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quarta-feira, 18 de abril de 2012

A mutação intenso

Exclusiva do canário, a mutação intenso reveste-se de aspectos de extraordinária raridade e de grande interesse cientifíco. É geneticamente dominante e sub-letal, provavelmente com um aspecto de expressiva variabilidade, e compreende o antigimento pelo lipocromo da ponta da pena, cujas bárbulas são mais curtas. A expressão lipocrômica é muito forte e a forma do corpo é mais leve e esbelta.

O gene responsável por esta mutação é pleiotrópico, ou seja ele  influencia várias características do portador. Nos sujeitos homozigotos, as características se exaltam, reduzindo o seu tamanho, com plumagem muito curta e fortíssima expressão do lipocromo.
Existem fortes variações de um indivíduo para outro, podendo ser mais ou menos evidentes os resíduos de nevadismo. Nos machos, a atuação do fator intenso é geralmente mais forte.

Um fenômeno excepcionalmente notável, que permanece sem explicação e que nunca havia acontecido anteriormente, é o fato da categoria nevado (forma ancestral) precisar de cruzamento misto com a mutação intenso. Efetivamente, o sucessivo cruzamento entre nevados é desaconselhado, uma vez que se obtêm todos os filhotes nevados, normalmente de má qualidade, com nevadismo excessivo que pode estender-se às zonas "de eleição", com carência de lipocromo e, por fim, tendência à plumagem muito abundante. Em caso de repetidos cruzamentos entre exemplares nevados, essas características negativas tendem a aumentar.
Na natureza, os canários se reproduzem sempre entre exemplares nevados sem qualquer problema, mesmo porque não há intensos. No entanto, em cativeiro, o mesmo tipo de cruzamento produz os resultados negativos acima citados. Por outro lado, o acasalamento entre exemplares intensos e nevados permite o nascimento de nevados de boa qualidade e equilibrados. Em todas as espécies criadas em cativeiro, a regra geral é que maiores serão o equilíbrio e a vitalidade dos filhotes quanto mais fortes forem as características presentes do tipo ancestral. É realmente difícil explicar esta exceção nos canários!

Infelizmente são poucos os que se aprofundam no problema. Na minha opinião, provavelmente o fenômeno é uma conseqüência induzida pela mutação intenso, que pode ser capaz de induzir outras mutações e de modificar, mesmo que não de forma evidente a própria forma genética.

Um outro problema a ser considerado é por que os nevados resultantes do cruzamento entre intensos e nevados são bons. Acredito que possa ocorrer um fenômeno semelhante ao da heterogênese não transmissível. Os nevados obtidos de acasalamentos entre dois exemplares intensos, nascidos na probabilidade de 25% dos filhotes, geralmente apresentam uma situação de excesso que os faz semelhantes aos obtidos através de cruzamnetos puros. Por outro lado, usando uma fêmea intensa com um macho nevado, obtêm-se em geral, apenas como uma tendênmcia, resultados ligeiramente melhores que os obtidos quando se usam uma fêmea nevada com um macho intenso. A regra é válida tanto para os filhotes intensos quanto para os nevados. Os intensos tendem a apresentar uma melhor intensidade de cor, e os nevados, um ótimo equilíbrio e bom nevadismo.

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Fator Topete


O fator do topete é uma mutação ocorrida no canário, cuja origem remonta haja 257 anos. Seu surgimento deu-se na canaricultura de porte na Inglaterra. No século XIX tomou-se muito popular e apreciado não só na Inglaterra como também em vários outros paises onde a canaricultura estava em desenvolvimento.

Mesmo tendo surgido em canário de maior porte, o mais popular canário da atualidade que possui este ornamento é o Gloster muito embora a sua origem possa ser considerada recente, em se comparando ao tempo que a mutação apareceu. O Gloster foi apresentado com um padrão oficial pela primeira vez em 1925, portanto há apenas 77 anos, o que vai uma longa distância em relação aos 257 anos do surgimento da mutação.

O fator do topete, além de ser uma mutação é também um produto final de posterior seleção genética, o fator do topete não é um caso inusitado. Tem aparecido em outras aves sendo o caso mais comum o dos periquitos ondulados.

O topete é um caráter dominante. Desta forma com um exemplar possuidor do topete, pode se obter tanto em machos ou fêmeas na primeira descendência.

Não se deve acasalar dois exemplares possuidores de topete, pois o mesmo em dose dupla é letal ou parcialmente letal. Acasalando dois exemplares assim, os que nascem sem o topete, são pássaros normais. Os que chegam a nascer e que possuem topete, dificilmente vingam, e se conseguirem atingir a idade adulta, a conformação do seu topete será fatalmente defeituosa, com penas revoltas, falhas no centro e sobretudo apresentará falta de plumas na parte anterior do topete. Para a conformação de um bom topete é importante que as penas sejam relativamente soltas, não devendo no caso ser efetuado nenhum acasalamento com dois pássaros de plumagem intensa, o que acarretaria um endurecimento do topete e a natural dificuldade no assentamento do mesmo.

Raças de porte que possuem topete e suas pontuações nos julgamentos: Gloster-20, Fiorino-15, Padovano-15, Lancashire-30, Topete Alemão-25, Crested-45.

Nas raças acima o topete é a parte fundamental, em geral as penas do topete são abundantes e se irradiam de um ponto central no meio do topo da cabeça cobrindo o bico e os olhos.

Devemos observar que cada raça, acima citada possui um topete característico, como devemos verificar no Manual do Julgamento. Contudo o topete dá um requisito muito especial na beleza e formação do pássaro, o visual é verdadeiramente magnífico.

Que este sirva de incentivo aos novos criadores para criarem estes exemplares, enriquecendo assim a sua criação com lindos e exóticos pássaros.

Revista CPCCF Junho/2004

sexta-feira, 2 de março de 2012

Dicas sobre formação de uma linhagem


Não acredito que seja possível ter sucesso na criação de canários de qualquer raça sem a formação de uma linhagem própria baseada em pássaros de ótima qualidade, por isso tenho lido muito e pesquisado sobre cruzamentos in-breeding, além de genérica básica aplicada aos pássaros.

Abaixo sumarizo algumas lições que aprendi com criadores de longa data de Gloster que escreveram este artigo:
http://www.glosters-usa.com/inbreeding.htm

1. Iniciar a criação com os melhores canários que se puder adquirir.
2. Será preciso ter ótimos coronas e ótimos consortes. O Gloster é UMA raça, que possui pássaros com e sem topete. Não dá pra ter uma linhagem somente com topete ou somente sem topete.
3. Qualidade é melhor que quantidade. Por isso não cruzar canários que tenham características indesejáveis.
4. Não manter uma ave apenas porque é da linhagem (família), ao menos que possuam todas as boas características que os outros membros da linhagem portem.
5. Você precisará inserir novos pássaros, com cautela. até ter uma linhagem com a genética desejada. Não dá pra tentar melhorar o padrão somente com cruzamentos cosanguíneos se a família não tiver todas as qualidades que você quer alcançar.
6. Cruzar sempre linha clara com linha escura afim de manter a qualidade das penas.
7. Cruzar consorte com consorte não produzirá bons coronas. Bons coronas devem ter uma cabeça larga, redonda em todos os pontos com boa subida para o centro do crânio.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Formação de uma nova linhagem


Até nos melhores pássaros, existem caracteres que mesmo presentes no seu patrimônio hereditário, não podem ou essas boas qualidades não são transmitidos aos filhos, ou por serem, esses pássaros, heterozigotos ou por serem recessivos se apresentam dominados por outros caracteres. Nem mesmo o fato de ser um campeão, vencedor de muitos torneios, o qualifica como reprodutor. Tendo sido produto de acasalamentos “abertos” (mesmo que bom x bom) seu patrimônio genético é impuro para aquelas qualidades que, por pura obra do acaso, fazem dele um campeão. Levado à reprodução poderá gerar filhos de todos os tipos. Sendo este um estudo pioneiro, poderá sofrer correções, adaptações e mudanças ao longo do tempo, tendo em vista os resultados, com certeza positivos, que passaremos a obter a partir desta publicação.

A partir de agora seremos mais que criadores: seremos selecionadores. Vamos formar o nosso raçador e o nosso Plantel. No entendimento das leis de Mendel, o pai da genética, é fácil constatar que um reprodutor que possua caracteres dominantes em dose dupla, ou Homozigoze, os transmitirá, obrigatoriamente a seus descendentes. Se um Reprodutor for homozigoto ele produzirá apenas os genes que nós selecionamos e seu descendente que recebe esse gene dominante exteriorizará apenas o efeito desse gene. O ponto inicial, portanto, é a formação de um reprodutor homozigótico, aquele cujo zigoto é formado por gametas que conduzem os mesmos genes, portadores de um mesmo caracter. “Genética é o ramo da biologia que estuda a transmissão das características físicas e biológicas de uma geração para a seguinte”. “Não se pode precisar se as qualidades que buscamos em nossos pássaros canoros nativos (canto, extensão de canto, fibra, etc) são transmitidas por um só gene ou por um conjunto ou combinação de genes” (Paulo Flecha – ornitólogo e pesquisador da fauna alada brasileira) A esse fenômeno genético, dá-se o nome de epistasia, ou seja saber se determinado caracter é transmitido por um gene ou uma combinação de genes. Neste caso, a prática de cruzamentos consangüíneos em linha direta, aumentam as probabilidades da sua repetição.

 

O Processo de Seleção

Os métodos de reprodução são diversos (consangüinidade, seleção, cruzamento, mestiçagem, hibridação) mas vamos nos ater à Seleção por Consangüinidade em Linha Direta, pratica comumente utilizada na apuração ou aperfeiçoamento de todos os animais criados pelo homem. “A consangüinidade não é prejudicial; pelo contrário, transmite conserva e melhora caracteres que se deseja conservar nos descendentes” (Cornevin). Se acasalamos um pássaro excepcional com uma de suas filhas as chances de produzir pássaros semelhantes ao reprodutor é muito maior pois esta sua filha (agora matriz 1) já possui metade (50%) de seus cromossomos, tornando mais fácil a reconstituição do patrimônio genético original. No próximo cruzamento, com a matriz 2, maiores serão as chances por esta matriz já possuir 3/4 (75%) do patrimônio. E assim, sucessivamente. 

O Estabelecimento de Critérios Iniciais

O estabelecimento da Formação de Uma Nova Linhagem, implica, em uma primeira fase, na eleição dos Fundadores desta nova linhagem com as qualidades que entendemos como sendo as ideais para os indivíduos dessa nossa nova linhagem que estamos nos preparando a formar.Então vamos às
Regras Básicas:
  1. Saúde : básica para qualquer que sejam nossos objetivos de qualidades;
  2. Integridade física : Os fundadores deverão ser férteis, íntegros, sãos. Sem penas defeituosas, bico torto, asas caídas, pés tortos, etc...(não devem ser considerados os defeitos adquiridos por acidentes);
  3. Seleção rigorosa do Fundador com Excepcionais qualidades de canto (repetição) ou fibra;
  4. Vivacidade, Disposição, Alegria, Constância, etc.
  5. Nas Fêmeas Iniciais, além das qualidades acima (onde seja possível enquadra-las) devem ser avaliadas a capacidade de produção (número de ovos por ninhada) e qualidades maternas (choco, alimentação dos filhotes, etc.)
  6. O Macho Inicial deverá ser o melhor que se possa adquirir. Algumas coisas poderão ser melhoradas durante o processo de seleção, mas o plantel será basicamente cópia desse Macho Inicial.
  7. Evite um número muito grande de fêmeas. Importante considerar o tempo disponível.
  8. É indispensável uma seleção rigorosa dos produtos obtidos com a eliminação drástica dos que apresentarem defeitos, taras, doenças, etc. (mesmo que consideradas “menores”) Lembre-se: Defeitos também são transmitidos por via hereditária.
  9. Ter sempre presente o Objetivo a ser atingido. Não espere sucessos imediatos.
  10. A Formação de uma Nova Linhagem de Alta Performance exige Paciência e Perseverança. Os resultados compensarão o tempo despendido com a apresentação de um plantel onde a totalidade ou grande maioria apresentam as mesmas características.
  11. Tenha sempre presente seu Livro de Registro Genealógico. Todos os passos devem ser registrados.
  12. Após o terceiro cruzamento, os avanços são aparentemente pequenos, caso tenha dúvidas, não se acanhe em pedir ajuda a um amigo ou criador dotado de notória competência e sensibilidade, para ajuda-lo a selecionar os pássaros que continuarão no processo de formação do Reprodutor.
  13. É importante estabelecer o limite de “chocadas” para cada fêmea. Um número ótimo seria 3 por temporada. A partir daí a mãe pode estar enfraquecida pelo desgaste e fadiga e poderá produzir filhos fracos. É de se considerar também que esses filhotes (fêmeas), nascidas no início da temporada, poderão estar aptas à procriação na temporada seguinte. Nosso objetivo é Formar uma Linhagem e não obter um número ilimitado de filhotes.
  14. Todos os criadores já observaram que em ninhadas de 3 ou 4 filhotes, quase sempre encontra-se um que cresce mais rapidamente. Identifique esse filhote. Ainda existem fatores que não conseguimos traduzir ou encontrar explicações e esse privilegiado poderá ser o nosso “diferencial”. A primeira seleção começa no ninho.
  15. O Selecionador que tenha dúvidas de suas qualidades como criador, deverá buscar sua capacitação e atualização junto a outros consagrados criadores e especialmente ser assessorado por um veterinário competente. De nada adiantará todo um trabalho de seleção se não acompanhado por igual cuidados sanitários, alimentares e de higiene.

“Somente com a consangüinidade é possível obterem-se linhagens de alta genealogia, que produzem a cada ano campeões e raçadores e o melhoramento é crescente no tempo”. 
"A consangüinidade não é nada mais que um meio para se fazer evidenciar os caracteres – positivos e negativos – na posse de um determinado patrimônio hereditário de um indivíduo”
Giorgio di Baseggio renomado selecionador decanários de cor e autor dediversos trabalhos sobre seleção de pássaros.


O Programa

Estabelecido o Macho Inicial ou Macho Fundador, deverá ser acasalado com pelo menos 3 (três) Fêmeas Iniciais. Então teremos:

  • Primeiro Cruzamento
    Macho Inicial x Fêmea Inicial = F1 = 1/2
    Sangue ou ainda 50% dos genes do Macho e 50% dos genes da Fêmea.
     
  • Segundo Cruzamento
    Macho Inicial x Fêmea F1 = F2 = 3/4
    Sangue ou ainda 75% dos genes do Macho e 25% dos genes da Fêmea.
     
  • Terceiro Cruzamento
    Macho Inicial x Fêmea F2 = F3 = 7/8
    Sangue ou ainda 87,5% dos genes do Macho e 12,5% dos genes da Fêmea.
     
  • Quarto Cruzamento
    Macho Inicial x Fêmea F3 = F4 = 15/16
    Sangue ou ainda 93,75% dos genes do Macho e 6,25% dos genes da Fêmea.
     
  • Quinto Cruzamento
    Macho Inicial x Fêmea F4 = F5 = 31/32
    Sangue ou ainda 96,875% dos genes do Macho e 3,125% dos genes da Fêmea.


Considerações:
  1. No Quinto Cruzamento, o produto 31/32 de sangue do Macho Inicial, já é considerado puro por cruza. Praticamente Homozigótico, é o Reprodutor que queremos para a Formação de nosso Plantel.
  2. Até esse cruzamento é considerado seguro ou com pequenos riscos.
  3. Pode ser tentado mais um cruzamento, ou seja, o Sexto Cruzamento desta Linha Direta, o F6 = 63/64 de sangue do Macho Inicial, porém deve ser considerado se compensa:
    a) um aumento de possibilidade de riscos (diminuição de tamanho, saúde, taras, etc.);
    b) ganho de apenas mais 1,5625% a mais de sangue do Macho Inicial.

Nota 1: alguns autores entendem que o produto F4, que detém 15/16 de sangue do Macho Inicial já é considerado Puro por Cruza, enquanto que outros entendem ser o F6 (63/64 de sangue do Macho Inicial), outros vão muito além e exigem um F10 (1023/1024).

Nota 2: Muito embora esse esquema e programa tenha privilegiado o macho, pode também ser feito a partir da Fêmea, porém mais difícil (um macho pode fertilizar várias fêmeas por temporada) e de maior risco (entre dois filhos – irmãos de ninho – haverá um longo tempo de espera de definições para eleger qual dos irmãos será o padreador) e no caso da perda súbita da fêmea ou à sua inaptidão temporária para a procriação o programa estará paralisado.

Nota 3: Não cometa o erro de vender os melhores pássaros. Vendidos os melhores interrompe-se o processo. Mantenha no plantel sempre os melhores: Você está em processo de Formação de uma Nova Linhagem.

Nota 4: “O poder do “Raçador” é transmissível apenas naquelas qualidades e características concernentes à dominância” Stéphane Vansteelant – fonte revista Brasil Ornitológico

Nota 5: “Os genes variam de tamanho, desde algumas centenas até dois milhões de pares de bases de ADN; são os responsáveis pela transmissão dos caracteres hereditários, como a cor dos olhos, tipo de pêlo, orelhas, temperamento, canto, displasias, etc. Na realidade, os genes são a entidade funcional da informação”.(José Carlos Pereira–Passarinheiro e pesquisador-Cruzeiro-SP)

Parabéns! Até aqui você trabalhou num programa que objetivou a obtenção do Macho. A partir de agora ele passa a chamar-se Reprodutor. Será praticamente um clone do Macho Inicial que graças a homozigose será de "linhagem pura" para os caracteres selecionados, ou seja, conseguirá passar suas excepcionais qualidades nos futuros cruzamentos. Esse Raçador será o “Chefe do Plantel”. Por Raçador entende-se o pássaro nascido de acasalamentos previamente estabelecidos e cuidadosamente selecionado, que acumula valores raciais dominantes para determinados caracteres, capaz de transmitir e imprimir suas excelentes características a seus filhos. Mas, quais serão esses futuros cruzamentos que manterão a qualidade e a homogeneidade do plantel? No processo de formação deste Reprodutor, estaremos formando também um excelente plantel. Analisemos:

1 – Por que 3 (três) Fêmeas Iniciais?
a) Porque com pelo menos 3 fêmeas teremos condições de conseguirmos pelo menos 4 Fêmeas F1; o ideal, para segurança de execução do programa.
b) Após conseguidas as 4 (quatro) Fêmeas F1, as Fêmeas Iniciais poderão ser descartadas, ou conduzidas para outro programa, pois as F1 já passam a fazer parte de nosso programa de seleção;
c) Os machos F1, podem ser descartados ou utilizados em outro programa.

2 – Após a obtenção de pelo menos 4 (quatro) Fêmeas F2, as fêmeas F1 serão destinadas temporariamente para outro programa pois elas serão utilizadas para a produção do produto 5/8 (para a obtenção deste produto, poderá ser utilizado um dos primeiros machos F1, desde que tenha demonstrado excepcionais qualidades).
Obs.: Estudos em bovinos, comprovam que o produto que tenha 5/8 de sangue do Reprodutor Inicial, conseguem manter a homogeneidade de tipo e de qualidades. Ex.: Santa Gertrudes (5/8 Shorton + 3/8 Nelore); Pitangueiras (5/8 Red Polled + 3/8 Guzerá); Brangus( 5/8 Aberdeen + 3/8 Nelore); Canchim (5/8 Charolês + 3/8 Nelore); etc.

3 - Como formar o 5/8? O melhor Macho F2 (3/4) cruzado com a melhor Fêmea F1 (1/2) ou vice versa = 3/4 + 2/4 = 5/8

4 – Após conseguida a reprodução de pelo menos 4 fêmeas F3, os produtos F2 não utilizados na formação do 5/8 poderão ser descartados destinadas a outro programa.

5 – A partir do momento da obtenção do produto F3, o criador deverá redobrar a atenção e avaliação, pois todos os produtos já estarão ou deverão estar muito acima da média. A partir da obtenção do F2, poderá ser observado a semelhança entre os indivíduos. O curioso é que eventualmente os machos F2 (3/4) podem ser inferiores ou praticamente iguais aos F1 (1/2), tal fato explica-se pelo choque de sangue do cruzamento inicial, porém os F3, começarão a apresentar a homogeneidade no Genótipo.

6 – A partir da obtenção de 4 (quatro) fêmeas F4, as fêmeas F1 e F2, estarão praticamente descartadas ou destinadas a outro programa.

7 – Se, nesta etapa, por fatalidade, faltar o Macho Inicial, um de seus filhos F4 (o de melhor desempenho dentro da ótica de nosso objetivo) que já é 15/16 ou ainda detentor de 93,75% de sangue do Macho Inicial, poderá substituí-lo. Não cruzando com sua irmã de ninho, mas com as fêmeas 5/8, cujo produto será 20/24 ou 83,33% de sangue do Macho Inicial.

8 – Devem ser evitados os cruzamentos entre irmãos próprios F1 ou F2.

9 – Sobre a possibilidade e resultados do cruzamento do F5 de uma seleção com outro F5 de outra seleção não aparentado, transcrevemos:

“De outro modo o autor tem constatado que se acasalando duas aves, ambas criadas em consangüinidade, porém provenientes de dois criadouros diferentes, nos filhos explode a vitalidade, a fertilidade, o vigor em altos níveis. Isto, sempre, se não existirem genes incompatíveis entre a duas cepas consangüíneas. A mencionada explosão de vitalidade é devida essencialmente ao fato de que as duas aves provenham ambas de linhagens selecionadas em consangüinidade há anos, nos quais muitas taras hereditárias e muitos defeitos (esterilidade, plumagem disforme, posições erradas etc.) foram sendo descartadas, sem piedade” 
Giorgio de Baseggio - Bolonha, julho 1987 criador de canários de cor 24 anos de estudos sobre a consangüinidade - transcrito de AO - Atualidades Ornitológicas

Conclusão
O esquema aqui apresentado, propositadamente em curtos tópicos, de forma simples, tem por finalidade fazer ver ao criador de passeriformes canoros nativos que o processo seletivo por consangüinidade em linha direta é acessível a todos e nosso objetivo maior é despertar a curiosidade por maiores conhecimentos neste segmento. O principal é que a partir de agora, a Criação de Passeriformes Canoros Nativos, entra em nova e importante fase, a SELEÇÃO.