadores de diversas espécies de pássaros sempre com os mesmos problemas. Entre eles a baixa fertilidade dos reprodutores, morte de filhotes nos primeiros dias de vida e a baixa eclodibilidade dos filhotes (lembrando que é o filhote que eclode o ovo e não o ovo que eclode). Costumo dizer que daria pra escrever um livro sobre cada um destes temas, porem o tema que abordarei resumidamente neste artigo é “a morte embrionária” ou seja, aqueles casos em que o ovo esta “cheio”, porem o embrião não nasce. Existem muitas possíveis causas que justificam a morte embrionária e para melhor entendimento dividirei-as em 7 principais grupos de causas:

Causas genéticas
Geralmente estão relacionadas a gene letal, ou seja, alterações nos cromossomos que induzem a mau formações levando o embrião a morte.

Causas nutricionais
Estão relacionadas às deficiências de nutrientes importantes no desenvolvimento embrionário, como vitamina A, vitaminas do complexo B, vitamina D, acido fólico. Carência de cálcio, e também os excessos de nutrientes podem ser extremamente prejudiciais, como é o caso do selênio que em altas concentrações reduz a eclodibilidade alem de ser teratogênico.

Causas tóxicas
O uso de diversos produtos como desinfetantes e mesmo inseticidas para controle de piolhos podem ser tóxicos quando entram em contato com a casca dos ovos causando a morte dos embriões. Sempre quando desinfetamos ninhos e forros devemos estar atentos aos produtos utilizados, os ovos apresentam poros na casca que permite a passagem de agentes químicos para o interior dos mesmos. Portanto é desaconselhável a pratica de lavar ou aplicar produtos nos ovos de pássaros antes do choco, exceto em situações especiais com recomendação do médico Veterinário.

Causas relacionadas ao manejo
Muitas vezes temos o habito de tirar os ovos e colocá-los em recipientes com alpiste ou painço, pra voltá-los ao choco assim que a fêmea coloque o ultimo ovo, essa pratica visa o nascimento simultâneo da prole. No entanto a maneira que isto é feito pode prejudicar os embriões, por exemplo, mãos sujas ao manipular os ovos podem contaminá-los, vibrações excessivas, estocagem por tempo excessivo, alem do que, as sementes de alpiste ou painço são ricas em fungos e bactérias que podem também contaminar os ovos.

Causas ambientais
A temperatura e a umidade inadequadas dentro do criatório incorrem em distúrbios da eclodibilidade. Tanto as altas temperaturas quanto muito baixas podem alterar o tempo de choco ou mesmo desidratar os ovos causando a morte do embrião o mesmo acontece com a umidade. Esses fatores são de extrema importância aos criadores que recorrem a chocadeiras artificiais.

Causas comportamentais do casal reprodutor
Fator muito importante que quase não é considerado, freqüentemente pássaros inexperientes tem problemas durante o choco. Por exemplo, fêmeas que saem muito do ninho ou mesmo fêmeas que saem de menos do ninho. Também machos agressivos ou excessivamente “fogosos” que atacam as femeas durante o choco e muitas vezes provocam pequenas lesões na casca dos ovos que facilitam a contaminação ou ate a desidratação dos mesmos.

Causas infecciosas
Talvez seja o grupo mais importante, por essa razão o deixei por último. Nesse grupo podemos incluir as infecções fungicas geralmente relacionadas ao Aspergillus spp., as infecções virais causadas por paramyxovirus e Poliomavirus e finalmente as mais freqüentes causas, as bacterianas causadas por diversos gêneros como Salmonella spp., Escherichia coli, Micoplasma, Staphiloccocus, Strepyoccocus, Clamidophila psittaci e outros menos freqüentes. O diagnostico muitas vezes é difícil e deve se recorrer ao auxilio técnico de um profissional especializado, pois muitas vezes há a necessidade de exames de cultura e antiobiograma para identificar qual agente infeccioso é o causador de tal problema e qual a terapia mais adequada para sanar o problema. No mais cabe ao criador estar atento às dicas de manejo, cuidados profiláticos e ao manejo nutricional para prevenir que o plantel apresente taxas reduzidas de eclodibilidade, gerando prejuízos genéticos e econômicos. No que se refere as causas infecciosas é indispensável estar ciente de que não se deve utilizar antibióticos aleatoriamente visando a prevenção da morte embrionária, pois normalmente o prejuízo é bem maior, com o surgimento de bactérias selecionadas e super poderosas, e mesmo redução da fertilidade dos reprodutores ou até esterilidade, sem contar que antibióticos também tem efeitos tóxicos que podem induzir a teratogenia e morte do embrião. Portanto em casos de processos infecciosos o melhor é contar com ajuda profissional, procure sempre um veterinário especializado em pássaros para a realização dos exames adequados e tratamento correto.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Quistos ou Bolas de Pena

Um quisto de penas num pássaro é o mesmo que um pelo encravado num humano. O quisto é maior uma vez que as penas também são maiores que os pelos. Se a isto pensarmos que os pássaros são muito mais pequenos que nós e têm um inchaço maior que o nosso podemos imaginar as complicações que isso acarreta. Os quistos aparecerem devido à mal formação da pena por baixo da pele. O quisto tem a forma oval e englobam uma pena ou um conjunto de penas. Apesar de poderem surgir em qualquer parte do corpo, eles surgem principalmente na zona da rabadilha (raiz da cauda).

Um quisto de penas ocorre quando as penas que estão a crescer não conseguem penetrar pela pele e vão ficando enroladas por debaixo da pele. À medida que a(s) pena(s) cresce(m) o inchaço aumenta com um material pastoso feito de creatina.

Apesar de as penas encravadas poderem aparecer em qualquer raça, nos canários ocorre com mais frequência nos Glosters, Norwhich, Borders. As penas que fazem com que estas raças pareçam mais fofos, mais macios e rechonchudos são onde surgem mais quistos. Por outro lado há raças onde os quistos aparecem menos, como por exemplo o Mosaico. Há uma predisposição genética para o seu desenvolvimento devido ao facto de muitos criadores fazerem cruzamento com irmãos (consanguinidade) para apurar certas características dos pássaros, o que não é aconselhável por vários motivos entre os quais pode vir a causar deformações internas nos filhotes como por exemplo o aparecimento dos quistos.

Outras das possíveis causas são: má nutrição; infecções, principalmente devido a ácaros que comem a raiz das penas; lesões ou traumas na zona onde o quisto se desenvolveu. Há criadores que não negam a predisposição genética que certos pássaros têm, mas afirmam que a alimentação pode fazer com que esse problema fique visível nesses pássaros. Criadores que tiveram os pássaros durante um ano ou dois e que depois os venderam foram informados que apareceram quistos nos pássaros, o que leva a pensar que uma má dieta fez surgir os quistos.
Por outro lado criadores que ficaram com pássaros que apresentavam quisto só porque o antigo criador os ia por em liberdade (e consequente morte) relatam que passados vários meses os pássaros estavam completamente diferentes e que nunca mais tiveram quistos, tendo vivido vários anos inclusive. É conveniente referir que um pássaro que tenha alguma vez tido um quisto nunca vai viver tanto tempo como um canário "normal" (10 anos).

Dependendo da localização, estes papos de penas podem ser bastante dolorosos para os pássaros. Se aparecerem numa zona onde causam pressão sobre um nervo ou sobre um órgão, os quistos podem causar modificações da estrutura interna e em casos extremos a morte.

Prevenção: No prevenir é que está o ganho. Para se evitar ao máximo as penas encravadas é recomendável dar aos canários uma alimentação muito variadas porque a maior parte dos alimentos não é completa. Verduras como a alface, nabo (cozido e misturado com a papa), brócolos devem ser dadas não mais do que duas vezes por semana. Além das folhas deve-se dar também o talo. Vitamina B, sais minerais (especialmente o zinco), ácido fólico, e a Biotina também são elementos recomendáveis para se evitar os quistos de penas.

Tratamento: O tratamento consiste na remoção da "bola", do inchaço que contém as penas. Pode ser feito de duas maneiras: colocar um elástico à volta do quisto para que seja difícil ou mesmo impossível o organismo do canário "alimentar" o quisto. O outro método é para mim mais eficaz mas também mais perigoso pois consiste numa pequena cirurgia que vai cortar o mal pela raiz (literalmente). Nunca fiz porque não tenho coragem nem a experiência necessária, por isso recorri a um criador que tinha alguma experiência na remoção dos quistos. Para se remover o quisto este tem de estar "maduro" ou seja seco ou quase seco quer seja pelo elástico e/ou pela aplicação de tintura de iodo. Depois de estar seco faz-se uma incisão no quisto. Não vou explicar para não caírem na tentação de removerem o quisto com as vossas próprias mãos. Mesmo ao fazer uma incisão e remover toda a creatina (papa formada pelas penas encravadas) pode voltar a aparecer uma vez que o organismo fica com uma espécie de memória e fica programado para fazer aparecer um novo quisto. Já vi pássaros a quem foram retirados quisto e têm uma vida normal. Em canários como os Norwich que estão geneticamente predispostos ao aparecimento destes papos, a sua constante remoção não é aconselhável uma vez que a cirurgia vai abrir um buraco no corpo e ao fim de algumas remoções o pássaro não vai aguentar e morre. Nos canários que apareceram os quistos é recomendável não serem utilizados para criação, pois como foi dito anteriormente, os quistos são geneticamente passados aos seus descendentes e mais cedo ou mais tarde esses filhotes vão ter os quistos.

Por IvoLeite