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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Canários de porte inscritos no Campeonato Brasileiro 2013



Estas foram as estatísticas dos canários de porte inscritos no Campeonato Brasileiro de 2013, 2ª etapa

GLOSTER ST + CT 1301
RAÇA ESPANHOLA  574
FIFE  549
LIZARD 498
LANCA  403
YORK  372
BORDER  245
TOPETE ALEMÃO  228
FIORINO  203
FRISADO NORTE 194
NORWICH  194
HOSO JAPONES  146
MUNCHENER  128
FRISADO PARISIENSE + AGI  119
GIBBER E GIBOSO  113
CREST  109
FRISADO SUL  106
PADOVANO  100
SCOTH  91
FRISADO SUIÇO  88
RHEILANDER  63
LLARGUET  58
BERNOIS  45
BOSSU  38
ARLEQUIM  35
IRISH  5

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Canário de canto: Delicado prazer


Essa variedade de Canário dá um show com o som do seu canto limpo e rico em modulações.

Os gorgeios maravilhosos dos canários chegam ao máximo da perfeição com o Canário de Canto, o mais hábil e requintado da espécie. São oito variações sonoras com o bico fechado. Uma sofisticação!

A trajetória de sucesso da espécie começou há cerca de 500 anos, quando seu ancestral, o Serinus canarius, encantou a Europa trazido por navegadores que o descobriram nas Ilhas Canárias, da Espanha. Após 5 séculos de criação, evoluiu a ponto de se tornar uma ave de estimação de grande popularidade. Ganhou também atrativos adicionais graças á fixação de mutações e ao aprimoramento genético, com variedades em cada uma das três qualidades mais valorizadas nos pássaros: canto, cores e porte. Assim, além do melodioso Canário de Canto, existem o Canário de Cor, que se destaca pela pureza da cor - são 360 catalogadas - , e o Canário de Porte, de vários tamanhos e com plumagens especiais, divididas em 25 raças oficiais.

CANTO ROLADO

Por volta de 1700, próximo às montanhas de Harz no coração da Alemanha, foram observados alguns canários que cantavam de forma diferente, com um som "rolado", exclusivo, produzido com o bico fechado. A novidade conquistou apreciadores por todo o mundo e tornou-se conhecida como Roller (rolador, em alemão). Entre os Canários de Canto, é o que canta com um tom mais suave, tanto nos agudos como nos graves. Há mais duas variedades ainda não criadas no Brasil: a Timbrado Espanhol, com canto mais estridente (som "campainha"), e a belga Malinois, de som intermediário.

O canto rolado é exclusivo do Roller. Quanto mais grave o tom, maior o seu valor. É possível perceber oito sutis variações nas suas execuções vocais, adquiridas por herança genética. Essas variações são chamadas de tours (jeitos), denominadas de forma bastante sugestiva: as tours básicas são a Hohlrollen (rolado oco), Knorren (baixo), Hohlklingeln (campainha oca) e Pfeifen (flauta) e as demais, ditas "de adorno", são a Wassertouren (jeito de água), Schockeln (a tradução que mais se assemelha é "gargalhada"), Glucken (galinha choca) e Klingelstouren (campainhas). Em geral, o Roller intercala todas as tours básicas com uma ou duas de adorno, estilo que pode ser aprimorado com a prática do canto. Por isso, o treino é importante para os exemplares que participam de competições. Algumas combinações produzem exibições de alto valor, como as Wassertouren mescladas com as Hohlrollen ou as Knorren. As tours de adorno misturadas sem critério reduzem o valor do canto. O que diferencia uma tour da outra é o som desdobrado em consoantes, que as identificam, e vogais que lhe dão o valor. As vogais valorizadas são a "u", "o" e "ü" (som de "u" fechado, como na língua francesa). As demais são de pouca expressão ou até mesmo depreciativas.

Além da cor verde, herdada do ancestral Serinus, o Canário de Canto ganhou novas colorações com o correr do tempo: verde pintado de amarelo; amarelo; branco e cinza. Até uma variedade de topete apareceu.

O tom do canto muda um pouco dependendo da cor do Canário. Por isso, nos concursos, o verde, o amarelo e o pintado são julgados em um grupo. O branco, o cinza e o de topete em outro; às vezes, o de topete em separado.

Há quem denomine de Roller os Canários de Porte ou de Cor, mas é incorreto - o canto "rolado" é característica exclusiva do Canário de Canto.

TIPOS DE CANTOS

O canto dos Rollers tem oito variações identificadas pelo som das consoantes vogais que o compõem.

  • Hohlorren (rolado oco) - Consoante: "r" branco - dá o caráter rolante. Vogais "u", "o" e "u".
  • Knorren(baixo) - Consoante inicial ( no início da tour): - "k" ou "g". Consoante: "rr". Vogais: "o" e "u".
  • Hohlklingeln(campainha oca) - Consoante: "l". Vogais: "ü", "o" e "u".
  • Pfeifen (flauta) - Consoante: "d". Vogais: "i", "ü", "o", "u" e "au".
  • Wassertouren (tour de água) - Consoante dupla: "bl" ou "wl" Vogais: "ü", "o" e "u".
  • Schockeln (gargalhada) - Consoante: "h" (expirado e suave). Vogais: "a", "ü", "o" e "u".
  • Glucken (galinha choca) - Consoantes iniciais: "gl" e "kl". Consoantes finais: "c", "k" e "ck". Vogais: "ü", "o" e "u".
  • Klingeltouren(campainhas) - Consoantes: "l" e "r". vogal: "i".


QUARTETOS

Os concursos de canto são uma curiosidade à parte que agita o mês de junho no Brasil. Dois meses antes, o Roller começa a ser treinado. Deve aprender a se apresentar a qualquer hora e na presença de pequeno ou grande público. Os melhores cantores são escolhidos a partir de quartetos ou duplas, essas últimas criadas recentemente. A sala de julgamento é pequena, com boa acústica, 22º C de temperatura e iluminada artificialmente. Cada pássaro se apresenta em uma gaiolinha individual, aberta meia hora antes para ele comer e beber. Se um mais afoito cantar antes da hora, é interrompido. Para o julgamento, quatro ou duas gaiolas são empilhadas sobre uma mesa. A apresentação dura 30 minutos, observada a um metro de distância, aproximadamente, pelo juiz. O silêncio deve ser tal que somente os Rollers sejam ouvidos. Os juízes, que estudam a fundo a chamada Teoria de Canto Clássico, avaliam o repertório; a intensidade do canto; a perfeição da apresentação; a emissão do som ascendente ou descendente, lenta ou rápida; a transição de uma tour para outra e a pureza do som nas tours básicas. Consideram também os pontos negativos que são chamados de "tours de depreciação". Os prêmios vão para o melhor quarteto ou dupla e para o melhor cantos.

Os machos que já terminaram a muda, nascidos de agosto a dezembro, são colocados na gaiolinhas individuais de canto. Elas são postas em estantes, uma ao lado da outra, em um quarto na penumbra, situação que mais estimula o canto. Como cortina, usa-se um tecido de algodão opaco, de cor escura, não muito grossa, para não impedir a ventilação. Após a adaptação, período de uma semana a dez dias, uma divisória de madeira entre as gaiolas evita que o macho veja outro e desenvolva cantos de briga, sem valor para os concursos. Mantidos na penumbra, os canários cantam e exercitam os quatro tours básicas espontâneamente. Quando estiverem cantando de maneira vigorosa e constante, o próximo passo é fazê-los cantar somente se quisermos. Mais uma cortina opaca é usada, dessa vez na estante, para o canário ficar no escuro e parar de cantar quando for fechada. Abre-se a cortina diversas vezes ao dia durante 30 minutos. Ao verem a luminosidade, os pássaros exibem todo o seu canto. É uma fase preciosa de acompanhamento do progresso dos "alunos", quando se aprende também a perceber as variações do canto do Roller e a acostumar o ouvido a reconhecer as tours. Com o treino, o Roller tende a definir uma seqüência da preferência dele. Esse é o momento de começar a empilhar as gaiolas sobre uma mesa para simular o julgamento dos quartetos ou duplas. O exercício é feito diversas vezes ao dia, por uma hora, até a véspera do concurso.

A cada 15 dias, os canários devem ser postos em uma gaiola "voadeira", durante três horas, para exercício físico e banho. A oportunidade é aproveitada para a limpeza das gaiolinhas e da estante. Atenção com os machos que estão na voadeira: os briguentos devem ser separados dos demais.

O canto é determinado pela genética e aprimorado pelo exercício. Alguns livros e outros criadores sugerem influenciá-lo com o canto de outros Rollers e indicam o uso de pássaros-mestres e discos para esse fim. Entretanto, a maioria dos criadores considera esse método pouco ético por desvirtuar o canto característico de cada ave.

Para quem tem um casal em casa, há algumas dicas para estimular o macho. Ele poderá cantar na maior parte do dia, o ano todo, se o ambiente for estimulante ao canto.

A motivação é maior quando o ambiente está iluminado e há uma fêmea por perto, cuja presença ele pressinta ou veja. Através do jogo da claridade e da escuridão, é possível concentrar o canto em determinados períodos de tempo e fazê-lo mais vibrante. No escuro, cantará pouco e baixo. Para ouvi-lo cantar entusiasticamente, basta acender a luz. Na época da procriação, a tendência é cantar mais. Porém, se for colocado na mesma gaiola da fêmea, o seu canto diminuirá bastante. Se você tiver mais de um macho, o ideal é que um não veja o outro, para não desenvolverem o canto de guerra, que é pouco atrativo. Quando um não vê o outro, basta um cantar para que os demais se sintam estimulados a fazê-lo.


O MELHOR

Para ter um bom Canário de Canto, adote alguns cuidados básicos. Ao comprar, procure um criador indicado por um Clube Ornitológico. Escolha o exemplar de canto mais agradável e melodioso segundo o seu gosto (lembre-se: só o macho canta). Prefira adquiri-lo com pelo menos 3 meses, quando começa a cantar. Atingirá o seu ápice com 1 ano de idade. A fêmea pode ser comprada com qualquer idade - com 1 ano está apta à reprodução.

A compra pode ser efetuada nos canaris, em lojas especializadas e em exposições, onde se pode assistir aos concursos. É normal o comprador ouvir o canto antes de fechar negócio, seja de alguns canários específicos como em grupo.

Apesar das fêmeas não cantarem, não descuide de uma boa escolha. Devem ser saudáveis, alegres e um pouco mais gordinhas que os machos.

O canário vive em média 5 anos. Para mantê-lo saudável, além da alimentação fresca, variada e livre de agrotóxicos, ponha a gaiola em um lugar que receba os primeiros raios de sol da manhã e sem corrente de ar. Não dispense os banhos matinais de sol e de água. Fazer uma inspeção diária nas aves é uma boa medida, pois muitas doenças são facilmente curáveis se identificadas no início. O banho é um excelente indicador de saúde: pássaros doentes nunca tomam banho.

As doenças mais comuns são as respiratórias e as de origem intestinal, entre elas a asma dos canários, causada por ácaros e diarréias por motivos variados. Ocorre também a bouba, bola nas regiões sem penas, ocasionada por vírus transmitido por picada de mosquito (gênero Cullex). Piolhos de aves também podem infestar a criação.

Os criadores identificam seus canários com anilhas fornecidas pela entidade principal à qual o clube é filiado. Contêm o nome do clube de filiação do criador, o número do canário e do criador e o ano de criação. Graças a esse sistema, pode-se saber quais são os ancestrais de cada ave.

A reprodução dos canários, em geral, vai de julho a dezembro. Coloque um ninho aberto (vendido nas lojas) na gaiola do casal e deixe alguns fios de barbante ou estopa para que o casal arrume. A fêmea põe de três a quatro ovos por postura, chocados por 13 dias. Uma verificação diária do ninho, feita com cuidado, é o suficiente. Geralmente, a mãe cuida bem dos filhotes. Se for perturbada pode abandonar o choco ou deixar de tratá-los. Após 1 mês de vida, os filhotes são separados dos pais e colocados em gaiolas comuns. Aos 45 dias, podem ir para as gaiolas "voadeiras" para fazer exercício e aos 3 meses para a gaiola definitiva. O casal continua na gaiola até dezembro ou antes, se você preferir interromper a reprodução. Nesse caso, o macho logo volta a cantar com vigor.

CUIDADOS E INSTALAÇÕES

Gaiola para casal (e individual): de metal G2 com 45 centímetros de comprimento por 32 de largura e 40 de altura. Ou do tipo argentina com 60 centímetros por 35 por 40.
Gaiola "voadeira": 70 centímetros de comprimento por 30 de largura e 30 de altura, com dois poleiros. Gaiola de canto e concurso: com 22 centímetros de comprimento por 15 de largura e 17 de altura, com dois poleiros nas extremidades para exercícios.
Higiente das gaiolas: as gaiolas de casal, individual e voadeira devem ter piso removível para facilitar a limpeza, bebedouro, comedouro, recipiente para a farinhada, banheira com 3 centímetros de profundidade, cheia de água, e dois poleiros com 1 a 1,5 centímetros de diâmetros. Limpeza é fundamental para prevenir doenças. Forre o fundo (bandeja) da gaiola com papel-jornal e troque-o diariamente. Retire a banheira por volta das 11 horas para evitar banhos à tarde e para que a água suja não seja bebida. Lave o comedouro, bebedouro e a parte de baixo da gaiola duas vezes por semana.
Criadouro: é composto por uma sala com janela para a reprodução e outra para o exercício do canto, de preferência em local que receba o sol da manhã, e sossegado, para que as aves na época da reprodução tenham paz e luz para criar seus filhotes. A ventilação deve ser boa, mas sem corrente de ar. O criadouro deve ter voadeiras, além das gaiolas tradicionais. Pelo menos duas vezes por ano, o criadouro deve passar por uma limpeza geral - antes e depois da temporada de reprodução.
Alimentação normal: para manter a elasticidade do órgão que modula a voz (a seringe, também conhecida como laringe inferior), ofereça uma mistura de 50% de couza (uma semente oleaginosa) e mais 30% de alpiste, 10% de níger, 7% de aveia e 3% de linhaça. Uma colher (sobremesa) diária desta mistura é suficiente para cada ave. Ofereça também verduras como a couve, escarola, almeirão ou chicória (nunca alface que provoca diarréia) e frutas como a maçã e a laranja. E por último, uma colher (café), diariamente, com a massa de ovo ou farinhada. A receita é : 1 gema de ovo cozido amassada e passada numa peneira fina, 1 cenoura pequena ralada bem fina, 1 colher de chá de mel, 50% de farinha de rosca, 50% de complexo vitamínico Meritene ou de Canarina (produto para canários da Purina); há também alguns produtos importados na mesma linha. A farinhada precisa ser trocada todos os dias, pois fermenta e pode ser prejudicial. Outro ponto importante na alimentação, que não deve faltar, é a areia lavada. O canário, sendo um granívoro, precisa dela para digerir bem as sementes. A areia deve ser colocada em uma vasilha para evitar que os pássaros a sujem, na seguinte mistura: areia (60%), casa de ovo (20%) e farinha de ostra (15%), bem moídas e cálcio fosfatado (5%).
Alimentação dos filhotes: após o nascimento dos filhotes, a farinhada deve ser dada 2 a 3 vezes ao dia, para os pais alimentarem a ninhada.

PARA SABER MAIS

Livros:

  • Coleção Tratado de Canaricultura de Ademir Eugenio Lopes, 1979, Editora Nobel, São Paulo-SP. O assunto está espalhado em vários volumes.
  • A criação de Canários e seus cuidados, de Ademir Eugenio Lopes, 1986, Editora Nobel, São Paulo-SP.
  • Der Hazer Roller - Edição da D.K.B. (Federação Alemã de Criadores de Canários), 1986, Mulheim, Alemanha.
  • Sucesso na Criação de Pássaros, de Oberland de Oliveira Coelho, 1980, Editora Nobel, São Paulo-SP.
  • El Canario, Canaricultura, de Miguel del Pino Luengo, 1983, Editorial Aedos, Barcelona, Espanha.

Apostilas: 
As associações e clubes publicam apostilas e boletins sobre o assunto.

Associações:


Criadores:

  • José Fusari Neto
  • Armando Rodrigues e Antônio de Barros
  • Serathim Ribeiro da Silva
  • Ayr David Gadret

Agradecemos à colaboração dos criadores citados, inclusive pela revisão desse texto. 
Reportagem: Ana Martins. Texto: Marcos Pennacchi


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Reprodução: ninho, postura, anilhamento e separação dos filhotes

Passado o inverno os canários começam a se aprontar para o início da fase de acasalamento. O indicador da chegada da época de acasalamento são os pardais, que começam a ficar com o canto estridente, começam a marcar os seus territórios, começam as brigas para as escolhas das fêmeas e as fêmeas iniciam a busca de materiais para confeccionar os seus ninhos. Os canários, na maioria das vezes, não correspondem ao mesmo período de acasalamento das aves silvestres devido ao ambiente interno do canaril. Os canários são foto sensíveis, isto quer dizer que, quando a luminosidade dos dias começam a aumentar seus instintos lhe avisam que está chegando a hora do acasalamento. Outro fator que altera o ciclo das vidas dos canários é o aumento da temperatura, quando os dias começam a ficar cada vez mais quentes. Quando o calor estiver no auge o sistema irá lhe avisar que deve começar a muda das penas. Quando não respeitamos o fator da luminosidade e a transmissão da temperatura externa para dentro do nosso canaril deixamos as aves confusas. Imaginem se todos os dias apagamos as luzes do canaril às 20:00 horas e se às  21:00 horas acendemos as luzes por algum motivo qualquer. Para um cérebro evoluído não quer dizer nada, mas para um canários quer dizer: oba, começou um novo dia! Imaginem adotarmos estes procedimentos como padrão, chegará um dia que reunirá alguns fatores do tipo: Está muito quente e também os dias estão com o máximo de luminosidade, DEVO COMEÇAR A FASE DA MUDA DAS PENAS. Temos então, as famosas mudas fora de época.
Por tudo isso, quando criamos canários com objetivos de reprodução, devemos atentar para para os fatores luminosidade e temperatura.

Início da temporada de reprodução

Diferenças Fisiológicas dos Machos e Fêmeas
Tudo inicia com a escolha dos canários que irão formar os casais. Os canários selecionados deverão ser colocados em gaiolas individuais, próprias para reprodução. Estas gaiolas deverão conter um ninho e material para confecção do ninho.Também utilizo um triângulo equilátero feito de uma folha de jornal que é fixado com fita crepe no vértice da gaiola onde vai ser colocado o ninho. Esta proteção evita que caia alguma sujeira ou poeira em cima da canária quando estiver no choco e a deixa mais calma e também evita que os filhotes evacuem na parede.

Escolha da época para o início dos acasalamentos


Cada criador sabe da importância de eleger o período para o início dos acasalamentos, este momento não é uma data fixa, esta decisão deve ser tomada baseada em fatos dos tipos;

  • Clima primaveril ou final do inverno.
  • Pássaros urbanos do tipo; pardais e pombos iniciando seus acasalamentos.
  • As canárias iniciando a confecção dos ninhos e com postura de ovos. Não devemos deixar as canárias efetuando a postura de ovos sem a presença do macho, pois estas posturas acabam desgastando as canárias.
  • Foi elaborado o manejo para aprontar os casais antes da primavera.

O fator clima é um dos fatores mais importante para iniciarmos os acasalamentos. Devemos aguardar o final do inverno quando a temperatura começa a ficar mais agradável.
Para os criadores que possuem ambiente climatizado os casais podem ser emparelhados conforme forem se aprontando, independendo do clima. Uma vantagem de acasalar os canários que estiverem prontos com um clima mais frio é que não temos a presença de piolhos.
O ciclo reprodutivo dos canários na região Sul do Brasil, começa em Julho e se estende até final de dezembro. Como já fora referido em textos anteriores neste blogger, os canários são foto sensível, ou seja, todo o ciclo vital desta ave é controlado pela luminosidade que recebe. Após o dia de São João, os dias passam a ter mais horas de luz solar e as noites ficam mais curtas. O fato de aumentar a luminosidade dos dias ativa o lado reprodutivo dos canários. O criador também pode interferir no manejo com a finalidade de aprontar mais rápido os seus canários;

  • Expondo a banhos de sol pela manhã 
  • Simulando o aumento da luminosidade no canaril com luz artificial da seguinte forma; ao entardecer ascender a luz interna do canaril e controlar o apagar das luzes internas cada dia mais tarde, até chegar às 20:00 horas.

É importante para quem pretender iniciar a criação em julho ter certeza que machos e fêmeas estão prontos e sexualmente maduros para o acasalamento. Não adianta apenas um deles estar pronto.
A época da criação é a mais esperada pelos criadores e também é a de maior trabalho. Tenho como padrão de dedicar de 3 à 4 meses para o período dos acasalamentos (Reprodução) e sempre primando pela a qualidade, não me importando muito com a quantidade. Também trabalho para que esta etapa seja a menos cansativa possível.
Um fato que arrebenta qualquer planejamento no que tange a período de acasalamento é quando o criador não estipula o limite final dos acasalamentos e estende este período. Não adianta tirar filhotes em fevereiro e março, pois no próximo ano estes canários irão amadurecer sexualmente muito tarde, obrigando o criador a estender novamente o período final dos acasalamentos. Quando este procedimento torna rotina, o criador irá perder o controle do manejo correto na formação dos casais, pois terão lotes de canários prontos em junho, outros após outubro, novembro e dezembro. Outro fato; Quando os canários nascidos em fevereiro e março são vendidos a outros criadores é muito comum o vendedor não informar a data do nascimento do filhote e na maioria das vezes estes canários são descartados como inaptos para reprodução, pois ao serem acasalados não mostram interesse no ciclo reprodutivo, pois ainda não estão maduros sexualmente, um canários leva em média de 8 à 9 meses para se aprontar sexualmente.

Os ninhos

De preferência a ninhos de plástico com a borda de côr branca, que possibilita a identificação dos piolhos. O forro do ninho deve ser de espuma de espessura de 1 cm cortado da forma de círculo que encaixe perfeitamente dentro do ninho. Não permitir ao nascer dos filhotes, que fiquem sobre papéis picados, pois o papel não permite que os filhotes fixem as unhas, podendo os filhotes ficar com as pernas esgaçadas. Os Ninhos com forro de feltro, também não são aconselháveis, pois os filhotes podem ficar com as unhas presas nos fios do feltro.

Confecção do ninho


Característica genética, se a mãe é boa construtora de ninho a filha também saberá fazer um bom ninho. Algumas canárias começam a elaborar os seus ninhos e quando estão terminando ficam confusas, desmancham tudo e começam a refazer o ninho que na maioria das vêzes ficam incompletos. O criador deve ajudar oferecendo material para que a fêmea possa construir o seu ninho. Esse material o mais utilizado é o tecido chamado de juta se possível sem goma.
Devem ser cortados os fios de juta desfiada no tamanho de 6 cm de comprimento e colocados no vão da gaiola para que a fêmea possa pegar, também pode cortar um pedaço de junta e fixá-la com prendedor para que a canária possa  ir desfiando o tecido. Jamais coloque fios muito finos, pois os mesmos poderão ficar presos nas patas dos canários e quase sempre terminam em acidente.

Um pedaço de juta no fundo da gaiola
Formação dos ovos e fecundação


Nas fêmeas adultas das aves, apenas um dos ovários embrionários se torna funcional, esta adaptação aconteceu visando à redução do peso da ave em função do vôo. O ovário quando está maduro tem o aspecto de um cacho de uvas, podendo conter até 4000 óvulos, que podem potencialmente desenvolver-se em gemas. Cada óvulo está ligado ao ovário através de uma fina membrana, chamada de folículo, que é coberta por uma rede de vasos sanguíneos. Os óvulos através de sucessivas divisões, transformam-se em ovócitos que vão recebendo nutrientes e tornam-se óvulos de diversas hierarquias em função do tamanho. Uma vez prontos para serem ovulados, os óvulos são recolhidos no infundíbulo. Nesta zona do oviduto ocorre a fecundação, isto se os espermatozóides estiverem presentes  neste local. Nesta parte do organismo também  recebem a membrana vitelina e a chalaza. A membrana vitelina é película que protege a gema do ovo e as chalazas são estruturas presentes nos pólos dos ovos na forma de cordões, que tem a função de centralizar a gema a proporcionar segurança da gema nos movimentos bruscos.
Todos os componentes do ovo são formados em regiões diferentes do oviduto. Nas regiões abaixo são gerados;

Ovário e oviduto


No magno; a clara é acrescentada.
No istmo; uma zona mais estreita do canal, forma-se a membrana da casca.
No útero ou glândula da casca; forma-se a casca, que é a etapa mais demorada.

Para facilitar o deslizamento do ovo nas paredes do oviduto, a parte externa do ovo é envolta com uma substância na forma de gel, que logo após a postura do ovo é absorvida pela casca, servindo como uma película protetora. Por este motivo que os ovos que deverão ser chocados não podem ser lavados.

Ao pôr o ovo, a fêmea inverte parcialmente a cloaca, como se virasse uma luva ao contrário, impedindo que o ovo entre em contacto com o ânus e seja contaminado por fezes. Os restantes sistemas também são bloqueados, impedindo a descarga de fezes acidentais durante o esforço da postura do ovo.

O sistema reprodutor masculino das aves, mantém nos adultos os dois testículos, ligados a um par de epidídimos e canais deferentes, que servem para levar os espermatozóides e as secreções espermáticas até a cloaca.

A fecundação é sempre interna, sendo a cópula o ato dos encostos das aberturas das cloacas masculina e feminina, ocasionando o chamado o beijo cloacal. Neste ato são expelidos espermatozóides pelo macho dentro da cloaca da fêmea e estes espermatozóides são conduzidos até o útero através de hormônios. Chegando ao útero, local onde estão os ovos maduros e prontos para serem fecundados, apenas um dos espermatozóides fecunda cada ovo, dando assim o início de todo ciclo de perpetuação desta espécie.

Postura

Nos dias que antecedem a postura nota-se que canária esta mais pesada, se examinarmos o ventre da canária verificaremos um volume bem acentuado, por este motivo a canária não deve ser  perturbada e também não devemos pegá-la com a mão. A canária efetua postura de 1 a 5 ovos e geralmente a postura é feita pela manhã, sendo que o último é mais azulado.

Choco

Estado febril que são acometidas as fêmeas das aves que lhes possibilitam uma temperatura constante de 38 graus que possibilita o desenvolvimento do embrião dentro da  célula da gema do ovo. O estado do choco varia de canária para canária. Algumas entram em choco a partir da postura do primeiro ovo, outras do segundo e algumas efetuam toda a postura e após começam a chocar. O estado febril do choco tem como características o aumento do volume das fezes e com  um cheiro forte de Amônia.

Nascimento

A eclosão dos filhotes acontece após 13 dias de choco. Os filhotes rompem  a casca do ovo utilizando uma pequena estrutura localizada na ponta do bico na forma de uma quilha virada para cima, que se chama de 'dente do ovo'. Com o passar do tempo o filhote perde esta estrutura. Quanto a alimentação; os filhotes quando nascem possuem uma estrutura agregada no abdômen chamada de saco vitelino, que lhe permite a  reserva de alimento para um dia, após os primeiros dias de vida este sacos vitelino é absorvido pelo organismo e desaparece. Para melhorar a produção de filhotes devemos utilizar a técnica da substituição dos ovos da postura ou seja a cada ovo posto pela canária, devemos substituir por um ovo de plástico. Quando a canária efetivar a postura do quarto ovo, retirar os ovos de plásticos e colocar os ovos originais. Os ovos retirados devem ser acomodados e um recipiente forrado com algodão e deverão ser virados ou trocados de posição todos os dias, para evitar que a gema fique grudada na casca do ovo. Estes ovos podem ficar aguardando o choco por 3 semanas. Os ovos devem ser guardados em local ventilado onde a temperatura ambiente não chegue aos 34 graus, pois esta temperatura ativa o desenvolvimento embrionário do ovo. Também não podem ser lavados ou higienizados ou guardados em geladeiras. Esta técnica visa a eclosão de todos filhotes no mesmo dia, com isto evitamos e morte quase sempre do último filhote nascido. Eu costumo a repassar os últimos filhotes para uma outra canária que tenha filhotes pequenos e do mesmo tamanho. Deve ser observado a forma do filhote e a saúde e se não apresenta manchas no abdómen e também a limpeza interna do ninho. Quanto à forma; para mim um bom indício de uma boa ave é a oxidação da pele (Na linha escura) e a forma da cabeça semelhante a um grão de bico. Quanto à limpeza interna do ninho; Quanto for muito limpo, tudo indica que teremos problemas de rejeição de anel por parte da fêmea no momento do anilhamento do filhote. Quando não for muito limpo, temos a certeza que não haverá rejeição do anel mas, teremos que revisar o ninho todos os dias e trocá-los por ninhos limpos a cada dois dias. Quando eclodir apenas um ou dois filhotes na ninhada, aconselho ao criador à não jogar os ovos brancos fora, eles devem ser  substituídos por ovos de plástico. Os ovos de plásticos não deixarão que a canária jogue o seu peso sobre os filhotes.


Filhote ainda com o saco vitelino

Nas fases do choco e nascimento dos filhotes devemos cuidar para que a canária não seja perturbada. Um dos processos de seleção das fêmeas do meu plantel é ter um comportamento tranqüilo. As fêmeas quando ariscas por qualquer motivo se assustam e se comprimem no ninho e o resultado quase sempre  o amassamento do filhote ou são pisoteados causando deformidades nos filhotes. Um outro problema das fêmeas ariscas é quando nos aproximamos das gaiolas elas saem do ninho num vôo desabalado jogando alguns filhotes para fora do ninho. Um detalhe, isto vale para qualquer fêmea, deixar sempre a gaiola na mesma posição, para evitar problema de abandono do ninho. Se por um lado é ruim no que tange a fase do choco e filhotes novos, podemos usar este procedimento de trocar a gaiola de lugar para atrasar o início do próximo período de cobertura do macho.

Anilhamento


Os filhotes podem ser anilhados a partir do quinto dia de vida. É um procedimento que requer conhecimento do plantel ou seja o criador deve conhecer as fêmeas que rejeitam os anéis dos filhotes. Às vezes são canárias excelentes e que não podemos descartá-las, então temos que conviver com este problema. Uma forma de trabalhar com este tipo de canária é a seguinte; Deve ser esperado o momento em que os filhotes comecem a fazer as fezes na borda do ninho e também cuidar a grossura da pata, esta deve estar no último dia para passar o anel, mais ou menos lá pelo nono dia . Deve ser passado vaselina na pata do filhote na qual iremos colocar o anel e devemos inserir o anel sem causar qualquer tipo de dor. Como este filhote já esta com as unhas bem formadas a canária não irá conseguir puxar a perna do filhote para retirar o anel e consequentemente joga-lo para fora do ninho.Se precisar retirar o anel por motivo de um ferimento na pata, existem alicates especiais para o corte das anilhas. Na realidade existe uma relação da limpeza do ninho com rejeição do anel. As fezes do filhote nos primeiros dias são envoltas por uma película da forma de placenta onde a canária as pega no bico e as coloca fora para manter a limpeza do ninho, nesta fase qualquer coisa diferente de filhote são jogados  para fora do ninho, somente começando a não dar mais bola quando as fezes começam a aparecer na borda do ninho.

Separação

Devem ser retirados os filhotes quando os mesmos já se alimentarem sozinhos. Isto deve acontecer após o vigésimo quinto dia do nascimento. Note que os filhotes já estão se alimentando sozinhos, mas os seus bicos ainda não estão totalmente duros, ainda não conseguem abrir sementes com destreza, dando preferência para as sementes negras que são mais macias. Nesta fase devemos servir as sementes socadas em um pilão para afrouxar as cascas ou passar um rolo de abrir macarrão em cima das sementes para que as cascas sejam afrouxadas. Deve ser servido maçã  sem a casca e bem macia e a farinhada com ovos cozidos e verduras de boa procedência. Os filhotes devem ser colocados em gaiolas do tipo de avoadeiras. Devemos ter o cuidado de não colocar pássaros em excesso nestas gaiolas, eu tenho como princípio de colocar 10 canários por avoadeira de 1,20m de comprimento. Nas voadeiras reservadas para os filhotes, devemos ter o cuidado de agrupar filhotes da mesma idade.

A primeira muda dos filhotes

A primeira muda dos filhotes deve acontecer por volta dos dois meses de idade e esta muda deverá incidir somente nas penas pequenas ou plumas, não sendo repostas ou trocadas as penas grandes e largas, do tipo; rémiges (penas das asas) e timomeiras ou rectrizes (penas da cauda). A muda de pena não pode ser considerada uma doença, mas causa uma certa debilidade fisiológica nos canários enquanto estiver acontecendo. Devemos ter em mente que nas trocas das penas a alimentação é muito importante,  pois o organismo da ave exigirá que sejam consumidos altos teores das reservas energéticas para a formação das novas penas. Uma alimentação rica e adequada também irá refletir na qualidade da nova plumagem. Nas mudas das penas devemos estar atentos para alguns detalhes, pois nesta fase as incidências de óbitos de canários são mais acentuadas. Algumas das  medidas que podem  ser tomadas para amenizar os problemas ocasionados pela muda de penas e pureza da plumagem;
  • Evitar as trocas de ambientes que possam causar choque térmico.
  • Aumentar a freqüência dos banhos. Esta medida visa proporcionar a diminuição do tempo da muda. 
  • Colocar os canários que estão na muda em gaiolas amplas que permitam o vôo do canário. Esta medida visa diminuir o tempo da muda.
  • Aumentar a quantidade de sementes negras. Esta medida visa proporcionar um maior brilho na plumagem da ave. 
  • Fornecer alimentação rica em proteínas, incluindo as frutas e as verduras. Devemos ter o cuidado para não fornecer calorias em excesso.
  • Evitar as correntes de ar.  
  • Para evitar a debicagem, não coloquem muitos filhotes em uma única gaiola.
  • Se possível preserve os melhores filhotes em gaiolas individuais.
  • Se criar canários com fator e sem fator, coloque as gaiolas distantes para evitar que resíduos da farinhada com pigmentante das gaiolas dos canários com fator, sejam fogados na gaiola dos canários sem fator. 
Identificação do sexo dos filhotes

O único tipo de canário que conseguimos identificar o seu sexo antes de começar a cantar são os mosaicos. Devido ao fato de morfológicamente os machos e fêmeas serem diferentes (Dimórficos).
A partir da primeira muda os filhotes machos começam a ensaiar o seu canto de forma enrrolada e não melódica. O ato de cantar nesta fase ainda não deve ser a prova final do seu sexo, devido ao fato das fêmeas também cantarem. Para homologar o filhote como macho espere um pouco mais, até que ele tenha o seu canto completo, com nitidez e volume. Alguns filhotes machos por algum tipo de problema dos tipos; acariose,doenças respiratórias ou até mesmo por serem perseguidos por filhotes machos dominantes nos gaiolões, não irão cantar. Estes canários somente serão identificados o seu sexo na época do acasalamente pela visualização da sua cloaca. Também podemos ter algumas indicações externas que podem nos ajudar a identificar os machos das fêmeas;
  • As fêmeas possuem maior quantidade de feomelanina (cor marrom).
  • A cor lipocromica dos machos são mais intensas.
  • Nos canários negros intensos as marcações nos flancos são menos acentuadas que nas fêmeas.
  • Nos canários negros a melanina negra ou marrom é mais forte.
  • Nos canários negros a oxidação dos bicos e patas são mais acentuadas nos machos.     
Obs.: As perseguições dos canários dominantes a outros canários, como foi citado no texto acima, é um dos problemas quando se colocam os filhotes juntos em gaiolões. As vezes não percebemos estas perseguições e acabamos perdendo canários excelentes que não irão servir para nada, pois não irão cantar e nem galar. Já ví diversas vezes, filhotões de canários machos, serem perseguidos por machos dominantes e serem rolados no fundo da gaiola como se fossem canárias e com tentativa de gala pelo macho dominante. Mais tarde quando tentamos utilizá-los em acasalamentos estes canários não se aprontam nunca. Note que eu não estou me referindo as brigas entre os filhotes que são normais, quando estas não forem excessivas. Estou me referindo a aquelas perseguições entre machos e fêmeas. Por este motivo, quando noto algum canário muito fogoso no gaiolão retiro ele imediatamente, ficando o mesmo em gaiola separada.  





Distúrbios de comportamento nas fêmeas

Esse ano tive problemas com uma fêmea de Harz Roller que colocou 8 ovos! Percebi que na verdade ela tinha emendado duas posturas, com apenas 5 dias de diferença. Dessa ninhada sobreviveu apenas 1 filhote, pois dos outros ovos parte estavam brancos e outros morreram no embrião, uma vez que o choco dela foi bem perturbado.

Segue abaixo uma lista de disturbios de comportamento nas fêmeas na época de reprodução.


O sucesso da criação depende do bom comportamento das fêmeas. Normalmente a fêmea colocada na presença do macho, faz o ninho, põe, choca os ovos e alimenta os filhotes.

O macho pode ajudar na construção do ninho e participa na alimentação dos filhotes; a sua função torna-se cada vez mais importante à medida que os filhos crescem.

Os principais problemas do comportamento concernentes às fêmeas são os seguintes:

  • A fêmea não põe 
  • A fêmea destrói constantemente o ninho 
  • A fêmea põe fora do ninho 
  • A fêmea põe sem parar 
  • A fêmea põe, mas não incuba 
  • A fêmea pica os ovos 
  • Os filhotes são atirados para fora do ninho 
  • Os filhotes são pouco ou mal nutridos 
  • A fêmea pica os filhotes

Analisemos os diferentes casos.

A FÊMEA NÃO PÕE

Normalmente a postura é desencadeada pela visão do ninho; ela é favorecida pela presença do macho. Na ausência de ninho, a presença dum recipiente côncavo pode incitar a fêmea a por; até pode pôr num comedouro.
Mas é necessário que a fêmea esteja pronta para pôr, mesmo que o seu ovário contenha os futuros óvulos. Isto supõe que a temperatura e a luz tenham variado normalmente como aquelas produzidas na Primavera. Muita luz e sem muito calor ou o inverso, muito calor e pouca luz, provocam uma alteração do ciclo sexual, que é frequentemente acompanhada por uma muda parcial.
Se a fêmea não põe, malgrado a presença do ninho e do macho, pode-se mudar o macho e trocá-lo por outro mais ardente, mais viril. Se o comportamento da fêmea não muda, é necessário troca-la por uma outra.
A melhor fêmea é uma de dois anos, cujo comportamento terá sido testado no ano anterior. Uma fêmea muito velha pode estar inapta à postura: torna-se estéril.

A FÊMEA DESTRÓI O NINHO CONSTANTEMENTE

A maioria das fêmeas constrói metodicamente o ninho: empregam materiais grosseiros, depois materiais finos para o acabamento. Algumas começam a construção do ninho sem contudo acabar: elas confundem frequentemente os materiais e finalmente o primeiro ovo é posto num ninho inacabado e muito mal feito. Geralmente este comportamento é hereditário. Ele persiste de ano a ano. A fêmea não sabe fazer o ninho, porque nasceu, geralmente, num ninho mal feito.
O criador deve intervir para terminar o ninho ou oferecer à fêmea um ninho completamente feito.
No caso dum ninho de canários, pode-se colocar um ninho de fibras de coco comprado no comércio. Aos exóticos pode-se oferecer um ninho bola, em vime, no interior do qual se cola um revestimento macio, que o pássaro não poderá arrancar. Geralmente o criador contenta-se em terminar o ninho, colocando um suplemento de materiais e construindo uma cavidade para os ovos. Ele pode obter esta cavidade, fazendo rodar uma maçã no ninho, ou moldando com sua mão.
Como no curso de criação, o ninho se suja, ele não pode hesitar em mudar o revestimento no momento em que ele se torne muito sujo. Os filhotes têm necessidade de asseio e esta limpeza agirá sobre o comportamento de adulto. Isto é sobretudo necessário quando o número de filhotes é importante. Isto é indispensável no momento em que os filhotes defecam sobre as paredes do ninho e quando os pais penetram no ninho para alimentá-los.

A FÊMEA PÕE FORA DO NINHO

Sucede que uma jovem fêmea põe fora do ninho, seja sobre o fundo da gaiola, seja num comedouro. Ela não compreendeu a função do ninho que o criador lhe ofereceu, e não o adoptou.
O mais simples é colocar o ovo no ninho onde ele deveria ser posto; faz-se o mesmo para o segundo ovo, e assim por diante até a obtenção duma postura normal. Se a postura se faz num comedouro, tira-se o comedouro à noitinha, uma vez que a postura tem geralmente lugar ao nascer do dia. Para seduzir a fêmea no ninho, pode-se aí colocar um ovo claro (dum outro casal) ou um ovo falso. Quando se trata dum ninho caixa, junta-se materiais que se deixam passar pela abertura; esses materiais excitarão a curiosidade da fêmea, que visitará então o ninho.
É possível que a fêmea não ponha no ninho, porque está infestado pelos piolhos ou porque não é suficientemente próprio. O asseio é necessário e é preciso então mudar ao menos o revestimento do ninho, entre duas ninhadas.

A FÊMEA PÕE SEM PARAR

Encontra-se no ninho um número de ovos anormal. No caso de uma espécie onde o macho e a fêmea são parecidos, é possível que o casal compreenda duas fêmeas. É necessário sexar atentamente os pássaros.
Mas num casal normal, a fêmea pode pôr numerosos ovos. Geralmente são ovos claros e isto ocorre porque quando uma primeira postura era feita de ovos claros, a fêmea continuava a pôr.
Uma observação atenta do número de ovos teria permitido ao criador ver que não se trata duma só postura, mas de duas sucessivas separadas por 5 a 6 dias. Algumas fêmeas são capazes desde o 5º dia de reconhecer se um ovo está claro ou não; neste momento elas podem abandonar o ninho ou pôr de novo.
Uma perturbação do comportamento pode explicar uma postura abundante e contínua. A fêmea é vitima dum desarranjo endócrino. Normalmente quando a postura atingiu a cifra própria à espécie (5a 6 ovos no máximo), uma inibição se produz e isto bloqueia a produção de óvulos pelo ovário. Em alguns pássaros mais sensíveis que outros, o bloqueio tem lugar mais cedo e a fêmea põe menos ovos. A postura torna-se contínua quando o bloqueio não tem lugar. É necessário tirar a fêmea e trocá-la por uma outra. Esta perturbação desaparece geralmente quando a fêmea é colocada em viveiro não contendo qualquer ninho, sobretudo na ausência de machos. Pode também atenuar-se pouco a pouco: a fêmea podendo pôr ainda alguns ovos num comedouro, antes de se tirar definitivamente.

A FÊMEA PÕE MAS NÃO INCUBA

Esta perturbação pode ter várias causas:
O desenvolvimento é desfavorável: há muito barulho ou a fêmea está inquieta. Pode ser suficiente mudar o lugar do ninho ou aquele da gaiola: a primeira ninhada estará perdida, mas uma segunda será levada a termo. A fêmea não choca porque os ovos estão claros, e isto porque ela não foi coberta pelo macho. É necessário tirar os ovos e aguardar uma segunda postura. Se a fêmea não choca, é preciso mudar o macho. O melhor macho é aquele que não somente cobre frequentemente a fêmea, mas também que a ajuda a ir para o ninho. Alguns machos chocam tanto e mesmo mais que a fêmea, mas o mais frequente e necessário é que a fêmea comece a chocar.

A FÊMEA PICA OS OVOS

Acontece quando os pássaros comem os ovos. O criador que constata a presença dum ovo e não o vê no dia seguinte ou quando o número de ovos diminui. Frequentemente não fica nenhum traço do ovo desaparecido: ele foi comido. Um pássaro pode muito bem comer um ovo. Ás vezes um filhote eclode e não se acha a casca: ela comeu-a, e isto evita que ela atraia a atenção dum predador, o que pode ter lugar quando a casca vazia é lançada fora do ninho. Sabe-se assim quando os pássaros de gaiola podem consumir os fragmentos de cascas; esses fragmentos dados pelo criador são uma fonte de cálcio. Por prudência, ele vai dar o melhor, (por ex. ostras trituradas ou fragmentos de cascas de ovos...)
É normal que um ovo seja comido depois de ter sido posto. Geralmente, o criador acusa o macho. Pensa-se que o macho viu no ovo um corpo estranho que ele quer tirar do ninho; o ovo é quebrado e comido. Isto é possível, mas a fêmea pode comer os ovos. É o que tenho constatado com um casal de mandarins. Para saber se comia o ovo, coloquei sobre a casca um produto utilizado para impedir as crianças de roer as unhas. Um primeiro ovo desapareceu sem problema aparente nos pássaros. Porém após o desaparecimento dum segundo ovo, a fêmea foi gravemente intoxicada, enquanto que o macho ficou normal. A mãe era, pois, culpada. É preciso, então, no momento em que os ovos desaparecerem depois de terem sido postos, tirar a fêmea e trocá-la por uma outra.

OS FILHOTES SÃO LANÇADOS PARA FORA DO NINHO

Acontece quando os filhotes são encontrados fora do ninho, sobre o fundo da gaiola.
Frequentemente apresentam feridas provocadas por cortes de bico.
No momento em que o criador se apercebe, rapidamente deve colocar os filhotes no ninho.
Podem cair acidentalmente ou ser assassinados pelas patas da fêmea, quando abandona muito brutalmente o ninho. É necessário então evitar assustar a fêmea que choca, e cuidar para que o ninho seja suficientemente profundo.
Mas é possível que os filhotes tenham sido lançados para fora do ninho por um dos pais. Pouco depois da eclosão, o principal culpado é o macho; ele não reconhece no filhote o produto dum ovo, e lança-o para fora numa preocupação de propriedade, ou de defesa do ninho. Neste caso, é preciso tirar o macho, esperando-se que todos os filhotes tenham eclodido e chegado a ser bastante grandes. No Diamante Gould, mais sujeito ao stress, o macho pode reagir a uma perturbação (barulho, visitante estranho...), lançando os filhotes pouco depois.
No momento em que os filhotes estão emplumados e prontos para sair do ninho, podem ser lançados pela fêmea desejosa de limpar o ninho para tornar a pôr. Algumas fêmeas tornam a pôr num ninho ocupado, mas outras expulsam os filhotes a golpes de bico. O sangue pode ocasionar a picagem: os filhotes se estiverem ainda depenados podem morrer.

OS FILHOTES SÃO POUCO OU MAL ALIMENTADOS

O crescimento dos filhotes é programado; se ele é retardado, os pais podem abandoná-los. Na natureza um retardamento no crescimento corresponde a uma doença ou ainda afecta o último nascido; esses pássaros estão condenados; eles não darão jamais um adulto robusto; os pais têm pressa de fazer uma nova ninhada, e cessam de alimentar os atrasados. Este comportamento permite a selecção natural indispensável à sobrevivência da espécie.
Na criação, o atraso de crescimento tem as mesmas causas, mas o abandono é menos brutal.
Um pássaro cego será alimentado tanto quanto será capaz de pedir com insistência sua alimentação: cessará de o ser quando não virar mais o bico do lado certo. Os filhotes debilitados por uma doença (frequentemente colibacilose) serão cada vez menos alimentados visto que eles terão cada vez menos força para pedir, levantar a cabeça e abrir o bico.
No que concerne aos filhotes de crescimento mais lento numa ninhada, trata-se de mutantes, ou de últimos nascidos. Para salvá-los, o criador confiá-los-á a outros pais, que tenham filhotes no mesmo tamanho. Para que todos os filhotes duma ninhada sejam salvos é necessário que a ninhada fique homogénea, isto quer dizer que todos os filhotes cresçam regularmente.
Pode-se activar o crescimento dos filhotes, dando-lhes uma pasta enriquecida em vitaminas. No início do crescimento, os protídios devem representar perto de 25% da ração; a seguir sua taxa deve diminuir regularmente em benefício dos glucídios (amidos dos grãos). Na natureza, os pássaros aí compreendidos, os granívoros, fornecem aos recém-nascidos uma alimentação muito rica à base de insectos e de pólen, bem como filhotes de larvas e grãos germinados. Por conseguinte, eles dão mais grãos de amoras.
Se é necessário, em caso de doença, utilizar um antibiótico, ele deve ser associado a uma mistura vitaminada e de grãos germinados. Um antibiótico pode provocar uma carência em vitaminas e retardar o crescimento.

A FÊMEA PICA OS FILHOTES

Dissemos que a fêmea desejosa de pôr pode expulsar os filhotes para fora do ninho e picá-los para arrancar-lhes as penas. Esta hostilidade cessa no momento em que os filhotes deixam o ninho, salvo se o sangue correu. No último caso, a visão do sangue tem um efeito agressivo: ele estimula a picagem. É necessário isolar o filhote, tirar a pena que sangra e colocar um pó bactericida sobre a ferida.
Filhotes machos podem ser igualmente picados pelo pai que o deseja expulsar. Se os filhotes devem ser deixados na presença dos pais, é necessário dispor duma gaiola suficientemente grande ou colocar uma separação através da qual os pais poderão alimentar os filhotes. Quando uma gaiola é muito pequena, os pais têm tendência a picar os filhotes. Pode-se também evitar isto, colocando os pais e os filhotes que deixaram o ninho numa outra gaiola, onde não haverá ninho.

CONCLUSÃO

Os distúrbios de comportamento não são raros numa criação. Isto vem do fato de que se está longe das condições naturais bem como em matéria de ambiente, quer de material ou de alimentação. Cuidados de atenção e a experiência permitem evitá-los ou tratá-los. A maior parte dessas perturbações não são hereditárias e não duram de ano a ano. O criador deve ter interesse em possuir muitas fêmeas e vários machos de reserva; mudam o macho ou a fêmea sendo este o meio mais eficaz para pôr fim a uma distúrbio de comportamento que torna um casal improdutivo.

Autor: Ivo Leite

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Padrão do Gloster segundo a FOB


1. ORIGEM
Condado de Gloucester, Grã-Bretanha

2.HISTÓRICO
A origem da raça é bem conhecida, ao contrário da maioria das outras.
Em 1925 dois exemplares foram exibidos no National Show no Cristal Palace e, afortunadamente eles foram reconhecidos como uma nova raça pelo juiz A.W.Smith, já falecido.

Há mais de sessenta anos, ao fazer sua aparição, no tempo em que a raça Crested estava em seu apogeu, o GLOSTER foi objeto de muita polêmica. Muitos criadores daquele tempo relutaram em aceitá-los, considerando-os com maus exemplares do então rei da criação de canários, o Crested. Com incrível persistência, a Senhora Rogerson, e os Srs. A.W.Smith e John Mclay, um notável criador escocês, tornaram-se os pioneiros na criação desse novo e pequeno canário de forma. Enquanto a Senhora Rogerson obteve seus passáros partindo do cruzamento de Rollers de topete com Border de tamanho bem reduzido do plantel de J. H. Madagan, o Senhor Maclay cruzou seus menores Crested, que eram usados como amas para os grandes, com os menores Borders que conseguiu obter com os criadores escoceses. É preciso não esquecer que o Border de 1925 era um pássaro pequeno e de plumagem excelente e deste pequeno "wee gem" e do então considerado o rei da canaricultura, o Crested, se originou o pequeno pássaro que posteriormente passou a se chamar-se GLOSTER, corruptela de Gloucester, nome escolhido pelo juíz que primeiro aceitou, A. W. Smith.

Como toda raça que possui o topete, há exemplares com e sem topete, ou seja, o CORONA e o CONSORT, que apresentam características idênticas, executando-se o topete.

O GLOSTER IDEAL


É um pássaro pequeno, tendendo ao diminutivo.
O tamanho ideal é em torno dos 11 cm.

O topete é rico em penas, redondo, simétrico e perfeitamente aderente à nuca, cobrindo parte do bico e dos olhos. O ponto central de onde se irradiam as penas é um pequeno ponto de no máximo 1 mm de diâmetro.

O CONSORT possui a cabeça redonda sob todos os ângulos, penas longas e sobrancelhas bem evidentes, como devem ser todos os parceiros de pássaros de topete.

O bico é curto e cônico, olhos mais próximos do bico que da nuca, que com uma curva reversa quase imperceptível faz a concordância com o dorso.

O pescoço é curtíssimo e grosso, ligando a cabeça harmoniosamente ao dorso, peito e ombros, o dorso é ligeiramente arredondado, ombros largos, peito amplo com afunilamento pronunciado em direção à cauda (Pião).

A plumagem deve ser compacta, sem frisos ou penas soltas e são aceitas todas as cores, à exceção do fundo vermelho.

A postura se caracteriza por uma inclinação do corpo de aproximadamente 45º com a horizontal.

A cauda é curta, compacta, praticamente alinhada com a parte baixa do dorso.

As asas, também curtas, assentam-se perfeitamente sobre o dorso sem cruzar as pontas que se apoiam sobre a rabadilha.

As pernas que apresentam as coxas invisíveis na plumagem, são implantadas bem atrás do corpo, as canelas curtas com os dedos e unhas perfeitos e delicados, característicos das raças pequenas.

É um pássaro vivo, de movimentações constantes, que deve estar perfeitamente limpo e saudável para que esteja completo o pássaro ideal.

COMENTÁRIOS SOBRE OS ITENS DA TABELA


1. TAMANHO - 20 PONTOS
  • Pássaros com 13 cm ou mais devem ser desclassificados. Os nevados sempre se apresentam maiores que os intensos e pássaros intensos grandes devem ser também penalizados com extremo rigor.
  • A preferência é sempre, desde que idênticos em todos os outros pontos, pelo pássaro menor

2. CABEÇA/TOPETE - 20 PONTOS
  • Topetes elípticos, embora perfeitos, devem ser penalizados com rigor.
  • Topetes com falhas ou fendidos, levantados na nuca deixando à vista um área acima de 2mm de diâmetro, implicam em desclassificação do exemplar.
  • Topetes planos ou que cubram por demasiado o bico e os olhos devem ser penalizados com rigor.
  • Topetes com outra forma que não a circular devem ser penalizados.
  • Topetes cujas penas não estejam assentadas acompanhando a forma natural devem ser penalizados com rigor. Topetes em que a parte traseira não esteja aderente à nuca devem ser penalizados, proporcionalmente ao afastamento do padrão.
  • Penas com canos, normais em pássaros que estão em fase terminal da muda, devem ser penalizados, porém, de acordo com a quantidade delas. A cabeça faz parte do julgamento neste item, e deve ser analisada em suas partes aparentes da mesma forma que o é no CONSORT. 
  • Cabeças proporcionalmente pequenas devem ser penalizadas com rigor, assim como os pássaros de faces pontiagudas (pouca bochecha). Cabeças sem a elevação da fronte, topo plano, nuca arredondada destacando-se por demais da linha do dorso, olhos mal posicionados ou bico desproporcional devem ser penalizados proporcionalmente à deficiência. 
  • Ponto central de tamanho maior que o permitido deve ser penalizado com rigor de acordo com o tamanho do círculo calvo, acima de 2mm de diâmetro devem ser desclassificados. Pontos transformados em linha ou outras figuras devem ser penalizados com rigor. Pontos deslocados em relação ao centro do topo da cabeça devem ser penalizados de acordo com a importância da deficiência. A ausência dos cílios deve ser penalizada com rigor. Quando presentes, a penalização deve ser proporcional à deficiência na apresentação dos cílios.
3. FORMA - 20 PONTOS
  • Nuca perfeitamente alinhada com o dorso deve ser penalizada. Pescoço fino ou comprido devem ser penalizados com rigor
  • A linha do peito deve ser analisada em relação ao padrão. Peitos retos,dorsos corcundas ou côncavos, ombros, corpo muito comprido, asas cruzadas devem ser penalizados neste item, proporcionalmente à deficiência.
  • Pássaros compridos e finos devem ser penalizados com extremo rigor, principalmente os nevados.
4. PLUMAGEM - 15 PONTOS
  • A plumagem deve ser compacta. Pássaros com penas soltas que modifiquem o contorno externo devem ser penalizados, proporcionalmente às deficiências.
  • Pássaros com fachos muito pronunciados devem ser penalizados com rigor. Quistos na plumagem implicam em desclassificação.
5. POSIÇÃO - 10 PONTOS
  • Pássaros cuja posição seja nitidamente superior ou inferior aos 45º com a horizontal devem ser penalizados. Os pássaros de topete algumas vezes ficam um pouco mais elevados, principalmente quando o topete cobre grande parte dos olhos, o que deve ser penalizado no item referente.
  • Pássaros que se situam na horizontal ou próximo à vertical devem ser penalizados com extremo rigor.

6. CAUDA - 5 PONTOS
  • Caudas compridas ou abertas devem ser penalizadas. 
  • Caudas caídas ou levantadas devem ser penalizadas com rigor.


7. PERNAS E PÉS - 5 PONTOS
  • Pernas implantadas muito à frente devem ser penalizadas com extremo rigor. 
  • Canelas longas devem ser penalizadas com rigor.

8. CONDIÇÃO GERAL - 5 PONTOS
  • Pássaros sujos na plumagem, com escamas nos pés ou canelas e pássaros letárgicos devem ser penalizados.

Resumo Técnico da Raça GLOSTER


1. Tamanho - 20 pontos
O menor possível, sendo o ideal em torno dos 11cm


2. Topete/Cabeça - 20 pontos
Topete (corona): bem redondo e cheio com pontos central o menor possível, aderente à nuca. Olhos visíveis, bico cônico e pequeno.
Cabeça (consort): bem redonda e larga com penas longas e sobrancelhas bem evidentes.

3. Corpo/Forma - 20 pontos
Pescoço largo, separação cabeça/corpo invisível.
Peito bem largo, redondo e cheio, sem proeminências. Dorso bem cheio ligeiramente arredondado.

4. Plumagem - 15 pontos
Sedosa, compacta, brilhante e com cor natural.

5. Posição - 10 pontos
Altiva, aproximadamente 45º vom s horizontal
Movimentação constante.


6. Cauda - 5 pontos
Cauda curta, compacta, no alinhamento do dorso.



7. Pernas e Pés - 5 pontos
Pernas ligeiramente fletidas; com coxas invisíveis, canelas curtas.


8. Condição Geral - 5 pontos
Perfeitamente limpo e saudável.

GAIOLAS: 
Tipo canário de cor, com os poleiros redondos com diâmetro de 12mm, alinhados e afastados de 7,5cm


ANILHA: 
3,0mm


DEFEITOS DESCLASSIFICANTES:
  • Pássaros com topete parcialmente decomposto.
  • Pássaros de topete com ponto central com área acima de 2 mm de diâmetro.
  • Área calva aparente na nuca.
  • Pássaros com tamanho igual ou superior a 13 cm.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A importância do tamanho no Gloster

Tamanho e história do gloster

O pequeno tamanho no gloster sempre foi um aspecto importante ao longo da história de criação deste canário. Inclusive a grande razão para a criação da raça gloster durante o ano de 1920 foi a de produzir um pequeno canário com coroa. Esta foi a razão que levou a fundadora do gloster, Mrs Rogerson, conhecida criadora de Gloucestershire em Inglaterra, a seleccionar tal ave, este não apreciava de todo o tamanho exagerado do canário Crested, e começou a sua busca por um canário pequeno coroado.

Assim o pequeno tamanho tornou-se a linha mestra de selecção para Mrs Rogerson, e deveria ser também o principal aspecto de selecção dos restantes criadores que seguem os seus passos. Podemos assim dizer que é o tamanho do gloster que o distingue do canário Norwich ou Crested e se isto não for tido em conta não existe razão para separarmos este das raças anteriormente citadas.

Nos tempos modernos o tamanho tem sido um dos tópicos mais controversos entre os criadores de glosters. Quando falamos de tamanho, falamos do comprimento desde o bico até à ponta da cauda, no gloster deve ser o mais curto possível, mantendo o corpo, a forma pois actualmente buscamos um canário potente. Durante os últimos 40 anos um grande número de criadores de glosters, fizeram grandes melhorias na criação, surgiram as coroas redondas, longas e com poucas falhas, melhoram-se a cor e a qualidade da plumagem e mais recentemente corpos redondos que dão ao gloster uma distinta e particular forma. No entanto durante este período de rápida evolução, houve períodos em que a raça para evoluir nos pontos atrás assinalados, se descurou ligeiramente a questão tamanho. Por exemplo quando começaram a aparecer os primeiros glosters com coroas cadentes todos os vencedores procuraram trabalhar as mesmas, o que fez com que outras características fossem menosprezadas, incluindo o tamanho.

Esta tendência para dar pouca importância ao tamanho é um problema bem maior se compararmos a Inglaterra com o resto da Europa, criadores do continente, especialmente da Bélgica, sempre tiveram como prioridade o tamanho. Conseguimos ver ainda hoje que essa preocupação continua, com as recentes alterações COM de alocução de pontos com bastante ênfase para com o tamanho dos glosters. Outra grande diferença é que o sistema COM tem como ideal 11,5 cm, enquanto que na Inglaterra tal não existe no nosso standard, que diz simplesmente “tendency to the diminutive”, frase muito aberta a distintas interpretações.

Tamanho e criar bests in show

Quando tentamos criar glosters para vencer exposições, estamos a tentar produzir uma ave com excelente tipo/forma, isto significa ter uma coroa sem faltas, associado a uma boa queda de pena, redonda e com o tamanho apropriado, associado a um pescoço curto e a um corpo redondo e poderoso. Uma ave com todos estes aspectos é um Gloster fantástico! Contudo é muito mais fácil obter todos estes aspectos numa ave maior uma vez que podemos usar plumagens longas e curtas para aumentar cabeça, largura de pescoço e corpo nos nossos casais. È fácil de ver quanto é fácil obter tipo/forma numa ave maior ao analisarmos aves de exposição como por exemplo o Crested ou mesmo o Norwich, bons exemplares destas raças têm cabeças, coroas e pescoços que ultrapassam em muito o que obtemos no gloster, no entanto, tal só é conseguido num conjunto geral maior. Na realidade o que torna difícil a criação do nosso gloster é o facto de tentarmos ter tipo/forma numa ave pequena. Neste aspecto só alguns criadores experientes conseguem produzir glosters pequenos mantendo o tipo/forma e cabeça que todos amamos.

No entanto se permitirmos que aves maiores vençam shows, estamos a fazer com que criação de aves vencedoras seja mais fácil, e de certa forma não estamos a valorizar a habilidade e destreza de certos criadores em combinar tipo/forma num tamanho pequeno.

Se concordamos que é no pequeno tamanho que reside o desafio de criar bons glosters então temos de dar o mérito a esses criadores nas exposições.

Um gloster que seja curto desde o bico à cauda automaticamente parece melhor que uma ave cumprida, isto porque ao ser curto faz com que este pareça mais compacto fazendo com que corpo e pescoço pareçam melhor, mais compactos. No entanto é essencial que seja curtos por natureza, existe uma longa e indistinguível historia à volta de criadores de gloster devido a cortarem caudas de forma a parecem mais curtos. Esta prática é .... uma falta, tal como um centro da coroa deslocado à frente. Ao cortar a cauda o criador está a admitir que não conseguiu combinar tipo/forma e tamanho o suficiente, logo ao cortar a cauda está a tentar bater um colega que produziu uma ave melhor sem recurso a artifícios.

É importante que os juízes tenham a coragem de desclassificar aves que tenham caudas alteradas e mostrar claramente a razão de desclassificação da ave, se o juiz não tomar tal atitude então criadores honestos podem desistir de criar glosters ou começarem também a fazer batota.

O Futuro

No ultimo ano em Inglaterra a mensagem era para que aves grandes vencessem cada vez menos exposições. No entanto, continuam a haver demasiadas aves grandes a bater pequenos glosters que estão mais próximos daquilo que deveríamos procurar na raça. Existem também criadores noutros continentes e na Europa que estão a ficar preocupados com o aumento do tamanho dos glosters nas exposições.

Países como Portugal e Espanha onde a criação do gloster aumentou rapidamente em popularidade são os criadores do futuro, com muitas e excelentes aves criadas que levaram o Gloster para outros níveis. Seria excelente se estes criadores estudassem alguns dos erros cometidos pelos criadores Ingleses nos últimos 40 anos de forma a poderem evitar alguns problemas que possam surgir nos próximos 40 anos.

Por Rob Wright, publicado na Revista O Gloster nº 12

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A mutação intenso

Exclusiva do canário, a mutação intenso reveste-se de aspectos de extraordinária raridade e de grande interesse cientifíco. É geneticamente dominante e sub-letal, provavelmente com um aspecto de expressiva variabilidade, e compreende o antigimento pelo lipocromo da ponta da pena, cujas bárbulas são mais curtas. A expressão lipocrômica é muito forte e a forma do corpo é mais leve e esbelta.

O gene responsável por esta mutação é pleiotrópico, ou seja ele  influencia várias características do portador. Nos sujeitos homozigotos, as características se exaltam, reduzindo o seu tamanho, com plumagem muito curta e fortíssima expressão do lipocromo.
Existem fortes variações de um indivíduo para outro, podendo ser mais ou menos evidentes os resíduos de nevadismo. Nos machos, a atuação do fator intenso é geralmente mais forte.

Um fenômeno excepcionalmente notável, que permanece sem explicação e que nunca havia acontecido anteriormente, é o fato da categoria nevado (forma ancestral) precisar de cruzamento misto com a mutação intenso. Efetivamente, o sucessivo cruzamento entre nevados é desaconselhado, uma vez que se obtêm todos os filhotes nevados, normalmente de má qualidade, com nevadismo excessivo que pode estender-se às zonas "de eleição", com carência de lipocromo e, por fim, tendência à plumagem muito abundante. Em caso de repetidos cruzamentos entre exemplares nevados, essas características negativas tendem a aumentar.
Na natureza, os canários se reproduzem sempre entre exemplares nevados sem qualquer problema, mesmo porque não há intensos. No entanto, em cativeiro, o mesmo tipo de cruzamento produz os resultados negativos acima citados. Por outro lado, o acasalamento entre exemplares intensos e nevados permite o nascimento de nevados de boa qualidade e equilibrados. Em todas as espécies criadas em cativeiro, a regra geral é que maiores serão o equilíbrio e a vitalidade dos filhotes quanto mais fortes forem as características presentes do tipo ancestral. É realmente difícil explicar esta exceção nos canários!

Infelizmente são poucos os que se aprofundam no problema. Na minha opinião, provavelmente o fenômeno é uma conseqüência induzida pela mutação intenso, que pode ser capaz de induzir outras mutações e de modificar, mesmo que não de forma evidente a própria forma genética.

Um outro problema a ser considerado é por que os nevados resultantes do cruzamento entre intensos e nevados são bons. Acredito que possa ocorrer um fenômeno semelhante ao da heterogênese não transmissível. Os nevados obtidos de acasalamentos entre dois exemplares intensos, nascidos na probabilidade de 25% dos filhotes, geralmente apresentam uma situação de excesso que os faz semelhantes aos obtidos através de cruzamnetos puros. Por outro lado, usando uma fêmea intensa com um macho nevado, obtêm-se em geral, apenas como uma tendênmcia, resultados ligeiramente melhores que os obtidos quando se usam uma fêmea nevada com um macho intenso. A regra é válida tanto para os filhotes intensos quanto para os nevados. Os intensos tendem a apresentar uma melhor intensidade de cor, e os nevados, um ótimo equilíbrio e bom nevadismo.

terça-feira, 27 de março de 2012

Siglas dos Clubes filiados à FOB

As imagens abaixo foram extraídas de uma página do Anuário da FOB e apresenta a lista dos clubes ativos filiados em 2012 com as respectivas siglas



Identificação nas anilhas FOB

Essas são as informações que constam nas anilhas FOB:



Sigla da FOB; Código do Criador; Ano de nascimento do pássaro; Sigla do clube, Número do Anel 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Ácaro da traquéia - O Fantasma dos Criadores de Canários

Nomes estranhos como Sternostoma tracheacolum, mais comum, Cytodites nodus ou Psittanyssua e mais uns 30 nomes esquisitos como estes, não assustam tanto o criador de canários quanto ouvir o simples apelido "ácaro de traquéia". Estes são alguns dos tipos desse verdadeiro fantasma para os canaricultores do Brasil e do mundo.

O ácaro de traquéia encontra-se no meio ambiente, alimentando-se de detritos e poeira. Instala-se oportunamente nas vias respiratórias das aves, podendo atacar a traquéia, sacos aéreos, pulmões e até mesmo ossos pneumáticos. Esses ácaros provocam lesões inflamatórias no trato respiratório, provocando irritação e perda da "voz", e em casos extremos pode ocorrer morte por asfixia devido a alta infestação.

O tratamento de eleição para controlar esses ácaros é o uso da ivermectina, administrada de 15 em 15 dias até sanar o problema. Tomar cuidado com a época de aplicação e período de recesso na reprodução, para sucesso no tratamento.

Esses períodos devem ser analisados e determinados pelo veterinário responsável pelo plantel, de acordo com a espécie, condições nutricionais e fisiológicas da ave.

Ao se necropsiar uma ave parasitada por ácaros, encontra-se um quadro de intensa irritação do trato respiratório (pontinhos pretos) desde a traquéia até os pulmões. Essa irritação provoca dificuldade respiratória, queda no sistema imunológico e uma conseqüente instalação de patologias, secundárias (Mycoplasma, bactérias, vírus, fungos) que geralmente são a causa das mortes nas aves. Muitas vezes, mesmo matando o ácaro, as cicatrizes das lesões não permitem uma total recuperação da "voz", e em outros casos não se observam seqüelas.

Levando-se em conta a grande extensão do sistema respiratório das aves, a cronificação dessas infecções secundárias pode tornar-se um problema de difícil solução por atingir os sacos aéreos que estão distribuídos por todo corpo. É fundamental que o veterinário diagnostique e trate essas infecções para evitar a morte do animal.

Esse é o maior erro de todos os criadores, achar que o ácaro é um problema isolado enquanto ele apenas abre portas para infecções mais sérias. A ivermectina apenas mata o ácaro, enquanto a infecção secundária deve receber a terapia específica.

Qualquer terapia não deixa de ser mais um estresse para o animal, de onde devemos concluir que a prevenção continua sendo a melhor via de sucesso na criação. Isto não significa o uso de medicamentos para a prevenção que é praticamente um crime, e sim, cuidados de manejo como alimentação balanceada e contínua (sem mudanças bruscas), ausência de correntes de vento, evitar levantar poeira no criadouro (varrições) e outras formas de estresse conhecidas pelo criador.

Com uma prevenção cuidadosa e a detecção imediata das mais discretas alterações, o fantasma torna-se o que na verdade sempre foi : Nada.

Rodrigo Silva Miguel
médico veterinário (CRMV SP 10.552)
Criador de Aves Ornamentais

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ácaros, piolhos e o uso da Ivermectina

[...]
Os ectoparasitas, nas aves, se subdividem em dois grandes grupos de importância: piolhos e sarnas. E os carrapatos?! Também pertence aos ácaros, mas para nós aqui hoje em pássaros não possui muita importância. Esses piolhos e ácaros são subdivididos em chupadores (sangue) ou mastigadores (pena).

Sabendo-se disso vamos entender como funciona a ivermectina. Esta deve ser absorvida pelo organismo seja de forma tópica, oral ou outra via e ser metabolizada no fígado tornando-se ativa. Ela age efetivamente causando uma "paralisia muscular" do parasita e este acaba morrendo de inanição na maioria das vezes. Então já cai a primeira lenda: não adianta usar ivermectina direto em cima do parasita em questão, pois tem que ser metabolizado no fígado da ave.

A segunda lenda é que, como a maioria dos ectoparasitas nas aves são mastigadores, o produto não fará efeito pois a ave esta comendo penas e o não terá contato com o produto. Então meus amigos usar ivermectina e ainda mais de forma indiscriminada para ectoparasitas há grandes chances de errar. E por outro lado vermifugar a ave com o produto vocês já viram na edição passada que é desperdício de tempo e dinheiro.

Vejo milhares de pessoas usando 1 gotinha de ivermectina na coxa ou no bico ou o que é pior, veterinários repetindo e propagando o erro em suas consultas dizendo que estão vermifugando a ave ou que é profilaxia para piolhos... e o pior que as pessoas acreditam e chega ao ponto da pessoa falar que você não vermifugou a ave dela na consulta... putz aí é o fim da picada aí essa pessoa merece ganhar a coletânea da Revista Pássaros para ler e fazer uma lavagem cerebral de conhecimento.

Hoje existem produtos veterinários a base de ivermectina que possui as suas indicações, mas vejo tanta pessoa usar errado aí depois reclama que intoxicou ou que o produto é ruim. O problema está quando e onde usar. Essa é a grande questão. O exemplo clássico é sempre assim: minha ave está se coçando e já usei 1 gotinha na coxa e já usei o produto veterinário e ela continua se coçando e arrancando penas.
A resposta é simples: usar gotinha na coxa não é dosagem e nem terapêutica, isso é curandeirismo e não medicina veterinária preventiva. Segunda: mesmo que tenha usado o medicamento veterinário indicado para aves, registrado tudo certinho, com certeza fez subdosagem. O produto é claro, é 1 gota para 5g de peso da ave. A pessoa quer fazer 3 gotas num Trinca Ferro... aí fica difícil. No mínimo ele vai pesar 70g, o que daria 14 gotas do produto em contato direto com a pele. Outro erro: muita gente não afasta as penas para administrar o produto corretamente. O produto é bom, mas não sabem usar. E por fim, se você fez tudo certo ficará triste agora: a ivermectina não possui ação sobre ectoparasitas malófagos (mastigadores)... ahhh... que triste... eu sei é um choque para todas as pessoas.

Ahh... antes que me esqueça, usar spray mata barata para acabar com piolhos também é pajelança e das brabas mesmo. Eu não sei o que leva uma pessoa a usar um produto que mata barata na sua ave de estimação! Podia usar na cabeça do filho também né!? Depois dessa proponho ate uma pausa para retomar o ar...

Aí sua ave continua se coçando; daí já evolui para automutilação e piora tudo. Outro exemplo é a ave que coça o olho no poleiro. Com quase toda certeza está com sarna. "... Mas o Dr. lá falou que era conjuntivite no meu curió". Pode até ser, mas a causa primária foi pela sarna. Os sinais são claros: irritabilidade, coceira, emagrecimento, etc.

Quando falo muitas vezes para a pessoa que a ave possui piolho ou ácaro ela tira o poleiro e bate no papel branco. Todos já fizeram isso. Todos querem ver o danadinho! Mas neste caso de bater o poleiro só vera piolhos vermelhos que chupam sangue das aves. Nesse sim, a ivermectina fará efeito, assim como nos ácaros que parasitam as vias aéreas principalmente de canários. Mas nem tudo é isso e muitas vezes devem ter uma Micoplasmose associada e cura não é total. Não é tão difícil de uma ave possuir piolhos vermelhos, mas é mais comum quando tem ninho e podem levar a morte rapidamente os filhotinhos.

Então Dr. Felipe, qual o melhor produto ou o mais indicado para esses piolhos ou ácaros que mastigam penas. Logicamente tem que ser um produto por contato. Que mate o ectoparasita quando entra em contato diretamente. Temos hoje produtos em pó ou líquidos. Eu particularmente não uso os produtos em pó pelo risco da ave esfregar o olho nas penas e ingestão do produto. Além do mais você fazer na clinica é uma coisa. A pessoa fazer em casa é totalmente diferente. A pessoa não consegue manusear a calopsita tão bem quanto você e ainda mais colocar produto em pó?! Com certeza vai uma pitada no olho.

Eu prefiro os produtos líquidos, pois além de penetrar facilmente as penas e encharcar rapidamente a ave pode pegar nas mucosas que nada irá acontecer com a ave. Irritabilidade são raras pelo produto. O detalhe é fazer isso em dias quentes e secar a sombra ou ao sol dependendo do produto. Hoje existem produtos naturais muito bons, porém estes devem ser feitos por mais tempo e em intervalos menores de administração. E jamais esquecer que dependendo da espécie mais de 90% dos ectoparasitas está nas instalações do criadouro e gaiola, outro erro crucial.

Toda ave é susceptível a piolhos e ácaros. A melhor maneira de evitar é profilaxia e controle. As mesmas coisas que comentamos sempre: quarentena de aves novas; exames rotineiros e ter um acompanhamento de um profissional especializado.

Dr Felipe Bath, veterinário especializado em pássaros

Meus comentários e conclusões:

  1. Uso da ivermectina não é eficiente para todos os ectoparasitas, mas somente para os chupadores. Então para tratamento de piolhos ou ácaros que mastigam penas, é recomensado usar outro produto, como Kill Red
  2. O uso mais recomendado da ivermectina é para ácaros na traquéia e piolhos vemelho chupadores de sangue.
  3. O meio de aplicação correta é por contato com a pele, baseado na posologia indicada na bula.
  4. A forma mais indicada para administrar ivermectina nos pássaros é através do Allax, cuja posologia é 1 gota a cada 5 gramas de peso vivo, aplicado na parte de trás do pescoço, por baixo das penas (na pele).
  5. Portanto não é recomensado usar Ivomec pra gado ou ovinos, pelo risco da superdosagem.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Tamanho e história do gloster

 O pequeno tamanho no gloster sempre foi um aspecto importante ao longo da história de criação deste canário. Inclusive a grande razão para a criação da raça gloster durante o ano de 1920 foi a de produzir um pequeno canário com coroa. Esta foi a razão que levou a fundadora do gloster, Mrs Rogerson, conhecida criadora de Gloucestershire em Inglaterra, a seleccionar tal ave, este não apreciava de todo o tamanho exagerado do canário Crested, e começou a sua busca por um canário pequeno coroado.

Assim o pequeno tamanho tornou-se a linha mestra de selecção para Mrs Rogerson, e deveria ser também o principal aspecto de selecção dos restantes criadores que seguem os seus passos. Podemos assim dizer que é o tamanho do gloster que o distingue do canário Norwich ou Crested e se isto não for tido em conta não existe razão para separarmos este das raças anteriormente citadas.

Nos tempos modernos o tamanho tem sido um dos tópicos mais controversos entre os criadores de glosters. Quando falamos de tamanho, falamos do comprimento desde o bico até à ponta da cauda, no gloster deve ser o mais curto possível, mantendo o corpo, a forma pois actualmente buscamos um canário potente. Durante os últimos 40 anos um grande número de criadores de glosters, fizeram grandes melhorias na criação, surgiram as coroas redondas, longas e com poucas falhas, melhorouse a cor e a qualidade da plumagem e mais recentemente corpos redondos que dão ao gloster uma distinta e particular forma. No entanto durante este período de rápida evolução, houve períodos em que a raça para evoluir nos pontos atrás assinalados, se descurou ligeiramente a questão tamanho. Por exemplo quando começaram a aparecer os primeiros glosters com coroas cadentes todos os vencedores procuraram trabalhar as mesmas, o que fez com que outras características fossem menosprezadas, incluindo o tamanho.

Esta tendência para dar pouca importância ao tamanho é um problema bem maior se compararmos a Inglaterra com o resto da Europa, criadores do continente, especialmente da Bélgica, sempre tiveram como prioridade o tamanho. Conseguimos ver ainda hoje que essa preocupação continua, com as recentes alterações COM de alocução de pontos com bastante ênfase para com o tamanho dos glosters. Outra grande diferença é que o sistema COM tem como ideal 11,5 cm, enquanto que na Inglaterra tal não existe no nosso standard, que diz simplesmente “tendency to the diminutive”, frase muito aberta a distintas  interpretações.

Tamanho e criar bests in show

Quando tentamos criar glosters para vencer exposições, estamos a tentar produzir uma ave com excelente tipo/forma, isto significa ter uma coroa sem faltas, associado a uma boa queda de pena, redonda e com o tamanho apropriado, associado a um pescoço curto e a um corpo redondo e poderoso. Uma ave com todos estes aspectos é um Gloster fantástico! Contudo é muito mais fácil obter todos estes aspectos numa ave maior uma vez que podemos usar plumagens longas e curtas para aumentar cabeça, largura de pescoço e corpo nos nossos casais. È fácil de ver quanto é fácil obter tipo/forma numa ave maior ao analisarmos aves de exposição como por exemplo o Crested ou mesmo o Norwich, bons exemplares destas raças têm cabeças, coroas e pescoços que ultrapassam em muito o que obtemos no gloster, no entanto, tal só é conseguido num conjunto geral maior. Na realidade o que torna difícil a criação do nosso gloster é o facto de tentarmos ter tipo/forma numa ave pequena. Neste aspecto só alguns criadores experientes conseguem produzir glosters pequenos mantendo o tipo/forma e cabeça que todos amamos.

No entanto se permitirmos que aves maiores vençam shows, estamos a fazer com que criação de aves vencedoras seja mais fácil, e de certa forma não estamos a valorizar a habilidade e destreza de certos criadores em combinar tipo/forma num tamanho pequeno.

Se concordamos que é no pequeno tamanho que reside o desafio de criar bons glosters então temos de dar o mérito a esses criadores nas exposições.

Um gloster que seja curto desde o bico à cauda automaticamente parece melhor que uma ave cumprida, isto porque ao ser curto faz com que este pareça mais compacto fazendo com que corpo e pescoço  pareçam melhor, mais compactos. No entanto é essencial que seja curtos por natureza, existe uma longa e indistinguível historia à volta de criadores de gloster devido a cortarem caudas de forma a parecem mais
curtos. Esta prática é .... uma falta, tal como um centro da coroa deslocado à frente. Ao cortar a cauda o criador está a admitir que não conseguiu combinar tipo/forma e tamanho o suficiente, logo ao cortar a cauda está a tentar bater um colega que produziu uma ave melhor sem recurso a artifícios.

É importante que os juízes tenham a coragem de desclassificar aves que tenham caudas alteradas e mostrar claramente a razão de desclassificação da ave, se o juiz não tomar tal atitude então criadores honestos podem desistir de criar glosters ou começarem também a fazer batota.

O Futuro

No ultimo ano em Inglaterra a mensagem era para que aves grandes vencessem cada vez menos exposições. No entanto, continuam a haver demasiadas aves grandes a bater pequenos glosters que estão mais próximos daquilo que deveríamos procurar na raça. Existem também criadores noutros continentes e na Europa que estão a ficar preocupados com o aumento do tamanho dos glosters nas exposições.

Países como Portugal e Espanha onde a criação do gloster aumentou rapidamente em popularidade são os criadores do futuro, com muitas e excelentes aves criadas que levaram o Gloster para outros níveis. Seria excelente se estes criadores estudassem alguns dos erros cometidos pelos criadores Ingleses nos últimos 40 anos de forma a poderem evitar alguns problemas que possam surgir nos próximos 40 anos.

Rob Wright
Reprodução do artigo publicado na revista o Gloster nº12