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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Coccidiose - Maior problema sanitário da avicultura de gaiola

    A coccidiose, direta ou indiretamente, é responsável por mais da metade dos problemas de saúde das aves de gaiola. Causada por protozoários, parasitas do epitélio intestinal. Os gêneros de interesse para a avicultura são Eimeria e Isospora sendo que o segundo tem nos pássaros seu hospedeiro. Daí poder-mos nos referir à doença no como Isosporose. Esses coccidas são muito bem sucedidos, por terem desenvolvido um ciclo reprodutivo assexuado, no interior das células e sexuado fora delas, produzindo oocitos extremamente resistentes, que são eliminados com as fezes e completam seu desenvolvimento, com a esporulação, fora do hospedeiro.

    Os oocitos possuem uma camada externa impenetrável para os desinfetantes empregados nos criatórios (imune a Iodo, Ácido Cresílico, Hipoclorito de Sódio, Formalina, Sulfato de Cobre, Ácido Sulfúrico, Diclorado de Potássio, Formaldeído e muitos outros, nas concentrações comercias). Quando ingeridos pelo hospedeiro, o aparelho digestivo se encarrega de corroer a membrana dos oócitos liberando os esporozóitos que penetram nas células do intestino, dando inicio a reprodução assexuada e multiplicando-se até romper-lhe a membrana, migrando para outras células. Assim por algumas gerações, até se tornarem seres sexuados, que, fora do ambiente intracelular, produzirão novos oócitos imaturos, que serão eliminados com as fezes.


 
Corte de intestino corado em roxo H. E. e aumentado 400 vezes mostra os aglomerados de bactérias oportunistas em infecções secundárias.

Os meios de contaminação são sempre mecânicos. Os oócitos são transportados no manuseio do material, levados para outros locais ligados ao vestuário das pessoas, principalmente calçados.
    Também podem ser levados pelo vento, em partículas secas de dejetos contaminados. Podem permanecer ativos em um ambiente por muitos meses em condições ideais de temperatura e umidade.
    Quase todos os pássaros são infestados por coccidas. As defesas do organismo mantêm o controle da infestação em um nível aceitável. É praticamente impossível erradicar as coccidas de um criatório.
    E também seria indesejável exterminar totalmente as isosporas do plantel. Sem contato com as isosporas, as defesas do organismo dos nossos pássaros não seriam estimuladas, e uma ingestão de oócitos, por um organismo despreparado, poderia ser fatal.

    Embora não seja transplacentária, isto é, não é transmitida da mãe para o filhote, através do ovo, o filhote é contaminado por oócitos presentes no ninho, eliminados pela fêmea, nos primeiros dias de vida. Os próprios ovos já apresentam oócitos na parte exterior das suas casas. Daí, ser essa uma fase crítica da criação. Nos primeiros dias de vida, o filhote é contaminado. Sem defesas orgânicas preparadas para enfrentar as coccidas pode facilmente perecer.

    Não há um único medicamento que mate todos os coccidas e permita que o pássaro continue vivo.
    A vacinação seria ótima solução. As vacinas, no entanto, são de alto custo de produção, e, como os coccidas (mais de 600 espécies) são hospedeiro-específicos, a produção de vacinas deve ser própria para cada espécie de hospedeiro. Usar em pássaros, vacina contra coccidiose aviária fabricada para emprego em frangos de corte é um procedimento inócuo.
    Nos resta manter a infestação dos nossos pássaros sob controle. A quantidade de 1 ou 2 oócitos por gramo de fezes é considerada adequada. Um pássaro nessa condição de infestação se mantém saudável, em absoluto equilíbrio sanitário. A coccidiose está presente, no entanto, assintomática.
    Essa é a realidade de quase todos os pássaros de gaiola.

    Qualquer fator que comprometa as defesas orgânicas de um pássaro poderá leva-lo à manifestação de um quadro agudo de isosporose. Daí a grande possibilidade de avaliação incorreta do problema de saúde que acomete o pássaro. Um pássaro que foi submetido a uma corrente de ar frio poderá terminar por apresentar um quadro de isospose. O criador inexperiente dificilmente associaria uma coisa à outra, pensando apenas em um possível problema no aparelho repiratório. A presença do veterinário e o exame de fezes são fundamentais nessa hora.
    As paredes do intestino, danificadas por um quadro agudo de coccidiose, formam ambiente adequado ao desenvolvimento de outras bactérias, causando infecções secundárias que poderão exigir atibioticoterapia específica.

    Em pássaros adultos é mais comum a ocorrência de casos de isosporose na época da muda de penas, quando os pássaros estão mais debilitados. Passaros estressados por viagens e participações em torneios estão mais suscetíveis de apresentar a doença.
    A falta de higiene com poleiros e comedouros, e de grade impedindo que o pássaros tenham contato com as próprias fezes, permitem que ele ingira oócitos que foram produzidos em seu próprio intestino. Para cada oócito ingerido, milhares de células serão comprometidas e a multiplicação das coccidas aumentará em progressão geométrica.

A Prevenção


    A prevensão de casos de coccidiose no plantel é reforça pela higiene adequada.

    Uma dieta equilibrada, suplementada de forma adequada por vitaminas, minerais e aminoácidos essenciais, e, enriquecida com simbióticos (exclusão competitiva dos organismos potencialmente patológicos na microbiota intestestinal) se constitui em poderosa arma para prevenção da coccidiose.

    O emprego sistemático de medicamentos coccidiostáticos, principalmente em doses sub-clinicas, copiado da avicultura de produção, nos leva a correr o risco de tornarmos os coccidas resistentes aos princípios ativos empregados, exigindo super-dosagens e novos medicamentos para o seu controle.

    Muitos criadores manejam seus planteis com tratamentos preventivos ministrados em determinadas épocas do ano, principalmente início da muda e início da temporada de reprodução.

    Tantos outros ministram coccidiostáticos, do penúltimo dia de choco (para que a fêmea elimine menos oócitos no início da vida do filhote) até o 10° dia de vida dos filhotes.

    Alguns passarinheiros, afeitos aos torneios, ministram cocciodiostáticos, de forma preventiva, desde um dia antes da viajem até dois dias após retorno do pássaro ao criatório.

Diagnóstico

    O diagnóstico preciso é obtido pelo exame das fezes do pássaro. Preferencialmente, as fezes devem ser colhidas em diferentes horários e dias. Os oócitos não são eliminados, necessariamente a cada vez que o pássaro defeca. Um pássaro poderá estar com um nível de infestação significativo e não ter oócitos identificados em determinada amostra de material colhido.

    O pássaro acometido de coccidiose ou isosporose, apresenta-se indisposto, embolado. Permanece mais tempo que normal junto ao comedouro e ao bebedouro. Isso por estar com a absorção de nutrientes comprometida pelo dano causado pelos coccidas às células do intestino. É comum que o desconforto, causado pela dor, leve o pássaro a jogar muitas sementes para fora do comedouro, a descascar quebrar e derrubar sementes no comedouro. Em estágios mais avançados poderá ocorrer a conhecida diarréia branca. Que não é uma diarréia. Com a falta de nutrientes absorvidos da alimentação, o organismo ataca as reservas existentes nos tecidos adiposo e muscular, liberando uratos nas fezes, tornando-as esbranquiçadas. Daí a perda de massa muscular que destacará o osso do peito em forma de facão, conhecida vulgarmente por peito seco.
    Devemos ficar atentos para outros problemas que levam às fezes demasiadamente brancas. Deficiência no equilíbrio da dieta, problemas com o bico, língua, e muitos outros. Ao identificarmos fezes brancas devemos observar para diferenciar se o pássaro está comendo muito e não está aproveitando os nutrientes, se não está comendo ou se esta consumindo uma dieta desequilibrada.
    Poderá haver diarréia, normalmente com presença de sangue. Nesses casos o pássaro se desidrata rapidamente e morre.
    O ventre poderá se apresentar com volume aumentado, como em pássaros acometidos de obesidade.

    Um pássaro forte, com as defesas orgânicas em boas condições, poderá apresentar apenas uma significativa queda de desempenho, ficar embolado por alguns momentos e animar-se com a aproximação do tratador, voltando a se movimentar normalmente. Essa situação poderá perdurar por muito tempo até que ele entre na fase crítica da doença.

    É preciso estar-mos atentos para o fato de que outra doença poderá acometer o pássaro, comprometer suas defesas e reservas e facilitar o desenvolvimento das coccidas. Também um quadro de coccidiose poderá danificar muitas células do intestino, criando um ambiente favorável ao desenvolvimento de outras bactérias, causadoras de infecções secundárias. Ainda há outras doenças apresentam sintomas semelhantes. Tudo isso dificulta o diagnóstico sem o resultado de exames dos dejetos.
    Exames de rotina no plantel e os tratamentos preventivos que se fizerem necessários contribuirão muito com a condição sua condição sanitária.

Tratamento

    Não existe remédio milagroso. As coccidas estão se tornando cada vez mais resistentes aos produtos de uso mais comum.
    Os medicamentos podem ser coccidicídas, quando se destinam a matar as coccidas, ou coccidiostáticos, quando interferem no seu ciclo reprodutivo, reduzindo a produção de oócitos.
    Nenhum deles acabará com todos as coccidas. Os coccidicidas costumam ser mais agressivos ao organismo do pássaro tratado.
    O tratamento a base de sulfas, que atuam na fase da reprodução sexuada das coccidas, conforme a dosagem e a duração, poderá causar azoospermia, com a esterilização temporária ou permanente dos galadores. A sulfametazina apresenta a vantagem de ser indicada, também contra a mycoplasmose e a salmonelose, ampliando o espectro na indicação do tratamento.
    A tetraciclina já foi muito usada, mas pela continuidade do seu emprego teve sua eficiência comprometida pela progressiva resistência das coccidas e de outras bactérias, exigindo dosagens cada vez mais fortes.


    O NF-180 pó, foi empregado com sucesso por muito tempo, mas está com sua comercialização proibida no Brasil.

    O Amprolbase, produzido pela Farmabase, mostra-se eficiente como preventivo, não apresentando bom resultado na medicação de pássaros com quadro agudo de coccidiose.

    O Clopindol ou Clopidol, como é conhecido no Brasil o Metilclorpindolo, presente no Coccinon da Angercal e no Coccidex da Vitasol, tem-se mostrado o mais adequado para o tratamento da coccidiose dos pássaros de gaiola.

    Juntamente com o cocciostático deve ser ministrado um complexo vitamínico com vitamina A, que irá ajudar na reparação do intestino atingido, com vitamina K para minimizar possíveis hemorragias, com vitamina C que apresenta propriedades anti-infecciosas e apóia o restabelecimento das defesas orgânicas e vitaminas do grupo B, especialmente as vitaminas B2 e B12, que revigoram o organismo debilitado. No caso de tratamento com sulfas, vitaminas do grupo B devem ser evitadas por antagonizarem a ação das mesmas. Em casos agudos da doença um soro re-hidratante acrescido de energético (açúcar de uva ou dextrosol) é fundamental para devolver ao pássaro as condições mínimas necessárias para volte a se alimentar.

    Alguns criadores afirmam usar com sucesso o Clavulim 250, de uso humano, mas é uma iniciativa empírica, desamparada de estudo científico comprobatório.

    É prática usual da maioria dos criadores empregar um cocciodiostático sempre que um pássaro da sinais de não estar bem de saúde. Não é um procedimento desprovido de fundamento, pois para a maioria dos criadores é difícil dispor de acesso aos necessários exames de fezes, diagnóstico e prescrição veterinária em tempo hábil para a recuperação do pássaro.

    Considerando que a presença de coccidas no organismo do pássaro é, no mínimo, muito provável, minimizar o nível da infestação no pássaro doente, mesmo que a causa da doença seja outra, é extremamente desejável.

    Um pássaro que arrepiou a plumagem (embolou) e demonstrou apatia deve receber um cocciostático imediatamente. Se o seu problema de saúde estiver restrito à coccidiose é de se esperar que, no máximo no terceiro dia de tratamento, apresente significativa melhora. Mesmo em caso de aparente recuperação o tratamento não deve ser inferior a 10 dias.

    Costumamos empregar como medicação emergencial a associação de coccidex (uma cápsula em 50 mL de água) com 10 gotas de R-Trill. Temos tido grande sucesso com esse tratamento.

    Caso não reaja positivamente com esse tratamento, em até 3 dias, o tratamento deve ser modificado.

    Essas recomendações prestam-se apenas aos casos emergenciais, em que não é possível recorrer ao veterinário ou efetuar exame de fezes.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Ácaro da traquéia - O Fantasma dos Criadores de Canários

Nomes estranhos como Sternostoma tracheacolum, mais comum, Cytodites nodus ou Psittanyssua e mais uns 30 nomes esquisitos como estes, não assustam tanto o criador de canários quanto ouvir o simples apelido "ácaro de traquéia". Estes são alguns dos tipos desse verdadeiro fantasma para os canaricultores do Brasil e do mundo.

O ácaro de traquéia encontra-se no meio ambiente, alimentando-se de detritos e poeira. Instala-se oportunamente nas vias respiratórias das aves, podendo atacar a traquéia, sacos aéreos, pulmões e até mesmo ossos pneumáticos. Esses ácaros provocam lesões inflamatórias no trato respiratório, provocando irritação e perda da "voz", e em casos extremos pode ocorrer morte por asfixia devido a alta infestação.

O tratamento de eleição para controlar esses ácaros é o uso da ivermectina, administrada de 15 em 15 dias até sanar o problema. Tomar cuidado com a época de aplicação e período de recesso na reprodução, para sucesso no tratamento.

Esses períodos devem ser analisados e determinados pelo veterinário responsável pelo plantel, de acordo com a espécie, condições nutricionais e fisiológicas da ave.

Ao se necropsiar uma ave parasitada por ácaros, encontra-se um quadro de intensa irritação do trato respiratório (pontinhos pretos) desde a traquéia até os pulmões. Essa irritação provoca dificuldade respiratória, queda no sistema imunológico e uma conseqüente instalação de patologias, secundárias (Mycoplasma, bactérias, vírus, fungos) que geralmente são a causa das mortes nas aves. Muitas vezes, mesmo matando o ácaro, as cicatrizes das lesões não permitem uma total recuperação da "voz", e em outros casos não se observam seqüelas.

Levando-se em conta a grande extensão do sistema respiratório das aves, a cronificação dessas infecções secundárias pode tornar-se um problema de difícil solução por atingir os sacos aéreos que estão distribuídos por todo corpo. É fundamental que o veterinário diagnostique e trate essas infecções para evitar a morte do animal.

Esse é o maior erro de todos os criadores, achar que o ácaro é um problema isolado enquanto ele apenas abre portas para infecções mais sérias. A ivermectina apenas mata o ácaro, enquanto a infecção secundária deve receber a terapia específica.

Qualquer terapia não deixa de ser mais um estresse para o animal, de onde devemos concluir que a prevenção continua sendo a melhor via de sucesso na criação. Isto não significa o uso de medicamentos para a prevenção que é praticamente um crime, e sim, cuidados de manejo como alimentação balanceada e contínua (sem mudanças bruscas), ausência de correntes de vento, evitar levantar poeira no criadouro (varrições) e outras formas de estresse conhecidas pelo criador.

Com uma prevenção cuidadosa e a detecção imediata das mais discretas alterações, o fantasma torna-se o que na verdade sempre foi : Nada.

Rodrigo Silva Miguel
médico veterinário (CRMV SP 10.552)
Criador de Aves Ornamentais

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ácaros, piolhos e o uso da Ivermectina

[...]
Os ectoparasitas, nas aves, se subdividem em dois grandes grupos de importância: piolhos e sarnas. E os carrapatos?! Também pertence aos ácaros, mas para nós aqui hoje em pássaros não possui muita importância. Esses piolhos e ácaros são subdivididos em chupadores (sangue) ou mastigadores (pena).

Sabendo-se disso vamos entender como funciona a ivermectina. Esta deve ser absorvida pelo organismo seja de forma tópica, oral ou outra via e ser metabolizada no fígado tornando-se ativa. Ela age efetivamente causando uma "paralisia muscular" do parasita e este acaba morrendo de inanição na maioria das vezes. Então já cai a primeira lenda: não adianta usar ivermectina direto em cima do parasita em questão, pois tem que ser metabolizado no fígado da ave.

A segunda lenda é que, como a maioria dos ectoparasitas nas aves são mastigadores, o produto não fará efeito pois a ave esta comendo penas e o não terá contato com o produto. Então meus amigos usar ivermectina e ainda mais de forma indiscriminada para ectoparasitas há grandes chances de errar. E por outro lado vermifugar a ave com o produto vocês já viram na edição passada que é desperdício de tempo e dinheiro.

Vejo milhares de pessoas usando 1 gotinha de ivermectina na coxa ou no bico ou o que é pior, veterinários repetindo e propagando o erro em suas consultas dizendo que estão vermifugando a ave ou que é profilaxia para piolhos... e o pior que as pessoas acreditam e chega ao ponto da pessoa falar que você não vermifugou a ave dela na consulta... putz aí é o fim da picada aí essa pessoa merece ganhar a coletânea da Revista Pássaros para ler e fazer uma lavagem cerebral de conhecimento.

Hoje existem produtos veterinários a base de ivermectina que possui as suas indicações, mas vejo tanta pessoa usar errado aí depois reclama que intoxicou ou que o produto é ruim. O problema está quando e onde usar. Essa é a grande questão. O exemplo clássico é sempre assim: minha ave está se coçando e já usei 1 gotinha na coxa e já usei o produto veterinário e ela continua se coçando e arrancando penas.
A resposta é simples: usar gotinha na coxa não é dosagem e nem terapêutica, isso é curandeirismo e não medicina veterinária preventiva. Segunda: mesmo que tenha usado o medicamento veterinário indicado para aves, registrado tudo certinho, com certeza fez subdosagem. O produto é claro, é 1 gota para 5g de peso da ave. A pessoa quer fazer 3 gotas num Trinca Ferro... aí fica difícil. No mínimo ele vai pesar 70g, o que daria 14 gotas do produto em contato direto com a pele. Outro erro: muita gente não afasta as penas para administrar o produto corretamente. O produto é bom, mas não sabem usar. E por fim, se você fez tudo certo ficará triste agora: a ivermectina não possui ação sobre ectoparasitas malófagos (mastigadores)... ahhh... que triste... eu sei é um choque para todas as pessoas.

Ahh... antes que me esqueça, usar spray mata barata para acabar com piolhos também é pajelança e das brabas mesmo. Eu não sei o que leva uma pessoa a usar um produto que mata barata na sua ave de estimação! Podia usar na cabeça do filho também né!? Depois dessa proponho ate uma pausa para retomar o ar...

Aí sua ave continua se coçando; daí já evolui para automutilação e piora tudo. Outro exemplo é a ave que coça o olho no poleiro. Com quase toda certeza está com sarna. "... Mas o Dr. lá falou que era conjuntivite no meu curió". Pode até ser, mas a causa primária foi pela sarna. Os sinais são claros: irritabilidade, coceira, emagrecimento, etc.

Quando falo muitas vezes para a pessoa que a ave possui piolho ou ácaro ela tira o poleiro e bate no papel branco. Todos já fizeram isso. Todos querem ver o danadinho! Mas neste caso de bater o poleiro só vera piolhos vermelhos que chupam sangue das aves. Nesse sim, a ivermectina fará efeito, assim como nos ácaros que parasitam as vias aéreas principalmente de canários. Mas nem tudo é isso e muitas vezes devem ter uma Micoplasmose associada e cura não é total. Não é tão difícil de uma ave possuir piolhos vermelhos, mas é mais comum quando tem ninho e podem levar a morte rapidamente os filhotinhos.

Então Dr. Felipe, qual o melhor produto ou o mais indicado para esses piolhos ou ácaros que mastigam penas. Logicamente tem que ser um produto por contato. Que mate o ectoparasita quando entra em contato diretamente. Temos hoje produtos em pó ou líquidos. Eu particularmente não uso os produtos em pó pelo risco da ave esfregar o olho nas penas e ingestão do produto. Além do mais você fazer na clinica é uma coisa. A pessoa fazer em casa é totalmente diferente. A pessoa não consegue manusear a calopsita tão bem quanto você e ainda mais colocar produto em pó?! Com certeza vai uma pitada no olho.

Eu prefiro os produtos líquidos, pois além de penetrar facilmente as penas e encharcar rapidamente a ave pode pegar nas mucosas que nada irá acontecer com a ave. Irritabilidade são raras pelo produto. O detalhe é fazer isso em dias quentes e secar a sombra ou ao sol dependendo do produto. Hoje existem produtos naturais muito bons, porém estes devem ser feitos por mais tempo e em intervalos menores de administração. E jamais esquecer que dependendo da espécie mais de 90% dos ectoparasitas está nas instalações do criadouro e gaiola, outro erro crucial.

Toda ave é susceptível a piolhos e ácaros. A melhor maneira de evitar é profilaxia e controle. As mesmas coisas que comentamos sempre: quarentena de aves novas; exames rotineiros e ter um acompanhamento de um profissional especializado.

Dr Felipe Bath, veterinário especializado em pássaros

Meus comentários e conclusões:

  1. Uso da ivermectina não é eficiente para todos os ectoparasitas, mas somente para os chupadores. Então para tratamento de piolhos ou ácaros que mastigam penas, é recomensado usar outro produto, como Kill Red
  2. O uso mais recomendado da ivermectina é para ácaros na traquéia e piolhos vemelho chupadores de sangue.
  3. O meio de aplicação correta é por contato com a pele, baseado na posologia indicada na bula.
  4. A forma mais indicada para administrar ivermectina nos pássaros é através do Allax, cuja posologia é 1 gota a cada 5 gramas de peso vivo, aplicado na parte de trás do pescoço, por baixo das penas (na pele).
  5. Portanto não é recomensado usar Ivomec pra gado ou ovinos, pelo risco da superdosagem.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Quistos ou Bolas de Pena

Um quisto de penas num pássaro é o mesmo que um pelo encravado num humano. O quisto é maior uma vez que as penas também são maiores que os pelos. Se a isto pensarmos que os pássaros são muito mais pequenos que nós e têm um inchaço maior que o nosso podemos imaginar as complicações que isso acarreta. Os quistos aparecerem devido à mal formação da pena por baixo da pele. O quisto tem a forma oval e englobam uma pena ou um conjunto de penas. Apesar de poderem surgir em qualquer parte do corpo, eles surgem principalmente na zona da rabadilha (raiz da cauda).

Um quisto de penas ocorre quando as penas que estão a crescer não conseguem penetrar pela pele e vão ficando enroladas por debaixo da pele. À medida que a(s) pena(s) cresce(m) o inchaço aumenta com um material pastoso feito de creatina.

Apesar de as penas encravadas poderem aparecer em qualquer raça, nos canários ocorre com mais frequência nos Glosters, Norwhich, Borders. As penas que fazem com que estas raças pareçam mais fofos, mais macios e rechonchudos são onde surgem mais quistos. Por outro lado há raças onde os quistos aparecem menos, como por exemplo o Mosaico. Há uma predisposição genética para o seu desenvolvimento devido ao facto de muitos criadores fazerem cruzamento com irmãos (consanguinidade) para apurar certas características dos pássaros, o que não é aconselhável por vários motivos entre os quais pode vir a causar deformações internas nos filhotes como por exemplo o aparecimento dos quistos.

Outras das possíveis causas são: má nutrição; infecções, principalmente devido a ácaros que comem a raiz das penas; lesões ou traumas na zona onde o quisto se desenvolveu. Há criadores que não negam a predisposição genética que certos pássaros têm, mas afirmam que a alimentação pode fazer com que esse problema fique visível nesses pássaros. Criadores que tiveram os pássaros durante um ano ou dois e que depois os venderam foram informados que apareceram quistos nos pássaros, o que leva a pensar que uma má dieta fez surgir os quistos.
Por outro lado criadores que ficaram com pássaros que apresentavam quisto só porque o antigo criador os ia por em liberdade (e consequente morte) relatam que passados vários meses os pássaros estavam completamente diferentes e que nunca mais tiveram quistos, tendo vivido vários anos inclusive. É conveniente referir que um pássaro que tenha alguma vez tido um quisto nunca vai viver tanto tempo como um canário "normal" (10 anos).

Dependendo da localização, estes papos de penas podem ser bastante dolorosos para os pássaros. Se aparecerem numa zona onde causam pressão sobre um nervo ou sobre um órgão, os quistos podem causar modificações da estrutura interna e em casos extremos a morte.

Prevenção: No prevenir é que está o ganho. Para se evitar ao máximo as penas encravadas é recomendável dar aos canários uma alimentação muito variadas porque a maior parte dos alimentos não é completa. Verduras como a alface, nabo (cozido e misturado com a papa), brócolos devem ser dadas não mais do que duas vezes por semana. Além das folhas deve-se dar também o talo. Vitamina B, sais minerais (especialmente o zinco), ácido fólico, e a Biotina também são elementos recomendáveis para se evitar os quistos de penas.

Tratamento: O tratamento consiste na remoção da "bola", do inchaço que contém as penas. Pode ser feito de duas maneiras: colocar um elástico à volta do quisto para que seja difícil ou mesmo impossível o organismo do canário "alimentar" o quisto. O outro método é para mim mais eficaz mas também mais perigoso pois consiste numa pequena cirurgia que vai cortar o mal pela raiz (literalmente). Nunca fiz porque não tenho coragem nem a experiência necessária, por isso recorri a um criador que tinha alguma experiência na remoção dos quistos. Para se remover o quisto este tem de estar "maduro" ou seja seco ou quase seco quer seja pelo elástico e/ou pela aplicação de tintura de iodo. Depois de estar seco faz-se uma incisão no quisto. Não vou explicar para não caírem na tentação de removerem o quisto com as vossas próprias mãos. Mesmo ao fazer uma incisão e remover toda a creatina (papa formada pelas penas encravadas) pode voltar a aparecer uma vez que o organismo fica com uma espécie de memória e fica programado para fazer aparecer um novo quisto. Já vi pássaros a quem foram retirados quisto e têm uma vida normal. Em canários como os Norwich que estão geneticamente predispostos ao aparecimento destes papos, a sua constante remoção não é aconselhável uma vez que a cirurgia vai abrir um buraco no corpo e ao fim de algumas remoções o pássaro não vai aguentar e morre. Nos canários que apareceram os quistos é recomendável não serem utilizados para criação, pois como foi dito anteriormente, os quistos são geneticamente passados aos seus descendentes e mais cedo ou mais tarde esses filhotes vão ter os quistos.

Por IvoLeite