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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Padrão do Gloster segundo a FOB


1. ORIGEM
Condado de Gloucester, Grã-Bretanha

2.HISTÓRICO
A origem da raça é bem conhecida, ao contrário da maioria das outras.
Em 1925 dois exemplares foram exibidos no National Show no Cristal Palace e, afortunadamente eles foram reconhecidos como uma nova raça pelo juiz A.W.Smith, já falecido.

Há mais de sessenta anos, ao fazer sua aparição, no tempo em que a raça Crested estava em seu apogeu, o GLOSTER foi objeto de muita polêmica. Muitos criadores daquele tempo relutaram em aceitá-los, considerando-os com maus exemplares do então rei da criação de canários, o Crested. Com incrível persistência, a Senhora Rogerson, e os Srs. A.W.Smith e John Mclay, um notável criador escocês, tornaram-se os pioneiros na criação desse novo e pequeno canário de forma. Enquanto a Senhora Rogerson obteve seus passáros partindo do cruzamento de Rollers de topete com Border de tamanho bem reduzido do plantel de J. H. Madagan, o Senhor Maclay cruzou seus menores Crested, que eram usados como amas para os grandes, com os menores Borders que conseguiu obter com os criadores escoceses. É preciso não esquecer que o Border de 1925 era um pássaro pequeno e de plumagem excelente e deste pequeno "wee gem" e do então considerado o rei da canaricultura, o Crested, se originou o pequeno pássaro que posteriormente passou a se chamar-se GLOSTER, corruptela de Gloucester, nome escolhido pelo juíz que primeiro aceitou, A. W. Smith.

Como toda raça que possui o topete, há exemplares com e sem topete, ou seja, o CORONA e o CONSORT, que apresentam características idênticas, executando-se o topete.

O GLOSTER IDEAL


É um pássaro pequeno, tendendo ao diminutivo.
O tamanho ideal é em torno dos 11 cm.

O topete é rico em penas, redondo, simétrico e perfeitamente aderente à nuca, cobrindo parte do bico e dos olhos. O ponto central de onde se irradiam as penas é um pequeno ponto de no máximo 1 mm de diâmetro.

O CONSORT possui a cabeça redonda sob todos os ângulos, penas longas e sobrancelhas bem evidentes, como devem ser todos os parceiros de pássaros de topete.

O bico é curto e cônico, olhos mais próximos do bico que da nuca, que com uma curva reversa quase imperceptível faz a concordância com o dorso.

O pescoço é curtíssimo e grosso, ligando a cabeça harmoniosamente ao dorso, peito e ombros, o dorso é ligeiramente arredondado, ombros largos, peito amplo com afunilamento pronunciado em direção à cauda (Pião).

A plumagem deve ser compacta, sem frisos ou penas soltas e são aceitas todas as cores, à exceção do fundo vermelho.

A postura se caracteriza por uma inclinação do corpo de aproximadamente 45º com a horizontal.

A cauda é curta, compacta, praticamente alinhada com a parte baixa do dorso.

As asas, também curtas, assentam-se perfeitamente sobre o dorso sem cruzar as pontas que se apoiam sobre a rabadilha.

As pernas que apresentam as coxas invisíveis na plumagem, são implantadas bem atrás do corpo, as canelas curtas com os dedos e unhas perfeitos e delicados, característicos das raças pequenas.

É um pássaro vivo, de movimentações constantes, que deve estar perfeitamente limpo e saudável para que esteja completo o pássaro ideal.

COMENTÁRIOS SOBRE OS ITENS DA TABELA


1. TAMANHO - 20 PONTOS
  • Pássaros com 13 cm ou mais devem ser desclassificados. Os nevados sempre se apresentam maiores que os intensos e pássaros intensos grandes devem ser também penalizados com extremo rigor.
  • A preferência é sempre, desde que idênticos em todos os outros pontos, pelo pássaro menor

2. CABEÇA/TOPETE - 20 PONTOS
  • Topetes elípticos, embora perfeitos, devem ser penalizados com rigor.
  • Topetes com falhas ou fendidos, levantados na nuca deixando à vista um área acima de 2mm de diâmetro, implicam em desclassificação do exemplar.
  • Topetes planos ou que cubram por demasiado o bico e os olhos devem ser penalizados com rigor.
  • Topetes com outra forma que não a circular devem ser penalizados.
  • Topetes cujas penas não estejam assentadas acompanhando a forma natural devem ser penalizados com rigor. Topetes em que a parte traseira não esteja aderente à nuca devem ser penalizados, proporcionalmente ao afastamento do padrão.
  • Penas com canos, normais em pássaros que estão em fase terminal da muda, devem ser penalizados, porém, de acordo com a quantidade delas. A cabeça faz parte do julgamento neste item, e deve ser analisada em suas partes aparentes da mesma forma que o é no CONSORT. 
  • Cabeças proporcionalmente pequenas devem ser penalizadas com rigor, assim como os pássaros de faces pontiagudas (pouca bochecha). Cabeças sem a elevação da fronte, topo plano, nuca arredondada destacando-se por demais da linha do dorso, olhos mal posicionados ou bico desproporcional devem ser penalizados proporcionalmente à deficiência. 
  • Ponto central de tamanho maior que o permitido deve ser penalizado com rigor de acordo com o tamanho do círculo calvo, acima de 2mm de diâmetro devem ser desclassificados. Pontos transformados em linha ou outras figuras devem ser penalizados com rigor. Pontos deslocados em relação ao centro do topo da cabeça devem ser penalizados de acordo com a importância da deficiência. A ausência dos cílios deve ser penalizada com rigor. Quando presentes, a penalização deve ser proporcional à deficiência na apresentação dos cílios.
3. FORMA - 20 PONTOS
  • Nuca perfeitamente alinhada com o dorso deve ser penalizada. Pescoço fino ou comprido devem ser penalizados com rigor
  • A linha do peito deve ser analisada em relação ao padrão. Peitos retos,dorsos corcundas ou côncavos, ombros, corpo muito comprido, asas cruzadas devem ser penalizados neste item, proporcionalmente à deficiência.
  • Pássaros compridos e finos devem ser penalizados com extremo rigor, principalmente os nevados.
4. PLUMAGEM - 15 PONTOS
  • A plumagem deve ser compacta. Pássaros com penas soltas que modifiquem o contorno externo devem ser penalizados, proporcionalmente às deficiências.
  • Pássaros com fachos muito pronunciados devem ser penalizados com rigor. Quistos na plumagem implicam em desclassificação.
5. POSIÇÃO - 10 PONTOS
  • Pássaros cuja posição seja nitidamente superior ou inferior aos 45º com a horizontal devem ser penalizados. Os pássaros de topete algumas vezes ficam um pouco mais elevados, principalmente quando o topete cobre grande parte dos olhos, o que deve ser penalizado no item referente.
  • Pássaros que se situam na horizontal ou próximo à vertical devem ser penalizados com extremo rigor.

6. CAUDA - 5 PONTOS
  • Caudas compridas ou abertas devem ser penalizadas. 
  • Caudas caídas ou levantadas devem ser penalizadas com rigor.


7. PERNAS E PÉS - 5 PONTOS
  • Pernas implantadas muito à frente devem ser penalizadas com extremo rigor. 
  • Canelas longas devem ser penalizadas com rigor.

8. CONDIÇÃO GERAL - 5 PONTOS
  • Pássaros sujos na plumagem, com escamas nos pés ou canelas e pássaros letárgicos devem ser penalizados.

Resumo Técnico da Raça GLOSTER


1. Tamanho - 20 pontos
O menor possível, sendo o ideal em torno dos 11cm


2. Topete/Cabeça - 20 pontos
Topete (corona): bem redondo e cheio com pontos central o menor possível, aderente à nuca. Olhos visíveis, bico cônico e pequeno.
Cabeça (consort): bem redonda e larga com penas longas e sobrancelhas bem evidentes.

3. Corpo/Forma - 20 pontos
Pescoço largo, separação cabeça/corpo invisível.
Peito bem largo, redondo e cheio, sem proeminências. Dorso bem cheio ligeiramente arredondado.

4. Plumagem - 15 pontos
Sedosa, compacta, brilhante e com cor natural.

5. Posição - 10 pontos
Altiva, aproximadamente 45º vom s horizontal
Movimentação constante.


6. Cauda - 5 pontos
Cauda curta, compacta, no alinhamento do dorso.



7. Pernas e Pés - 5 pontos
Pernas ligeiramente fletidas; com coxas invisíveis, canelas curtas.


8. Condição Geral - 5 pontos
Perfeitamente limpo e saudável.

GAIOLAS: 
Tipo canário de cor, com os poleiros redondos com diâmetro de 12mm, alinhados e afastados de 7,5cm


ANILHA: 
3,0mm


DEFEITOS DESCLASSIFICANTES:
  • Pássaros com topete parcialmente decomposto.
  • Pássaros de topete com ponto central com área acima de 2 mm de diâmetro.
  • Área calva aparente na nuca.
  • Pássaros com tamanho igual ou superior a 13 cm.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A importância do tamanho no Gloster

Tamanho e história do gloster

O pequeno tamanho no gloster sempre foi um aspecto importante ao longo da história de criação deste canário. Inclusive a grande razão para a criação da raça gloster durante o ano de 1920 foi a de produzir um pequeno canário com coroa. Esta foi a razão que levou a fundadora do gloster, Mrs Rogerson, conhecida criadora de Gloucestershire em Inglaterra, a seleccionar tal ave, este não apreciava de todo o tamanho exagerado do canário Crested, e começou a sua busca por um canário pequeno coroado.

Assim o pequeno tamanho tornou-se a linha mestra de selecção para Mrs Rogerson, e deveria ser também o principal aspecto de selecção dos restantes criadores que seguem os seus passos. Podemos assim dizer que é o tamanho do gloster que o distingue do canário Norwich ou Crested e se isto não for tido em conta não existe razão para separarmos este das raças anteriormente citadas.

Nos tempos modernos o tamanho tem sido um dos tópicos mais controversos entre os criadores de glosters. Quando falamos de tamanho, falamos do comprimento desde o bico até à ponta da cauda, no gloster deve ser o mais curto possível, mantendo o corpo, a forma pois actualmente buscamos um canário potente. Durante os últimos 40 anos um grande número de criadores de glosters, fizeram grandes melhorias na criação, surgiram as coroas redondas, longas e com poucas falhas, melhoram-se a cor e a qualidade da plumagem e mais recentemente corpos redondos que dão ao gloster uma distinta e particular forma. No entanto durante este período de rápida evolução, houve períodos em que a raça para evoluir nos pontos atrás assinalados, se descurou ligeiramente a questão tamanho. Por exemplo quando começaram a aparecer os primeiros glosters com coroas cadentes todos os vencedores procuraram trabalhar as mesmas, o que fez com que outras características fossem menosprezadas, incluindo o tamanho.

Esta tendência para dar pouca importância ao tamanho é um problema bem maior se compararmos a Inglaterra com o resto da Europa, criadores do continente, especialmente da Bélgica, sempre tiveram como prioridade o tamanho. Conseguimos ver ainda hoje que essa preocupação continua, com as recentes alterações COM de alocução de pontos com bastante ênfase para com o tamanho dos glosters. Outra grande diferença é que o sistema COM tem como ideal 11,5 cm, enquanto que na Inglaterra tal não existe no nosso standard, que diz simplesmente “tendency to the diminutive”, frase muito aberta a distintas interpretações.

Tamanho e criar bests in show

Quando tentamos criar glosters para vencer exposições, estamos a tentar produzir uma ave com excelente tipo/forma, isto significa ter uma coroa sem faltas, associado a uma boa queda de pena, redonda e com o tamanho apropriado, associado a um pescoço curto e a um corpo redondo e poderoso. Uma ave com todos estes aspectos é um Gloster fantástico! Contudo é muito mais fácil obter todos estes aspectos numa ave maior uma vez que podemos usar plumagens longas e curtas para aumentar cabeça, largura de pescoço e corpo nos nossos casais. È fácil de ver quanto é fácil obter tipo/forma numa ave maior ao analisarmos aves de exposição como por exemplo o Crested ou mesmo o Norwich, bons exemplares destas raças têm cabeças, coroas e pescoços que ultrapassam em muito o que obtemos no gloster, no entanto, tal só é conseguido num conjunto geral maior. Na realidade o que torna difícil a criação do nosso gloster é o facto de tentarmos ter tipo/forma numa ave pequena. Neste aspecto só alguns criadores experientes conseguem produzir glosters pequenos mantendo o tipo/forma e cabeça que todos amamos.

No entanto se permitirmos que aves maiores vençam shows, estamos a fazer com que criação de aves vencedoras seja mais fácil, e de certa forma não estamos a valorizar a habilidade e destreza de certos criadores em combinar tipo/forma num tamanho pequeno.

Se concordamos que é no pequeno tamanho que reside o desafio de criar bons glosters então temos de dar o mérito a esses criadores nas exposições.

Um gloster que seja curto desde o bico à cauda automaticamente parece melhor que uma ave cumprida, isto porque ao ser curto faz com que este pareça mais compacto fazendo com que corpo e pescoço pareçam melhor, mais compactos. No entanto é essencial que seja curtos por natureza, existe uma longa e indistinguível historia à volta de criadores de gloster devido a cortarem caudas de forma a parecem mais curtos. Esta prática é .... uma falta, tal como um centro da coroa deslocado à frente. Ao cortar a cauda o criador está a admitir que não conseguiu combinar tipo/forma e tamanho o suficiente, logo ao cortar a cauda está a tentar bater um colega que produziu uma ave melhor sem recurso a artifícios.

É importante que os juízes tenham a coragem de desclassificar aves que tenham caudas alteradas e mostrar claramente a razão de desclassificação da ave, se o juiz não tomar tal atitude então criadores honestos podem desistir de criar glosters ou começarem também a fazer batota.

O Futuro

No ultimo ano em Inglaterra a mensagem era para que aves grandes vencessem cada vez menos exposições. No entanto, continuam a haver demasiadas aves grandes a bater pequenos glosters que estão mais próximos daquilo que deveríamos procurar na raça. Existem também criadores noutros continentes e na Europa que estão a ficar preocupados com o aumento do tamanho dos glosters nas exposições.

Países como Portugal e Espanha onde a criação do gloster aumentou rapidamente em popularidade são os criadores do futuro, com muitas e excelentes aves criadas que levaram o Gloster para outros níveis. Seria excelente se estes criadores estudassem alguns dos erros cometidos pelos criadores Ingleses nos últimos 40 anos de forma a poderem evitar alguns problemas que possam surgir nos próximos 40 anos.

Por Rob Wright, publicado na Revista O Gloster nº 12

terça-feira, 27 de março de 2012

Identificação nas anilhas FOB

Essas são as informações que constam nas anilhas FOB:



Sigla da FOB; Código do Criador; Ano de nascimento do pássaro; Sigla do clube, Número do Anel 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Tamanho e história do gloster

 O pequeno tamanho no gloster sempre foi um aspecto importante ao longo da história de criação deste canário. Inclusive a grande razão para a criação da raça gloster durante o ano de 1920 foi a de produzir um pequeno canário com coroa. Esta foi a razão que levou a fundadora do gloster, Mrs Rogerson, conhecida criadora de Gloucestershire em Inglaterra, a seleccionar tal ave, este não apreciava de todo o tamanho exagerado do canário Crested, e começou a sua busca por um canário pequeno coroado.

Assim o pequeno tamanho tornou-se a linha mestra de selecção para Mrs Rogerson, e deveria ser também o principal aspecto de selecção dos restantes criadores que seguem os seus passos. Podemos assim dizer que é o tamanho do gloster que o distingue do canário Norwich ou Crested e se isto não for tido em conta não existe razão para separarmos este das raças anteriormente citadas.

Nos tempos modernos o tamanho tem sido um dos tópicos mais controversos entre os criadores de glosters. Quando falamos de tamanho, falamos do comprimento desde o bico até à ponta da cauda, no gloster deve ser o mais curto possível, mantendo o corpo, a forma pois actualmente buscamos um canário potente. Durante os últimos 40 anos um grande número de criadores de glosters, fizeram grandes melhorias na criação, surgiram as coroas redondas, longas e com poucas falhas, melhorouse a cor e a qualidade da plumagem e mais recentemente corpos redondos que dão ao gloster uma distinta e particular forma. No entanto durante este período de rápida evolução, houve períodos em que a raça para evoluir nos pontos atrás assinalados, se descurou ligeiramente a questão tamanho. Por exemplo quando começaram a aparecer os primeiros glosters com coroas cadentes todos os vencedores procuraram trabalhar as mesmas, o que fez com que outras características fossem menosprezadas, incluindo o tamanho.

Esta tendência para dar pouca importância ao tamanho é um problema bem maior se compararmos a Inglaterra com o resto da Europa, criadores do continente, especialmente da Bélgica, sempre tiveram como prioridade o tamanho. Conseguimos ver ainda hoje que essa preocupação continua, com as recentes alterações COM de alocução de pontos com bastante ênfase para com o tamanho dos glosters. Outra grande diferença é que o sistema COM tem como ideal 11,5 cm, enquanto que na Inglaterra tal não existe no nosso standard, que diz simplesmente “tendency to the diminutive”, frase muito aberta a distintas  interpretações.

Tamanho e criar bests in show

Quando tentamos criar glosters para vencer exposições, estamos a tentar produzir uma ave com excelente tipo/forma, isto significa ter uma coroa sem faltas, associado a uma boa queda de pena, redonda e com o tamanho apropriado, associado a um pescoço curto e a um corpo redondo e poderoso. Uma ave com todos estes aspectos é um Gloster fantástico! Contudo é muito mais fácil obter todos estes aspectos numa ave maior uma vez que podemos usar plumagens longas e curtas para aumentar cabeça, largura de pescoço e corpo nos nossos casais. È fácil de ver quanto é fácil obter tipo/forma numa ave maior ao analisarmos aves de exposição como por exemplo o Crested ou mesmo o Norwich, bons exemplares destas raças têm cabeças, coroas e pescoços que ultrapassam em muito o que obtemos no gloster, no entanto, tal só é conseguido num conjunto geral maior. Na realidade o que torna difícil a criação do nosso gloster é o facto de tentarmos ter tipo/forma numa ave pequena. Neste aspecto só alguns criadores experientes conseguem produzir glosters pequenos mantendo o tipo/forma e cabeça que todos amamos.

No entanto se permitirmos que aves maiores vençam shows, estamos a fazer com que criação de aves vencedoras seja mais fácil, e de certa forma não estamos a valorizar a habilidade e destreza de certos criadores em combinar tipo/forma num tamanho pequeno.

Se concordamos que é no pequeno tamanho que reside o desafio de criar bons glosters então temos de dar o mérito a esses criadores nas exposições.

Um gloster que seja curto desde o bico à cauda automaticamente parece melhor que uma ave cumprida, isto porque ao ser curto faz com que este pareça mais compacto fazendo com que corpo e pescoço  pareçam melhor, mais compactos. No entanto é essencial que seja curtos por natureza, existe uma longa e indistinguível historia à volta de criadores de gloster devido a cortarem caudas de forma a parecem mais
curtos. Esta prática é .... uma falta, tal como um centro da coroa deslocado à frente. Ao cortar a cauda o criador está a admitir que não conseguiu combinar tipo/forma e tamanho o suficiente, logo ao cortar a cauda está a tentar bater um colega que produziu uma ave melhor sem recurso a artifícios.

É importante que os juízes tenham a coragem de desclassificar aves que tenham caudas alteradas e mostrar claramente a razão de desclassificação da ave, se o juiz não tomar tal atitude então criadores honestos podem desistir de criar glosters ou começarem também a fazer batota.

O Futuro

No ultimo ano em Inglaterra a mensagem era para que aves grandes vencessem cada vez menos exposições. No entanto, continuam a haver demasiadas aves grandes a bater pequenos glosters que estão mais próximos daquilo que deveríamos procurar na raça. Existem também criadores noutros continentes e na Europa que estão a ficar preocupados com o aumento do tamanho dos glosters nas exposições.

Países como Portugal e Espanha onde a criação do gloster aumentou rapidamente em popularidade são os criadores do futuro, com muitas e excelentes aves criadas que levaram o Gloster para outros níveis. Seria excelente se estes criadores estudassem alguns dos erros cometidos pelos criadores Ingleses nos últimos 40 anos de forma a poderem evitar alguns problemas que possam surgir nos próximos 40 anos.

Rob Wright
Reprodução do artigo publicado na revista o Gloster nº12

O Fator Topete


O fator do topete é uma mutação ocorrida no canário, cuja origem remonta haja 257 anos. Seu surgimento deu-se na canaricultura de porte na Inglaterra. No século XIX tomou-se muito popular e apreciado não só na Inglaterra como também em vários outros paises onde a canaricultura estava em desenvolvimento.

Mesmo tendo surgido em canário de maior porte, o mais popular canário da atualidade que possui este ornamento é o Gloster muito embora a sua origem possa ser considerada recente, em se comparando ao tempo que a mutação apareceu. O Gloster foi apresentado com um padrão oficial pela primeira vez em 1925, portanto há apenas 77 anos, o que vai uma longa distância em relação aos 257 anos do surgimento da mutação.

O fator do topete, além de ser uma mutação é também um produto final de posterior seleção genética, o fator do topete não é um caso inusitado. Tem aparecido em outras aves sendo o caso mais comum o dos periquitos ondulados.

O topete é um caráter dominante. Desta forma com um exemplar possuidor do topete, pode se obter tanto em machos ou fêmeas na primeira descendência.

Não se deve acasalar dois exemplares possuidores de topete, pois o mesmo em dose dupla é letal ou parcialmente letal. Acasalando dois exemplares assim, os que nascem sem o topete, são pássaros normais. Os que chegam a nascer e que possuem topete, dificilmente vingam, e se conseguirem atingir a idade adulta, a conformação do seu topete será fatalmente defeituosa, com penas revoltas, falhas no centro e sobretudo apresentará falta de plumas na parte anterior do topete. Para a conformação de um bom topete é importante que as penas sejam relativamente soltas, não devendo no caso ser efetuado nenhum acasalamento com dois pássaros de plumagem intensa, o que acarretaria um endurecimento do topete e a natural dificuldade no assentamento do mesmo.

Raças de porte que possuem topete e suas pontuações nos julgamentos: Gloster-20, Fiorino-15, Padovano-15, Lancashire-30, Topete Alemão-25, Crested-45.

Nas raças acima o topete é a parte fundamental, em geral as penas do topete são abundantes e se irradiam de um ponto central no meio do topo da cabeça cobrindo o bico e os olhos.

Devemos observar que cada raça, acima citada possui um topete característico, como devemos verificar no Manual do Julgamento. Contudo o topete dá um requisito muito especial na beleza e formação do pássaro, o visual é verdadeiramente magnífico.

Que este sirva de incentivo aos novos criadores para criarem estes exemplares, enriquecendo assim a sua criação com lindos e exóticos pássaros.

Revista CPCCF Junho/2004

sexta-feira, 2 de março de 2012

Vídeo - O Fife Fancy

Dicas sobre formação de uma linhagem


Não acredito que seja possível ter sucesso na criação de canários de qualquer raça sem a formação de uma linhagem própria baseada em pássaros de ótima qualidade, por isso tenho lido muito e pesquisado sobre cruzamentos in-breeding, além de genérica básica aplicada aos pássaros.

Abaixo sumarizo algumas lições que aprendi com criadores de longa data de Gloster que escreveram este artigo:
http://www.glosters-usa.com/inbreeding.htm

1. Iniciar a criação com os melhores canários que se puder adquirir.
2. Será preciso ter ótimos coronas e ótimos consortes. O Gloster é UMA raça, que possui pássaros com e sem topete. Não dá pra ter uma linhagem somente com topete ou somente sem topete.
3. Qualidade é melhor que quantidade. Por isso não cruzar canários que tenham características indesejáveis.
4. Não manter uma ave apenas porque é da linhagem (família), ao menos que possuam todas as boas características que os outros membros da linhagem portem.
5. Você precisará inserir novos pássaros, com cautela. até ter uma linhagem com a genética desejada. Não dá pra tentar melhorar o padrão somente com cruzamentos cosanguíneos se a família não tiver todas as qualidades que você quer alcançar.
6. Cruzar sempre linha clara com linha escura afim de manter a qualidade das penas.
7. Cruzar consorte com consorte não produzirá bons coronas. Bons coronas devem ter uma cabeça larga, redonda em todos os pontos com boa subida para o centro do crânio.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

As cores do canário Gloster

Os canários Gloster são classificados em 9 cores, identificadas e julgadas pela cor de fundo do pássaro, sendo elas:


Fundo Branco
  • Fundo Branco Lipocrômico
  • Fundo Branco Pintado
  • Fundo Branco Melãnico


Fundo Amarelo Nevado
  • Fundo Amarelo Nevado Lipocrômico
  • Fundo Amarelo Nevado Pintado
  • Fundo Amarelo Nevado Melãnico


Fundo Amarelo Intenso
  • Fundo Amarelo Intenso Lipocrômico
  • Fundo Amarelo Intenso Pintado
  • Fundo Amarelo Intenso Melãnico





Como existem os consorte (sem topete) e corona (com topete), as categorias acima duplicam, acrecentando a classificação COM TOPETE, formando portanto 18 categorias, 9 sem topete E 9 com topete.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Formação de uma nova linhagem


Até nos melhores pássaros, existem caracteres que mesmo presentes no seu patrimônio hereditário, não podem ou essas boas qualidades não são transmitidos aos filhos, ou por serem, esses pássaros, heterozigotos ou por serem recessivos se apresentam dominados por outros caracteres. Nem mesmo o fato de ser um campeão, vencedor de muitos torneios, o qualifica como reprodutor. Tendo sido produto de acasalamentos “abertos” (mesmo que bom x bom) seu patrimônio genético é impuro para aquelas qualidades que, por pura obra do acaso, fazem dele um campeão. Levado à reprodução poderá gerar filhos de todos os tipos. Sendo este um estudo pioneiro, poderá sofrer correções, adaptações e mudanças ao longo do tempo, tendo em vista os resultados, com certeza positivos, que passaremos a obter a partir desta publicação.

A partir de agora seremos mais que criadores: seremos selecionadores. Vamos formar o nosso raçador e o nosso Plantel. No entendimento das leis de Mendel, o pai da genética, é fácil constatar que um reprodutor que possua caracteres dominantes em dose dupla, ou Homozigoze, os transmitirá, obrigatoriamente a seus descendentes. Se um Reprodutor for homozigoto ele produzirá apenas os genes que nós selecionamos e seu descendente que recebe esse gene dominante exteriorizará apenas o efeito desse gene. O ponto inicial, portanto, é a formação de um reprodutor homozigótico, aquele cujo zigoto é formado por gametas que conduzem os mesmos genes, portadores de um mesmo caracter. “Genética é o ramo da biologia que estuda a transmissão das características físicas e biológicas de uma geração para a seguinte”. “Não se pode precisar se as qualidades que buscamos em nossos pássaros canoros nativos (canto, extensão de canto, fibra, etc) são transmitidas por um só gene ou por um conjunto ou combinação de genes” (Paulo Flecha – ornitólogo e pesquisador da fauna alada brasileira) A esse fenômeno genético, dá-se o nome de epistasia, ou seja saber se determinado caracter é transmitido por um gene ou uma combinação de genes. Neste caso, a prática de cruzamentos consangüíneos em linha direta, aumentam as probabilidades da sua repetição.

 

O Processo de Seleção

Os métodos de reprodução são diversos (consangüinidade, seleção, cruzamento, mestiçagem, hibridação) mas vamos nos ater à Seleção por Consangüinidade em Linha Direta, pratica comumente utilizada na apuração ou aperfeiçoamento de todos os animais criados pelo homem. “A consangüinidade não é prejudicial; pelo contrário, transmite conserva e melhora caracteres que se deseja conservar nos descendentes” (Cornevin). Se acasalamos um pássaro excepcional com uma de suas filhas as chances de produzir pássaros semelhantes ao reprodutor é muito maior pois esta sua filha (agora matriz 1) já possui metade (50%) de seus cromossomos, tornando mais fácil a reconstituição do patrimônio genético original. No próximo cruzamento, com a matriz 2, maiores serão as chances por esta matriz já possuir 3/4 (75%) do patrimônio. E assim, sucessivamente. 

O Estabelecimento de Critérios Iniciais

O estabelecimento da Formação de Uma Nova Linhagem, implica, em uma primeira fase, na eleição dos Fundadores desta nova linhagem com as qualidades que entendemos como sendo as ideais para os indivíduos dessa nossa nova linhagem que estamos nos preparando a formar.Então vamos às
Regras Básicas:
  1. Saúde : básica para qualquer que sejam nossos objetivos de qualidades;
  2. Integridade física : Os fundadores deverão ser férteis, íntegros, sãos. Sem penas defeituosas, bico torto, asas caídas, pés tortos, etc...(não devem ser considerados os defeitos adquiridos por acidentes);
  3. Seleção rigorosa do Fundador com Excepcionais qualidades de canto (repetição) ou fibra;
  4. Vivacidade, Disposição, Alegria, Constância, etc.
  5. Nas Fêmeas Iniciais, além das qualidades acima (onde seja possível enquadra-las) devem ser avaliadas a capacidade de produção (número de ovos por ninhada) e qualidades maternas (choco, alimentação dos filhotes, etc.)
  6. O Macho Inicial deverá ser o melhor que se possa adquirir. Algumas coisas poderão ser melhoradas durante o processo de seleção, mas o plantel será basicamente cópia desse Macho Inicial.
  7. Evite um número muito grande de fêmeas. Importante considerar o tempo disponível.
  8. É indispensável uma seleção rigorosa dos produtos obtidos com a eliminação drástica dos que apresentarem defeitos, taras, doenças, etc. (mesmo que consideradas “menores”) Lembre-se: Defeitos também são transmitidos por via hereditária.
  9. Ter sempre presente o Objetivo a ser atingido. Não espere sucessos imediatos.
  10. A Formação de uma Nova Linhagem de Alta Performance exige Paciência e Perseverança. Os resultados compensarão o tempo despendido com a apresentação de um plantel onde a totalidade ou grande maioria apresentam as mesmas características.
  11. Tenha sempre presente seu Livro de Registro Genealógico. Todos os passos devem ser registrados.
  12. Após o terceiro cruzamento, os avanços são aparentemente pequenos, caso tenha dúvidas, não se acanhe em pedir ajuda a um amigo ou criador dotado de notória competência e sensibilidade, para ajuda-lo a selecionar os pássaros que continuarão no processo de formação do Reprodutor.
  13. É importante estabelecer o limite de “chocadas” para cada fêmea. Um número ótimo seria 3 por temporada. A partir daí a mãe pode estar enfraquecida pelo desgaste e fadiga e poderá produzir filhos fracos. É de se considerar também que esses filhotes (fêmeas), nascidas no início da temporada, poderão estar aptas à procriação na temporada seguinte. Nosso objetivo é Formar uma Linhagem e não obter um número ilimitado de filhotes.
  14. Todos os criadores já observaram que em ninhadas de 3 ou 4 filhotes, quase sempre encontra-se um que cresce mais rapidamente. Identifique esse filhote. Ainda existem fatores que não conseguimos traduzir ou encontrar explicações e esse privilegiado poderá ser o nosso “diferencial”. A primeira seleção começa no ninho.
  15. O Selecionador que tenha dúvidas de suas qualidades como criador, deverá buscar sua capacitação e atualização junto a outros consagrados criadores e especialmente ser assessorado por um veterinário competente. De nada adiantará todo um trabalho de seleção se não acompanhado por igual cuidados sanitários, alimentares e de higiene.

“Somente com a consangüinidade é possível obterem-se linhagens de alta genealogia, que produzem a cada ano campeões e raçadores e o melhoramento é crescente no tempo”. 
"A consangüinidade não é nada mais que um meio para se fazer evidenciar os caracteres – positivos e negativos – na posse de um determinado patrimônio hereditário de um indivíduo”
Giorgio di Baseggio renomado selecionador decanários de cor e autor dediversos trabalhos sobre seleção de pássaros.


O Programa

Estabelecido o Macho Inicial ou Macho Fundador, deverá ser acasalado com pelo menos 3 (três) Fêmeas Iniciais. Então teremos:

  • Primeiro Cruzamento
    Macho Inicial x Fêmea Inicial = F1 = 1/2
    Sangue ou ainda 50% dos genes do Macho e 50% dos genes da Fêmea.
     
  • Segundo Cruzamento
    Macho Inicial x Fêmea F1 = F2 = 3/4
    Sangue ou ainda 75% dos genes do Macho e 25% dos genes da Fêmea.
     
  • Terceiro Cruzamento
    Macho Inicial x Fêmea F2 = F3 = 7/8
    Sangue ou ainda 87,5% dos genes do Macho e 12,5% dos genes da Fêmea.
     
  • Quarto Cruzamento
    Macho Inicial x Fêmea F3 = F4 = 15/16
    Sangue ou ainda 93,75% dos genes do Macho e 6,25% dos genes da Fêmea.
     
  • Quinto Cruzamento
    Macho Inicial x Fêmea F4 = F5 = 31/32
    Sangue ou ainda 96,875% dos genes do Macho e 3,125% dos genes da Fêmea.


Considerações:
  1. No Quinto Cruzamento, o produto 31/32 de sangue do Macho Inicial, já é considerado puro por cruza. Praticamente Homozigótico, é o Reprodutor que queremos para a Formação de nosso Plantel.
  2. Até esse cruzamento é considerado seguro ou com pequenos riscos.
  3. Pode ser tentado mais um cruzamento, ou seja, o Sexto Cruzamento desta Linha Direta, o F6 = 63/64 de sangue do Macho Inicial, porém deve ser considerado se compensa:
    a) um aumento de possibilidade de riscos (diminuição de tamanho, saúde, taras, etc.);
    b) ganho de apenas mais 1,5625% a mais de sangue do Macho Inicial.

Nota 1: alguns autores entendem que o produto F4, que detém 15/16 de sangue do Macho Inicial já é considerado Puro por Cruza, enquanto que outros entendem ser o F6 (63/64 de sangue do Macho Inicial), outros vão muito além e exigem um F10 (1023/1024).

Nota 2: Muito embora esse esquema e programa tenha privilegiado o macho, pode também ser feito a partir da Fêmea, porém mais difícil (um macho pode fertilizar várias fêmeas por temporada) e de maior risco (entre dois filhos – irmãos de ninho – haverá um longo tempo de espera de definições para eleger qual dos irmãos será o padreador) e no caso da perda súbita da fêmea ou à sua inaptidão temporária para a procriação o programa estará paralisado.

Nota 3: Não cometa o erro de vender os melhores pássaros. Vendidos os melhores interrompe-se o processo. Mantenha no plantel sempre os melhores: Você está em processo de Formação de uma Nova Linhagem.

Nota 4: “O poder do “Raçador” é transmissível apenas naquelas qualidades e características concernentes à dominância” Stéphane Vansteelant – fonte revista Brasil Ornitológico

Nota 5: “Os genes variam de tamanho, desde algumas centenas até dois milhões de pares de bases de ADN; são os responsáveis pela transmissão dos caracteres hereditários, como a cor dos olhos, tipo de pêlo, orelhas, temperamento, canto, displasias, etc. Na realidade, os genes são a entidade funcional da informação”.(José Carlos Pereira–Passarinheiro e pesquisador-Cruzeiro-SP)

Parabéns! Até aqui você trabalhou num programa que objetivou a obtenção do Macho. A partir de agora ele passa a chamar-se Reprodutor. Será praticamente um clone do Macho Inicial que graças a homozigose será de "linhagem pura" para os caracteres selecionados, ou seja, conseguirá passar suas excepcionais qualidades nos futuros cruzamentos. Esse Raçador será o “Chefe do Plantel”. Por Raçador entende-se o pássaro nascido de acasalamentos previamente estabelecidos e cuidadosamente selecionado, que acumula valores raciais dominantes para determinados caracteres, capaz de transmitir e imprimir suas excelentes características a seus filhos. Mas, quais serão esses futuros cruzamentos que manterão a qualidade e a homogeneidade do plantel? No processo de formação deste Reprodutor, estaremos formando também um excelente plantel. Analisemos:

1 – Por que 3 (três) Fêmeas Iniciais?
a) Porque com pelo menos 3 fêmeas teremos condições de conseguirmos pelo menos 4 Fêmeas F1; o ideal, para segurança de execução do programa.
b) Após conseguidas as 4 (quatro) Fêmeas F1, as Fêmeas Iniciais poderão ser descartadas, ou conduzidas para outro programa, pois as F1 já passam a fazer parte de nosso programa de seleção;
c) Os machos F1, podem ser descartados ou utilizados em outro programa.

2 – Após a obtenção de pelo menos 4 (quatro) Fêmeas F2, as fêmeas F1 serão destinadas temporariamente para outro programa pois elas serão utilizadas para a produção do produto 5/8 (para a obtenção deste produto, poderá ser utilizado um dos primeiros machos F1, desde que tenha demonstrado excepcionais qualidades).
Obs.: Estudos em bovinos, comprovam que o produto que tenha 5/8 de sangue do Reprodutor Inicial, conseguem manter a homogeneidade de tipo e de qualidades. Ex.: Santa Gertrudes (5/8 Shorton + 3/8 Nelore); Pitangueiras (5/8 Red Polled + 3/8 Guzerá); Brangus( 5/8 Aberdeen + 3/8 Nelore); Canchim (5/8 Charolês + 3/8 Nelore); etc.

3 - Como formar o 5/8? O melhor Macho F2 (3/4) cruzado com a melhor Fêmea F1 (1/2) ou vice versa = 3/4 + 2/4 = 5/8

4 – Após conseguida a reprodução de pelo menos 4 fêmeas F3, os produtos F2 não utilizados na formação do 5/8 poderão ser descartados destinadas a outro programa.

5 – A partir do momento da obtenção do produto F3, o criador deverá redobrar a atenção e avaliação, pois todos os produtos já estarão ou deverão estar muito acima da média. A partir da obtenção do F2, poderá ser observado a semelhança entre os indivíduos. O curioso é que eventualmente os machos F2 (3/4) podem ser inferiores ou praticamente iguais aos F1 (1/2), tal fato explica-se pelo choque de sangue do cruzamento inicial, porém os F3, começarão a apresentar a homogeneidade no Genótipo.

6 – A partir da obtenção de 4 (quatro) fêmeas F4, as fêmeas F1 e F2, estarão praticamente descartadas ou destinadas a outro programa.

7 – Se, nesta etapa, por fatalidade, faltar o Macho Inicial, um de seus filhos F4 (o de melhor desempenho dentro da ótica de nosso objetivo) que já é 15/16 ou ainda detentor de 93,75% de sangue do Macho Inicial, poderá substituí-lo. Não cruzando com sua irmã de ninho, mas com as fêmeas 5/8, cujo produto será 20/24 ou 83,33% de sangue do Macho Inicial.

8 – Devem ser evitados os cruzamentos entre irmãos próprios F1 ou F2.

9 – Sobre a possibilidade e resultados do cruzamento do F5 de uma seleção com outro F5 de outra seleção não aparentado, transcrevemos:

“De outro modo o autor tem constatado que se acasalando duas aves, ambas criadas em consangüinidade, porém provenientes de dois criadouros diferentes, nos filhos explode a vitalidade, a fertilidade, o vigor em altos níveis. Isto, sempre, se não existirem genes incompatíveis entre a duas cepas consangüíneas. A mencionada explosão de vitalidade é devida essencialmente ao fato de que as duas aves provenham ambas de linhagens selecionadas em consangüinidade há anos, nos quais muitas taras hereditárias e muitos defeitos (esterilidade, plumagem disforme, posições erradas etc.) foram sendo descartadas, sem piedade” 
Giorgio de Baseggio - Bolonha, julho 1987 criador de canários de cor 24 anos de estudos sobre a consangüinidade - transcrito de AO - Atualidades Ornitológicas

Conclusão
O esquema aqui apresentado, propositadamente em curtos tópicos, de forma simples, tem por finalidade fazer ver ao criador de passeriformes canoros nativos que o processo seletivo por consangüinidade em linha direta é acessível a todos e nosso objetivo maior é despertar a curiosidade por maiores conhecimentos neste segmento. O principal é que a partir de agora, a Criação de Passeriformes Canoros Nativos, entra em nova e importante fase, a SELEÇÃO.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Como selecionar seus Glosters


Após o período de reprodução e passada a primeira muda, é época de pensar na seleção dos pássaros que serão guardados para os cruzamentos do próximo ano. Estas são as decisões mais críticas a tomar, para melhorar a criação e evoluirmos na qualidade do nosso plantel. Mesmo que o êxito seja, às vezes, uma questão de sorte há regras básicas que devem ser seguidas para que o sucesso seja alcançado.



1. Regras Gerais

1.1. Nunca tomar uma decisão antes da muda total do pássaro. Alguns pássaros que muito prometem inicialmente podem tornar-se uma decepção depois da muda e outros despontarão como um a flor gerando grande surpresa. Dispor de um gloster jovem antes que acabe a muda será um erro, não importa o que aparente enquanto filhote.

1.2. Nunca parta do pressuposto que um pássaro premiado produzirá bons filhotes. A genética de um pássaro é muito complexa e alguns campeões nunca produziram um pássaro para concurso em toda a sua vida. Com uma boa linhagem e limitando o número de genes a trabalhar, concentram-se as probabilidades de termos os melhores pássaros para produzir a melhor descendência.

1.3. A selecção visual é tão importante quanto à linhagem. Ao ter que seleccionar entre pássaros similares, procure saber a linhagem e escolha o pássaro com os melhores antepassados. Nunca guarde um pássaro de má qualidade por causa de sua linhagem. Por outro lado, nunca escolha um pássaro baseado somente em seu aspecto. Há que se fazer um balanço entre aspecto e linhagem.

1.4. Os pés e as pernas são um bom indicador da qualidade do Gloster. Os pássaros com as patas e as pernas grandes são um problema. Será sempre melhor concentrar-se em pássaros com as patas pequenas e as pernas curtas.

1.5. Os pássaros com quistos são um verdadeiro pesadelo para o criador de Glosters. Os quistos são hereditários ou pelo menos a incapacidade para que um pássaro mude de forma sadia. Os pássaros velhos com problemas de saúde podem desenvolver quistos. Os pássaros saudáveis, menores de quatro anos não devem ter quistos. O uso de pássaros amarelos (intensos, com penas duras) nem sempre é solução para o problema. Em algumas linhagens, quando o problema é recorrente, inclusive os pássaros intensos desenvolvem os quistos. O caminho a seguir será seleccionarmos e acasalarmos correctamente, com vista a produzir pássaros livres de quistos.

1.6. O brilho na cor não é necessariamente um indicador de boa qualidade da pena. É um indicador de boa pigmentação. A maioria das pessoas tende em uma regra geral a confundir estes conceitos levando a más opções. A genética não é uma tarefa simples de apreender.


2. Quais machos guardar

2.1. Os machos férteis podem ser utilizados, geralmente, até aos cinco anos, desde que dêem provas de qualidade na descendência. Os machos que são bons progenitores, com qualidades ao nível de alimentação das crias são inestimáveis. Pense sempre duas vezes antes de se desfazer de um macho fértil e são com estas características.

2.2. Aos machos que não galam os ovos podemos dar-lhe outra oportunidade no ano seguinte, preferencialmente com uma fêmea que já deu filhotes. Se cruzarmos um macho presumivelmente estéril com uma fêmea que nunca criou, não teremos dados suficientes para esclarecer a situação. Convêm utilizar a nossa melhor fêmea de criação para testar o macho em causa. Se, pelo segundo ano, entretanto ele ainda não reproduz, livre-se dele. Mesmo que se possa tentar um terceiro ano, você estará insistindo numa situação que levará ao desgaste desnecessário de boas fêmeas de criação.

2.3. A ideia de cruzar o melhor macho do plantel com tantas fêmeas quanto possíveis tem um impacto negativo. A maioria da descendência estará muito ligada entre si e em um abrir e fechar de olhos teremos que procurar novos genes, com a introdução de novos pássaros no plantel. Assegure-se que mantém os irmãos e os primos do seu melhor macho. Você pode usá-los para diversificação de sua base genética sem mudar a linhagem muito drasticamente. E muitas vezes irá surpreender-se ao descobrir que é a descendência desse macho que está a garantir seus melhores filhotes. A maior parte do tempo os irmãos ou as irmãs de campeões são a melhor aposta, não importando se visualmente não parecem.

2.4. Os machos nos quais se notam sinais de agressividade logo em filhotes são descartáveis. Se for possível livre-se deles. O carácter, como tudo o resto, é hereditário. Tente utilizar os machos pacíficos e calmos para a base do seu plantel.

2.5. Os machos gloster que parecem fêmeas são o seu melhor activo. Serão, geralmente, de tipo excepcional e menores que a maioria dos machos. Pode-se basear uma criação inteira em tais machos, uma vez que as suas filhas serão extremamente difíceis de vencer em concurso. É habitual ter-se machos grandes que mostram muito tipo, mas isto limitará muito que a descendência tenha características de aves de concurso. Se não formos muito cuidadosos, cedo ou tarde as suas fêmeas estarão maiores e aí será muito tarde para corrigir a situação. Seja crítico com o tamanho dos seus machos, isto permitirá um maior controlo do seu plantel e garantirá descendência sem penalizações.

2.6. Assegure-se que os machos mostrem a cor mais intensa. Em geral, as fêmeas mostram cor mais apagada. Se teus varões não são bem coloridos, as filhas deles serão muito desbotadas. De certo não deseja acabar com um plantel inteiro de pássaros desbotados. É muito difícil conseguir boa cor sobre toda a pena e as vezes terá que fazer escolhas entre o tipo e a cor.


3. Quais fêmeas guardar

3.1. As fêmeas férteis podem ser utilizadas, facilmente, até aos quatro anos, desde que produzam a qualidade que você necessita. O êxito do plantel baseia-se na capacidade de criar boas fêmeas. Como o standard do Gloster se baseia em pássaros pequenos, não há razão para não ter fêmeas dentro do standard. Se você utiliza fêmeas com grandes coronas, pode-se recortar a corona antes do período de cria e ele crescerá na próxima muda. Fazendo isso você aumentará as hipóteses da sua fêmea cuidar melhor de sua prole. Assegure-se de cortar a corona um mês antes de criar para dar à fêmea uma possibilidade de acostumar-se a ver o mundo que a rodeia.

3.2. As qualidades de criação são hereditárias. Considere sempre primeiro as filhas das suas melhores fêmeas criadoras, desde que exibam o tipo que necessita. Uma fêmea de qualidade média mas de bons hábitos de criação sempre será sempre preferível a uma fêmea de qualidade superior com pobres registos de criação. Recorde que se você tem uma linhagem de criação, suas fêmeas podem produzir campeões desde que você não ponha todos os ovos na mesma cesta, centrando-se em sua melhor fêmea. Assegure-se de ficar com as fêmeas que criam bem, mas que estão relacionadas com o seu melhor pássaro. As probabilidades de criar um campeão virão de uma delas.

3.3. A utilização de fêmeas grandes na criação condena toda a futura prole a aumentar de tamanho. Seus filhos serão inclusive maiores e você estará no caminho do fracasso. As fêmeas pequenas são as que melhores resultados lhe darão.

3.4. As fêmeas serão o suporte da forma/tipo do seu plantel. A maioria dos machos são maiores e mais finos que as fêmeas. Se você seleccionar as fêmeas magras e largas, seus filhos não exibirão o standard desejado e destruirão, provavelmente, a qualidade do seu plantel. Às fêmeas com bom tipo podemos atribuir machos que se parecem com elas e assim melhorar definitivamente o seu plantel.



4. Quais coronas guardar

4.1. O Corona é provavelmente o pássaro mais difícil de se produzir e a maioria dos criadores não possui um leque extenso de pássaros de qualidade para escolher. O criador experiente sabe que muitos compromissos devem ser feitos para se produzir um bom Corona.

4.2. É habitual encontrarmos a melhor corona em pássaros mais alongados. A pluma mais longa permite uma corona mais cheia e de textura mais suave. Se fizermos uma selecção unicamente sobre as coronas mais impressionantes, acabaremos com um plantel inteiro de pássaros compridos e finos. Tenha sempre presente que devemos trabalhar na criação de um pássaro completo, que na altura de se apresentar a concurso exiba uma boa corona assente numa boa forma.

4.3. Nunca guarde um pássaro com a corona defeituosa (partida, torta, descentralizada, forma esquisita etc). Trate de limitar sua selecção a pássaros que mostrem uma corona redonda, com um centro bem definido. A parte mais difícil para a produção é a frontal. Aí precisa-se de abundância de penas. Os pássaros que tem poucas plumas na parte frontal da corona nunca deverão fazer parte do nosso plantel.

Você pode até tolerar outros defeitos desde que o pássaro apresente a parte frontal da corona em perfeita distribuição.

4.4. Os “cornichos” são a queixa mais frequente nos defeitos detectados em Glosters Coronas. As penas ao redor dos olhos tem a tendência de crescer em direcção oposta ao normal, e os pássaros com coronas excepcionais exibem, frequentemente, os “chifrinhos”. Não seja enganado pelos “pseudo-especialistas, pois muitos dos melhores pássaros de exposição são “maquilhados” pouco antes do concurso. Trate de fazer com que o defeito seja eliminado, mas um pássaro excepcional nunca deverá ser descartado baseado num critério só, ainda que este defeito não seja um problema congénito.

4.5. Tente descartar de imediato os pássaros com coronas muito pequenas. Um bom gloster é um pássaro equilibrado, com a corona proporcional com o resto do corpo. Será sempre preferível ter um pássaro com uma grande corona para poder ser trabalhada e alcançar futuros objectivos.

4.6. Isto leva anos, às vezes décadas... criar bons Coronas. Se você tem bons coronas assegure-se de mantê-los cruzando-os com pássaros de qualidade. Se não tem bons coronas, esta na hora de ir às compras. Um bom corona nunca aparece por magia. Lembre-se que existem criadores com sucessivos anos de trabalho nesta raça e provavelmente você não viverá tempo suficiente para repetir o trabalho de gerações inteiras de criadores especialistas.


5. Quais consortes guardar

5.1. Se a sua meta é expor e ganhar com consortes, então deve concentrar-se em consortes. Ainda que esteja demonstrado que os consortes não necessitam das “frentes pesadas” que vimos no passado, você tem que, entretanto, concentrar-se naquela cabeça imponente para atrair a atenção do juiz. Digam o que disserem a sua teoria deve ter sempre presente: ao final os juízes têm a última palavra.

5.2. A criação de consortes não tem as complexidades genéticas dos corona, logo teoricamente será muito mais simples fixar uma característica específica rumo ao nosso Gloster ideal. Sem dúvida o mais importante será ter sempre em mente o ideal de consorte que pretende atingir.

5.3. Os consorte de concurso mais perfeitos são, em geral, os pássaros maiores, o que só confirma sua incompatibilidade com seus companheiros corona. O consorte pequeno, com a plumagem muito apertada raras vezes é do gosto do juiz.

5.4. Não há nada de mal em se usar um corona para produzir consortes, é isso que faz a maioria das pessoas. Mas assegure-se que o corona usado seja de uma boa linha de consortes. Como é muito difícil avaliar o impacto de uma corona na cabeça de um consorte, você deve confiar nos parentes próximos do corona como indicador.

5.5. Haverá sempre excepções a uma regra, mas na maioria dos casos alguns casais produzem melhores consortes e outros produzem melhores coronas. Isto é verdade ainda dentro de uma mesma linhagem. Os criadores de gloster devem estar atentos a esta realidade para que a possam entender e utiliza-la de maneira vantajosa.

5.6. Se seu objectivo é produzir o melhor corona possível, então as regras são invertidas, por exemplo, você deve usar os consortes mais estritamente relacionados com seu melhor corona. A maior parte desses consortes nunca servirá para concurso. Mas, se você deseja ter sucesso deve aprender esta técnica, porque de outra maneira, não importa a quantidade de bons coronas que possua, sistematicamente os destruirá usando seus “melhores” consortes.

5.7. Utilize sempre os consortes que são os que mais próximos se relacionam com seus melhores coronas. É importante, inclusive, não avaliar as qualidades principais nestes consortes, já que não é este seu propósito mas sim atingir coronas de excepção.

6. Conclusão

Já que a dificuldade em produzir um corona perfeito te força a um compromisso, na selecção rigorosa do seu plantel de coronas, deve ser muito mais crítico com a forma do corpo do consorte, porque caso eles estejam a ser mal usados nunca conseguira compensar algumas debilidades verificadas no seu corona.

Quer dizer, sendo o objectivo conseguir boas coronas, pode ter que tolerar outras falhas nos seus reprodutores coronas, mas essas falhas nunca devem ser encontradas em seus consortes.
As regras acima indicadas podem parecer muito óbvias, mas conseguir aplica-las todas ao mesmo tempo, será certamente um exercício de paciência interessante.

Robert Larochelle, Revised 2006

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Em busca do Gloster Ideal


Por que o Gloster?

Escrevo sobre o canário Gloster porque fui cativado por sua graciosidade e pela harmonia dos seus movimentos. Isso não se explica, faz parte da imensidão da alma humana. Todas as raças de canários têm seus admiradores. Foi dito que o canário Gloster, como todos os canários de porte, é uma escultura, uma obra de arte. O Manual de Julgamento de Canários de Porte, publicado pela Ordem Brasileira de Juizes de' Ornitologia, Edição 97 diz o seguinte: "Na canaricultura, o segmento dos canários de porte pode ser comparado à escultura. Os criadores procuram através de cruzamentos judiciosos produzir pássaros que se assemelhem, ao máximo, na forma, posição e plumagem a um modelo preestabelecido denominado padrão da raça". Ora, se é uma escultura, resta ao criador aprender a olhar e ver com sensibilidade e conhecimento. O desenvolvimento dos sentidos para compreender e conhecer um canário Gloster ideal necessita de aprendizado. 

Numa primeira olhada um canário Gloster é "apenas um Gloster" de boa ou má qualidade. Já numa segunda vista, dependendo dos conhecimentos de cada criador, surgem os detalhes, que serão avaliados como características da raça.
Ninguém se transforma num bom conhecedor de Gloster de um dia para o outro, mesmo os mais instruídos necessitam do tempo. 

O tempo acomoda os saberes e forma na memória um padrão ideal da raça. Para aprender é preciso exercitar visitando exposições, criadores e dialogar com juizes especialistas na raça Gloster. Faz parte das pessoas comparar a imagem de um lugar ou de um objeto ou de um animal, com imagens ou impressões guardadas na memória. 

Quando um criador se propõe a adquirir um canário Gloster, o julgamento que ele faz "a priori”, é comparar o canário que está vendo com o canário existente na sua memória. Pode-se chamar isso de uma avaliação perceptiva, consciente e técnica.
Pode ocorrer, muitas vezes, que a imagem do canário guardada na memória está aquém da  imagem do Gloster ideal. Quando isso acontece, o  criador, sem se aperceber, adquiri um canário com  as mesmas virtudes e os mesmos defeitos os seus, isto é: com o mesmo formato da cabeça, topete, cílios, plumagem, postura, cauda, pernas e patas, forma e tamanho.

A dificuldade para avaliar um canário Gloster é perceber a harmonia entre os diversos  segmentos do seu corpo. Harmonia quer dizer disposição bem ordenada entre as partes de um todo; quer dizer ainda proporção, ordem e simetria. A complexidade para quem avalia um canário Gloster é uma arte, um jogo de combinar peças: cabeça e pescoço; pernas e patas; topete e ponto central e pescoço; presença de cílios ou sobrancelhas; tamanho e cauda; forma e plumagem (penas curtas, médias e longas), postura, movimentos e condições de saúde. Aprender a olhar e a ver é um exercício que exige um longo tempo. 

Pare aprender a ver

Os olhos obedecem à ação da mente. Assim, o primeiro passo que um criador deve dar para a escolha de um Gloster ideal é a abstração. Aprender a ver é um exercício que exige o desenvolvimento do gosto, da sensibilidade e do intelecto.
 
O gosto (lat. gustus: sabor), em um sentido genérico é o instrumento e o árbitro do discernimento estético. Aprender a julgar com critério e sensatez um canário Gloster é ter desenvolvido na alma o sentimento do belo e da harmonia que existe entre as partes formadoras desse canário;
 
A sensibilidade (lat. vulgar sensibilitas), em um sentido genérico, é a capacidade que o criador tem de sentir, de ser afetado pela beleza e a harmonia da forma do canário. De receber todos esses estímulos através dos sentidos, principalmente da visão;

A inteligência (do lat. vulgar intelligentia) em um sentido genérico se aproxima de intelecto, entendimento e razão. É a individualidade de cada criador. O intelecto dá autonomia ao criador. Entendimento é a faculdade que um criador adquire de compreender ou pensar por idéias gerais ou conceitos. A razão é a capacidade de julgar que caracteriza o ser humano, de distinguir o verdadeiro do falso. Se a primeira fonte que temos ao olhar um canário Gloster é a sensibilidade, a segunda é o entendimento, poder de julgar, poder de conhecer o não sensível. Por isso, desenvolver a inteligência de um criador para o canário Gloster envolve sentimento, percepção, memória, raciocínio, seleção de dados, previsão, analogia, simbolização e autonomia.
 
Criar canário é um jogo. Para se divertir e estar feliz com esse jogo, é preciso aprender as regras e entender a intenção do jogo.
 
Com o passar do tempo aprendi a brincar de criar canário Gloster. Confesso que os melhores professores que tenho tido ultimamente são a paciência e o tempo para aprender. Por último, aprendi a não atribuir aos outros criadores os erros provocados pela minha ignorância. Esperteza é um mito e uma lenda que pertence à velha e esfarrapada tradição cultural dos antigos criadores de canários brasileiros.
Canário de boa qualidade para a reprodução é privilégio de quem sabe ver.

Antonio de Pádua Báfero.
UCCC 017
Revista UCCC 2004

Principais defeitos de um canário Gloster


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Padrões do Canário Gloster

Tamanho: é um pássaro pequeno, tendendo ao diminutivo. O tamanho ideal é em torno de 12 cm,

Topete: o topete é rico em penas, redondo, simétrico e perfeitamente aderente à nuca, cobrindo parte do bico e dos olhos. O ponto central de onde se irradiam as penas é pequeno de no máximo 1mm de diâmetro,

Consort: o Consort possui cabeça redonda sob todos os ângulos, penas longas e sombrancelhas bem evidentes, como devem ser todos os parceiros de pássaros de topete,

Corpo: o pescoço é curto e grosso, ligando harmoniosamente ao dorso, peito e ombros, o dorso é ligeiramente arredondado, ombros largos, peito amplo com afunilamento pronunciado em direção à cauda,

Plumagem: deve ser compacta, sem frisos ou penas soltas e são aceitas todas as cores, à excessão do fundo vermelho,

Postura: se caracteriza por uma inclinação do corpo de aproximadamente de 45 graus com a horizontal,

Cauda: é curta, compacta, praticamente alinhada com a parte de baixo do dorso.

Asas: curtas, assentam-se perfeitamente sobre o dorso sem cruzar as pontas que se apóiam sobre a rabadilha,

Pernas: as coxas são dissimuladas na plumagem, são implantadas bem atras do corpo, as canelas curtas com dedos e unhas perfeitos,

Temperamento: é um pássaro vivo, de movimentações constantes.

Fonte: manual da FOB - Federação Ornitológica do Brasil