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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Canário de canto: Delicado prazer


Essa variedade de Canário dá um show com o som do seu canto limpo e rico em modulações.

Os gorgeios maravilhosos dos canários chegam ao máximo da perfeição com o Canário de Canto, o mais hábil e requintado da espécie. São oito variações sonoras com o bico fechado. Uma sofisticação!

A trajetória de sucesso da espécie começou há cerca de 500 anos, quando seu ancestral, o Serinus canarius, encantou a Europa trazido por navegadores que o descobriram nas Ilhas Canárias, da Espanha. Após 5 séculos de criação, evoluiu a ponto de se tornar uma ave de estimação de grande popularidade. Ganhou também atrativos adicionais graças á fixação de mutações e ao aprimoramento genético, com variedades em cada uma das três qualidades mais valorizadas nos pássaros: canto, cores e porte. Assim, além do melodioso Canário de Canto, existem o Canário de Cor, que se destaca pela pureza da cor - são 360 catalogadas - , e o Canário de Porte, de vários tamanhos e com plumagens especiais, divididas em 25 raças oficiais.

CANTO ROLADO

Por volta de 1700, próximo às montanhas de Harz no coração da Alemanha, foram observados alguns canários que cantavam de forma diferente, com um som "rolado", exclusivo, produzido com o bico fechado. A novidade conquistou apreciadores por todo o mundo e tornou-se conhecida como Roller (rolador, em alemão). Entre os Canários de Canto, é o que canta com um tom mais suave, tanto nos agudos como nos graves. Há mais duas variedades ainda não criadas no Brasil: a Timbrado Espanhol, com canto mais estridente (som "campainha"), e a belga Malinois, de som intermediário.

O canto rolado é exclusivo do Roller. Quanto mais grave o tom, maior o seu valor. É possível perceber oito sutis variações nas suas execuções vocais, adquiridas por herança genética. Essas variações são chamadas de tours (jeitos), denominadas de forma bastante sugestiva: as tours básicas são a Hohlrollen (rolado oco), Knorren (baixo), Hohlklingeln (campainha oca) e Pfeifen (flauta) e as demais, ditas "de adorno", são a Wassertouren (jeito de água), Schockeln (a tradução que mais se assemelha é "gargalhada"), Glucken (galinha choca) e Klingelstouren (campainhas). Em geral, o Roller intercala todas as tours básicas com uma ou duas de adorno, estilo que pode ser aprimorado com a prática do canto. Por isso, o treino é importante para os exemplares que participam de competições. Algumas combinações produzem exibições de alto valor, como as Wassertouren mescladas com as Hohlrollen ou as Knorren. As tours de adorno misturadas sem critério reduzem o valor do canto. O que diferencia uma tour da outra é o som desdobrado em consoantes, que as identificam, e vogais que lhe dão o valor. As vogais valorizadas são a "u", "o" e "ü" (som de "u" fechado, como na língua francesa). As demais são de pouca expressão ou até mesmo depreciativas.

Além da cor verde, herdada do ancestral Serinus, o Canário de Canto ganhou novas colorações com o correr do tempo: verde pintado de amarelo; amarelo; branco e cinza. Até uma variedade de topete apareceu.

O tom do canto muda um pouco dependendo da cor do Canário. Por isso, nos concursos, o verde, o amarelo e o pintado são julgados em um grupo. O branco, o cinza e o de topete em outro; às vezes, o de topete em separado.

Há quem denomine de Roller os Canários de Porte ou de Cor, mas é incorreto - o canto "rolado" é característica exclusiva do Canário de Canto.

TIPOS DE CANTOS

O canto dos Rollers tem oito variações identificadas pelo som das consoantes vogais que o compõem.

  • Hohlorren (rolado oco) - Consoante: "r" branco - dá o caráter rolante. Vogais "u", "o" e "u".
  • Knorren(baixo) - Consoante inicial ( no início da tour): - "k" ou "g". Consoante: "rr". Vogais: "o" e "u".
  • Hohlklingeln(campainha oca) - Consoante: "l". Vogais: "ü", "o" e "u".
  • Pfeifen (flauta) - Consoante: "d". Vogais: "i", "ü", "o", "u" e "au".
  • Wassertouren (tour de água) - Consoante dupla: "bl" ou "wl" Vogais: "ü", "o" e "u".
  • Schockeln (gargalhada) - Consoante: "h" (expirado e suave). Vogais: "a", "ü", "o" e "u".
  • Glucken (galinha choca) - Consoantes iniciais: "gl" e "kl". Consoantes finais: "c", "k" e "ck". Vogais: "ü", "o" e "u".
  • Klingeltouren(campainhas) - Consoantes: "l" e "r". vogal: "i".


QUARTETOS

Os concursos de canto são uma curiosidade à parte que agita o mês de junho no Brasil. Dois meses antes, o Roller começa a ser treinado. Deve aprender a se apresentar a qualquer hora e na presença de pequeno ou grande público. Os melhores cantores são escolhidos a partir de quartetos ou duplas, essas últimas criadas recentemente. A sala de julgamento é pequena, com boa acústica, 22º C de temperatura e iluminada artificialmente. Cada pássaro se apresenta em uma gaiolinha individual, aberta meia hora antes para ele comer e beber. Se um mais afoito cantar antes da hora, é interrompido. Para o julgamento, quatro ou duas gaiolas são empilhadas sobre uma mesa. A apresentação dura 30 minutos, observada a um metro de distância, aproximadamente, pelo juiz. O silêncio deve ser tal que somente os Rollers sejam ouvidos. Os juízes, que estudam a fundo a chamada Teoria de Canto Clássico, avaliam o repertório; a intensidade do canto; a perfeição da apresentação; a emissão do som ascendente ou descendente, lenta ou rápida; a transição de uma tour para outra e a pureza do som nas tours básicas. Consideram também os pontos negativos que são chamados de "tours de depreciação". Os prêmios vão para o melhor quarteto ou dupla e para o melhor cantos.

Os machos que já terminaram a muda, nascidos de agosto a dezembro, são colocados na gaiolinhas individuais de canto. Elas são postas em estantes, uma ao lado da outra, em um quarto na penumbra, situação que mais estimula o canto. Como cortina, usa-se um tecido de algodão opaco, de cor escura, não muito grossa, para não impedir a ventilação. Após a adaptação, período de uma semana a dez dias, uma divisória de madeira entre as gaiolas evita que o macho veja outro e desenvolva cantos de briga, sem valor para os concursos. Mantidos na penumbra, os canários cantam e exercitam os quatro tours básicas espontâneamente. Quando estiverem cantando de maneira vigorosa e constante, o próximo passo é fazê-los cantar somente se quisermos. Mais uma cortina opaca é usada, dessa vez na estante, para o canário ficar no escuro e parar de cantar quando for fechada. Abre-se a cortina diversas vezes ao dia durante 30 minutos. Ao verem a luminosidade, os pássaros exibem todo o seu canto. É uma fase preciosa de acompanhamento do progresso dos "alunos", quando se aprende também a perceber as variações do canto do Roller e a acostumar o ouvido a reconhecer as tours. Com o treino, o Roller tende a definir uma seqüência da preferência dele. Esse é o momento de começar a empilhar as gaiolas sobre uma mesa para simular o julgamento dos quartetos ou duplas. O exercício é feito diversas vezes ao dia, por uma hora, até a véspera do concurso.

A cada 15 dias, os canários devem ser postos em uma gaiola "voadeira", durante três horas, para exercício físico e banho. A oportunidade é aproveitada para a limpeza das gaiolinhas e da estante. Atenção com os machos que estão na voadeira: os briguentos devem ser separados dos demais.

O canto é determinado pela genética e aprimorado pelo exercício. Alguns livros e outros criadores sugerem influenciá-lo com o canto de outros Rollers e indicam o uso de pássaros-mestres e discos para esse fim. Entretanto, a maioria dos criadores considera esse método pouco ético por desvirtuar o canto característico de cada ave.

Para quem tem um casal em casa, há algumas dicas para estimular o macho. Ele poderá cantar na maior parte do dia, o ano todo, se o ambiente for estimulante ao canto.

A motivação é maior quando o ambiente está iluminado e há uma fêmea por perto, cuja presença ele pressinta ou veja. Através do jogo da claridade e da escuridão, é possível concentrar o canto em determinados períodos de tempo e fazê-lo mais vibrante. No escuro, cantará pouco e baixo. Para ouvi-lo cantar entusiasticamente, basta acender a luz. Na época da procriação, a tendência é cantar mais. Porém, se for colocado na mesma gaiola da fêmea, o seu canto diminuirá bastante. Se você tiver mais de um macho, o ideal é que um não veja o outro, para não desenvolverem o canto de guerra, que é pouco atrativo. Quando um não vê o outro, basta um cantar para que os demais se sintam estimulados a fazê-lo.


O MELHOR

Para ter um bom Canário de Canto, adote alguns cuidados básicos. Ao comprar, procure um criador indicado por um Clube Ornitológico. Escolha o exemplar de canto mais agradável e melodioso segundo o seu gosto (lembre-se: só o macho canta). Prefira adquiri-lo com pelo menos 3 meses, quando começa a cantar. Atingirá o seu ápice com 1 ano de idade. A fêmea pode ser comprada com qualquer idade - com 1 ano está apta à reprodução.

A compra pode ser efetuada nos canaris, em lojas especializadas e em exposições, onde se pode assistir aos concursos. É normal o comprador ouvir o canto antes de fechar negócio, seja de alguns canários específicos como em grupo.

Apesar das fêmeas não cantarem, não descuide de uma boa escolha. Devem ser saudáveis, alegres e um pouco mais gordinhas que os machos.

O canário vive em média 5 anos. Para mantê-lo saudável, além da alimentação fresca, variada e livre de agrotóxicos, ponha a gaiola em um lugar que receba os primeiros raios de sol da manhã e sem corrente de ar. Não dispense os banhos matinais de sol e de água. Fazer uma inspeção diária nas aves é uma boa medida, pois muitas doenças são facilmente curáveis se identificadas no início. O banho é um excelente indicador de saúde: pássaros doentes nunca tomam banho.

As doenças mais comuns são as respiratórias e as de origem intestinal, entre elas a asma dos canários, causada por ácaros e diarréias por motivos variados. Ocorre também a bouba, bola nas regiões sem penas, ocasionada por vírus transmitido por picada de mosquito (gênero Cullex). Piolhos de aves também podem infestar a criação.

Os criadores identificam seus canários com anilhas fornecidas pela entidade principal à qual o clube é filiado. Contêm o nome do clube de filiação do criador, o número do canário e do criador e o ano de criação. Graças a esse sistema, pode-se saber quais são os ancestrais de cada ave.

A reprodução dos canários, em geral, vai de julho a dezembro. Coloque um ninho aberto (vendido nas lojas) na gaiola do casal e deixe alguns fios de barbante ou estopa para que o casal arrume. A fêmea põe de três a quatro ovos por postura, chocados por 13 dias. Uma verificação diária do ninho, feita com cuidado, é o suficiente. Geralmente, a mãe cuida bem dos filhotes. Se for perturbada pode abandonar o choco ou deixar de tratá-los. Após 1 mês de vida, os filhotes são separados dos pais e colocados em gaiolas comuns. Aos 45 dias, podem ir para as gaiolas "voadeiras" para fazer exercício e aos 3 meses para a gaiola definitiva. O casal continua na gaiola até dezembro ou antes, se você preferir interromper a reprodução. Nesse caso, o macho logo volta a cantar com vigor.

CUIDADOS E INSTALAÇÕES

Gaiola para casal (e individual): de metal G2 com 45 centímetros de comprimento por 32 de largura e 40 de altura. Ou do tipo argentina com 60 centímetros por 35 por 40.
Gaiola "voadeira": 70 centímetros de comprimento por 30 de largura e 30 de altura, com dois poleiros. Gaiola de canto e concurso: com 22 centímetros de comprimento por 15 de largura e 17 de altura, com dois poleiros nas extremidades para exercícios.
Higiente das gaiolas: as gaiolas de casal, individual e voadeira devem ter piso removível para facilitar a limpeza, bebedouro, comedouro, recipiente para a farinhada, banheira com 3 centímetros de profundidade, cheia de água, e dois poleiros com 1 a 1,5 centímetros de diâmetros. Limpeza é fundamental para prevenir doenças. Forre o fundo (bandeja) da gaiola com papel-jornal e troque-o diariamente. Retire a banheira por volta das 11 horas para evitar banhos à tarde e para que a água suja não seja bebida. Lave o comedouro, bebedouro e a parte de baixo da gaiola duas vezes por semana.
Criadouro: é composto por uma sala com janela para a reprodução e outra para o exercício do canto, de preferência em local que receba o sol da manhã, e sossegado, para que as aves na época da reprodução tenham paz e luz para criar seus filhotes. A ventilação deve ser boa, mas sem corrente de ar. O criadouro deve ter voadeiras, além das gaiolas tradicionais. Pelo menos duas vezes por ano, o criadouro deve passar por uma limpeza geral - antes e depois da temporada de reprodução.
Alimentação normal: para manter a elasticidade do órgão que modula a voz (a seringe, também conhecida como laringe inferior), ofereça uma mistura de 50% de couza (uma semente oleaginosa) e mais 30% de alpiste, 10% de níger, 7% de aveia e 3% de linhaça. Uma colher (sobremesa) diária desta mistura é suficiente para cada ave. Ofereça também verduras como a couve, escarola, almeirão ou chicória (nunca alface que provoca diarréia) e frutas como a maçã e a laranja. E por último, uma colher (café), diariamente, com a massa de ovo ou farinhada. A receita é : 1 gema de ovo cozido amassada e passada numa peneira fina, 1 cenoura pequena ralada bem fina, 1 colher de chá de mel, 50% de farinha de rosca, 50% de complexo vitamínico Meritene ou de Canarina (produto para canários da Purina); há também alguns produtos importados na mesma linha. A farinhada precisa ser trocada todos os dias, pois fermenta e pode ser prejudicial. Outro ponto importante na alimentação, que não deve faltar, é a areia lavada. O canário, sendo um granívoro, precisa dela para digerir bem as sementes. A areia deve ser colocada em uma vasilha para evitar que os pássaros a sujem, na seguinte mistura: areia (60%), casa de ovo (20%) e farinha de ostra (15%), bem moídas e cálcio fosfatado (5%).
Alimentação dos filhotes: após o nascimento dos filhotes, a farinhada deve ser dada 2 a 3 vezes ao dia, para os pais alimentarem a ninhada.

PARA SABER MAIS

Livros:

  • Coleção Tratado de Canaricultura de Ademir Eugenio Lopes, 1979, Editora Nobel, São Paulo-SP. O assunto está espalhado em vários volumes.
  • A criação de Canários e seus cuidados, de Ademir Eugenio Lopes, 1986, Editora Nobel, São Paulo-SP.
  • Der Hazer Roller - Edição da D.K.B. (Federação Alemã de Criadores de Canários), 1986, Mulheim, Alemanha.
  • Sucesso na Criação de Pássaros, de Oberland de Oliveira Coelho, 1980, Editora Nobel, São Paulo-SP.
  • El Canario, Canaricultura, de Miguel del Pino Luengo, 1983, Editorial Aedos, Barcelona, Espanha.

Apostilas: 
As associações e clubes publicam apostilas e boletins sobre o assunto.

Associações:


Criadores:

  • José Fusari Neto
  • Armando Rodrigues e Antônio de Barros
  • Serathim Ribeiro da Silva
  • Ayr David Gadret

Agradecemos à colaboração dos criadores citados, inclusive pela revisão desse texto. 
Reportagem: Ana Martins. Texto: Marcos Pennacchi


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Reprodução: ninho, postura, anilhamento e separação dos filhotes

Passado o inverno os canários começam a se aprontar para o início da fase de acasalamento. O indicador da chegada da época de acasalamento são os pardais, que começam a ficar com o canto estridente, começam a marcar os seus territórios, começam as brigas para as escolhas das fêmeas e as fêmeas iniciam a busca de materiais para confeccionar os seus ninhos. Os canários, na maioria das vezes, não correspondem ao mesmo período de acasalamento das aves silvestres devido ao ambiente interno do canaril. Os canários são foto sensíveis, isto quer dizer que, quando a luminosidade dos dias começam a aumentar seus instintos lhe avisam que está chegando a hora do acasalamento. Outro fator que altera o ciclo das vidas dos canários é o aumento da temperatura, quando os dias começam a ficar cada vez mais quentes. Quando o calor estiver no auge o sistema irá lhe avisar que deve começar a muda das penas. Quando não respeitamos o fator da luminosidade e a transmissão da temperatura externa para dentro do nosso canaril deixamos as aves confusas. Imaginem se todos os dias apagamos as luzes do canaril às 20:00 horas e se às  21:00 horas acendemos as luzes por algum motivo qualquer. Para um cérebro evoluído não quer dizer nada, mas para um canários quer dizer: oba, começou um novo dia! Imaginem adotarmos estes procedimentos como padrão, chegará um dia que reunirá alguns fatores do tipo: Está muito quente e também os dias estão com o máximo de luminosidade, DEVO COMEÇAR A FASE DA MUDA DAS PENAS. Temos então, as famosas mudas fora de época.
Por tudo isso, quando criamos canários com objetivos de reprodução, devemos atentar para para os fatores luminosidade e temperatura.

Início da temporada de reprodução

Diferenças Fisiológicas dos Machos e Fêmeas
Tudo inicia com a escolha dos canários que irão formar os casais. Os canários selecionados deverão ser colocados em gaiolas individuais, próprias para reprodução. Estas gaiolas deverão conter um ninho e material para confecção do ninho.Também utilizo um triângulo equilátero feito de uma folha de jornal que é fixado com fita crepe no vértice da gaiola onde vai ser colocado o ninho. Esta proteção evita que caia alguma sujeira ou poeira em cima da canária quando estiver no choco e a deixa mais calma e também evita que os filhotes evacuem na parede.

Escolha da época para o início dos acasalamentos


Cada criador sabe da importância de eleger o período para o início dos acasalamentos, este momento não é uma data fixa, esta decisão deve ser tomada baseada em fatos dos tipos;

  • Clima primaveril ou final do inverno.
  • Pássaros urbanos do tipo; pardais e pombos iniciando seus acasalamentos.
  • As canárias iniciando a confecção dos ninhos e com postura de ovos. Não devemos deixar as canárias efetuando a postura de ovos sem a presença do macho, pois estas posturas acabam desgastando as canárias.
  • Foi elaborado o manejo para aprontar os casais antes da primavera.

O fator clima é um dos fatores mais importante para iniciarmos os acasalamentos. Devemos aguardar o final do inverno quando a temperatura começa a ficar mais agradável.
Para os criadores que possuem ambiente climatizado os casais podem ser emparelhados conforme forem se aprontando, independendo do clima. Uma vantagem de acasalar os canários que estiverem prontos com um clima mais frio é que não temos a presença de piolhos.
O ciclo reprodutivo dos canários na região Sul do Brasil, começa em Julho e se estende até final de dezembro. Como já fora referido em textos anteriores neste blogger, os canários são foto sensível, ou seja, todo o ciclo vital desta ave é controlado pela luminosidade que recebe. Após o dia de São João, os dias passam a ter mais horas de luz solar e as noites ficam mais curtas. O fato de aumentar a luminosidade dos dias ativa o lado reprodutivo dos canários. O criador também pode interferir no manejo com a finalidade de aprontar mais rápido os seus canários;

  • Expondo a banhos de sol pela manhã 
  • Simulando o aumento da luminosidade no canaril com luz artificial da seguinte forma; ao entardecer ascender a luz interna do canaril e controlar o apagar das luzes internas cada dia mais tarde, até chegar às 20:00 horas.

É importante para quem pretender iniciar a criação em julho ter certeza que machos e fêmeas estão prontos e sexualmente maduros para o acasalamento. Não adianta apenas um deles estar pronto.
A época da criação é a mais esperada pelos criadores e também é a de maior trabalho. Tenho como padrão de dedicar de 3 à 4 meses para o período dos acasalamentos (Reprodução) e sempre primando pela a qualidade, não me importando muito com a quantidade. Também trabalho para que esta etapa seja a menos cansativa possível.
Um fato que arrebenta qualquer planejamento no que tange a período de acasalamento é quando o criador não estipula o limite final dos acasalamentos e estende este período. Não adianta tirar filhotes em fevereiro e março, pois no próximo ano estes canários irão amadurecer sexualmente muito tarde, obrigando o criador a estender novamente o período final dos acasalamentos. Quando este procedimento torna rotina, o criador irá perder o controle do manejo correto na formação dos casais, pois terão lotes de canários prontos em junho, outros após outubro, novembro e dezembro. Outro fato; Quando os canários nascidos em fevereiro e março são vendidos a outros criadores é muito comum o vendedor não informar a data do nascimento do filhote e na maioria das vezes estes canários são descartados como inaptos para reprodução, pois ao serem acasalados não mostram interesse no ciclo reprodutivo, pois ainda não estão maduros sexualmente, um canários leva em média de 8 à 9 meses para se aprontar sexualmente.

Os ninhos

De preferência a ninhos de plástico com a borda de côr branca, que possibilita a identificação dos piolhos. O forro do ninho deve ser de espuma de espessura de 1 cm cortado da forma de círculo que encaixe perfeitamente dentro do ninho. Não permitir ao nascer dos filhotes, que fiquem sobre papéis picados, pois o papel não permite que os filhotes fixem as unhas, podendo os filhotes ficar com as pernas esgaçadas. Os Ninhos com forro de feltro, também não são aconselháveis, pois os filhotes podem ficar com as unhas presas nos fios do feltro.

Confecção do ninho


Característica genética, se a mãe é boa construtora de ninho a filha também saberá fazer um bom ninho. Algumas canárias começam a elaborar os seus ninhos e quando estão terminando ficam confusas, desmancham tudo e começam a refazer o ninho que na maioria das vêzes ficam incompletos. O criador deve ajudar oferecendo material para que a fêmea possa construir o seu ninho. Esse material o mais utilizado é o tecido chamado de juta se possível sem goma.
Devem ser cortados os fios de juta desfiada no tamanho de 6 cm de comprimento e colocados no vão da gaiola para que a fêmea possa pegar, também pode cortar um pedaço de junta e fixá-la com prendedor para que a canária possa  ir desfiando o tecido. Jamais coloque fios muito finos, pois os mesmos poderão ficar presos nas patas dos canários e quase sempre terminam em acidente.

Um pedaço de juta no fundo da gaiola
Formação dos ovos e fecundação


Nas fêmeas adultas das aves, apenas um dos ovários embrionários se torna funcional, esta adaptação aconteceu visando à redução do peso da ave em função do vôo. O ovário quando está maduro tem o aspecto de um cacho de uvas, podendo conter até 4000 óvulos, que podem potencialmente desenvolver-se em gemas. Cada óvulo está ligado ao ovário através de uma fina membrana, chamada de folículo, que é coberta por uma rede de vasos sanguíneos. Os óvulos através de sucessivas divisões, transformam-se em ovócitos que vão recebendo nutrientes e tornam-se óvulos de diversas hierarquias em função do tamanho. Uma vez prontos para serem ovulados, os óvulos são recolhidos no infundíbulo. Nesta zona do oviduto ocorre a fecundação, isto se os espermatozóides estiverem presentes  neste local. Nesta parte do organismo também  recebem a membrana vitelina e a chalaza. A membrana vitelina é película que protege a gema do ovo e as chalazas são estruturas presentes nos pólos dos ovos na forma de cordões, que tem a função de centralizar a gema a proporcionar segurança da gema nos movimentos bruscos.
Todos os componentes do ovo são formados em regiões diferentes do oviduto. Nas regiões abaixo são gerados;

Ovário e oviduto


No magno; a clara é acrescentada.
No istmo; uma zona mais estreita do canal, forma-se a membrana da casca.
No útero ou glândula da casca; forma-se a casca, que é a etapa mais demorada.

Para facilitar o deslizamento do ovo nas paredes do oviduto, a parte externa do ovo é envolta com uma substância na forma de gel, que logo após a postura do ovo é absorvida pela casca, servindo como uma película protetora. Por este motivo que os ovos que deverão ser chocados não podem ser lavados.

Ao pôr o ovo, a fêmea inverte parcialmente a cloaca, como se virasse uma luva ao contrário, impedindo que o ovo entre em contacto com o ânus e seja contaminado por fezes. Os restantes sistemas também são bloqueados, impedindo a descarga de fezes acidentais durante o esforço da postura do ovo.

O sistema reprodutor masculino das aves, mantém nos adultos os dois testículos, ligados a um par de epidídimos e canais deferentes, que servem para levar os espermatozóides e as secreções espermáticas até a cloaca.

A fecundação é sempre interna, sendo a cópula o ato dos encostos das aberturas das cloacas masculina e feminina, ocasionando o chamado o beijo cloacal. Neste ato são expelidos espermatozóides pelo macho dentro da cloaca da fêmea e estes espermatozóides são conduzidos até o útero através de hormônios. Chegando ao útero, local onde estão os ovos maduros e prontos para serem fecundados, apenas um dos espermatozóides fecunda cada ovo, dando assim o início de todo ciclo de perpetuação desta espécie.

Postura

Nos dias que antecedem a postura nota-se que canária esta mais pesada, se examinarmos o ventre da canária verificaremos um volume bem acentuado, por este motivo a canária não deve ser  perturbada e também não devemos pegá-la com a mão. A canária efetua postura de 1 a 5 ovos e geralmente a postura é feita pela manhã, sendo que o último é mais azulado.

Choco

Estado febril que são acometidas as fêmeas das aves que lhes possibilitam uma temperatura constante de 38 graus que possibilita o desenvolvimento do embrião dentro da  célula da gema do ovo. O estado do choco varia de canária para canária. Algumas entram em choco a partir da postura do primeiro ovo, outras do segundo e algumas efetuam toda a postura e após começam a chocar. O estado febril do choco tem como características o aumento do volume das fezes e com  um cheiro forte de Amônia.

Nascimento

A eclosão dos filhotes acontece após 13 dias de choco. Os filhotes rompem  a casca do ovo utilizando uma pequena estrutura localizada na ponta do bico na forma de uma quilha virada para cima, que se chama de 'dente do ovo'. Com o passar do tempo o filhote perde esta estrutura. Quanto a alimentação; os filhotes quando nascem possuem uma estrutura agregada no abdômen chamada de saco vitelino, que lhe permite a  reserva de alimento para um dia, após os primeiros dias de vida este sacos vitelino é absorvido pelo organismo e desaparece. Para melhorar a produção de filhotes devemos utilizar a técnica da substituição dos ovos da postura ou seja a cada ovo posto pela canária, devemos substituir por um ovo de plástico. Quando a canária efetivar a postura do quarto ovo, retirar os ovos de plásticos e colocar os ovos originais. Os ovos retirados devem ser acomodados e um recipiente forrado com algodão e deverão ser virados ou trocados de posição todos os dias, para evitar que a gema fique grudada na casca do ovo. Estes ovos podem ficar aguardando o choco por 3 semanas. Os ovos devem ser guardados em local ventilado onde a temperatura ambiente não chegue aos 34 graus, pois esta temperatura ativa o desenvolvimento embrionário do ovo. Também não podem ser lavados ou higienizados ou guardados em geladeiras. Esta técnica visa a eclosão de todos filhotes no mesmo dia, com isto evitamos e morte quase sempre do último filhote nascido. Eu costumo a repassar os últimos filhotes para uma outra canária que tenha filhotes pequenos e do mesmo tamanho. Deve ser observado a forma do filhote e a saúde e se não apresenta manchas no abdómen e também a limpeza interna do ninho. Quanto à forma; para mim um bom indício de uma boa ave é a oxidação da pele (Na linha escura) e a forma da cabeça semelhante a um grão de bico. Quanto à limpeza interna do ninho; Quanto for muito limpo, tudo indica que teremos problemas de rejeição de anel por parte da fêmea no momento do anilhamento do filhote. Quando não for muito limpo, temos a certeza que não haverá rejeição do anel mas, teremos que revisar o ninho todos os dias e trocá-los por ninhos limpos a cada dois dias. Quando eclodir apenas um ou dois filhotes na ninhada, aconselho ao criador à não jogar os ovos brancos fora, eles devem ser  substituídos por ovos de plástico. Os ovos de plásticos não deixarão que a canária jogue o seu peso sobre os filhotes.


Filhote ainda com o saco vitelino

Nas fases do choco e nascimento dos filhotes devemos cuidar para que a canária não seja perturbada. Um dos processos de seleção das fêmeas do meu plantel é ter um comportamento tranqüilo. As fêmeas quando ariscas por qualquer motivo se assustam e se comprimem no ninho e o resultado quase sempre  o amassamento do filhote ou são pisoteados causando deformidades nos filhotes. Um outro problema das fêmeas ariscas é quando nos aproximamos das gaiolas elas saem do ninho num vôo desabalado jogando alguns filhotes para fora do ninho. Um detalhe, isto vale para qualquer fêmea, deixar sempre a gaiola na mesma posição, para evitar problema de abandono do ninho. Se por um lado é ruim no que tange a fase do choco e filhotes novos, podemos usar este procedimento de trocar a gaiola de lugar para atrasar o início do próximo período de cobertura do macho.

Anilhamento


Os filhotes podem ser anilhados a partir do quinto dia de vida. É um procedimento que requer conhecimento do plantel ou seja o criador deve conhecer as fêmeas que rejeitam os anéis dos filhotes. Às vezes são canárias excelentes e que não podemos descartá-las, então temos que conviver com este problema. Uma forma de trabalhar com este tipo de canária é a seguinte; Deve ser esperado o momento em que os filhotes comecem a fazer as fezes na borda do ninho e também cuidar a grossura da pata, esta deve estar no último dia para passar o anel, mais ou menos lá pelo nono dia . Deve ser passado vaselina na pata do filhote na qual iremos colocar o anel e devemos inserir o anel sem causar qualquer tipo de dor. Como este filhote já esta com as unhas bem formadas a canária não irá conseguir puxar a perna do filhote para retirar o anel e consequentemente joga-lo para fora do ninho.Se precisar retirar o anel por motivo de um ferimento na pata, existem alicates especiais para o corte das anilhas. Na realidade existe uma relação da limpeza do ninho com rejeição do anel. As fezes do filhote nos primeiros dias são envoltas por uma película da forma de placenta onde a canária as pega no bico e as coloca fora para manter a limpeza do ninho, nesta fase qualquer coisa diferente de filhote são jogados  para fora do ninho, somente começando a não dar mais bola quando as fezes começam a aparecer na borda do ninho.

Separação

Devem ser retirados os filhotes quando os mesmos já se alimentarem sozinhos. Isto deve acontecer após o vigésimo quinto dia do nascimento. Note que os filhotes já estão se alimentando sozinhos, mas os seus bicos ainda não estão totalmente duros, ainda não conseguem abrir sementes com destreza, dando preferência para as sementes negras que são mais macias. Nesta fase devemos servir as sementes socadas em um pilão para afrouxar as cascas ou passar um rolo de abrir macarrão em cima das sementes para que as cascas sejam afrouxadas. Deve ser servido maçã  sem a casca e bem macia e a farinhada com ovos cozidos e verduras de boa procedência. Os filhotes devem ser colocados em gaiolas do tipo de avoadeiras. Devemos ter o cuidado de não colocar pássaros em excesso nestas gaiolas, eu tenho como princípio de colocar 10 canários por avoadeira de 1,20m de comprimento. Nas voadeiras reservadas para os filhotes, devemos ter o cuidado de agrupar filhotes da mesma idade.

A primeira muda dos filhotes

A primeira muda dos filhotes deve acontecer por volta dos dois meses de idade e esta muda deverá incidir somente nas penas pequenas ou plumas, não sendo repostas ou trocadas as penas grandes e largas, do tipo; rémiges (penas das asas) e timomeiras ou rectrizes (penas da cauda). A muda de pena não pode ser considerada uma doença, mas causa uma certa debilidade fisiológica nos canários enquanto estiver acontecendo. Devemos ter em mente que nas trocas das penas a alimentação é muito importante,  pois o organismo da ave exigirá que sejam consumidos altos teores das reservas energéticas para a formação das novas penas. Uma alimentação rica e adequada também irá refletir na qualidade da nova plumagem. Nas mudas das penas devemos estar atentos para alguns detalhes, pois nesta fase as incidências de óbitos de canários são mais acentuadas. Algumas das  medidas que podem  ser tomadas para amenizar os problemas ocasionados pela muda de penas e pureza da plumagem;
  • Evitar as trocas de ambientes que possam causar choque térmico.
  • Aumentar a freqüência dos banhos. Esta medida visa proporcionar a diminuição do tempo da muda. 
  • Colocar os canários que estão na muda em gaiolas amplas que permitam o vôo do canário. Esta medida visa diminuir o tempo da muda.
  • Aumentar a quantidade de sementes negras. Esta medida visa proporcionar um maior brilho na plumagem da ave. 
  • Fornecer alimentação rica em proteínas, incluindo as frutas e as verduras. Devemos ter o cuidado para não fornecer calorias em excesso.
  • Evitar as correntes de ar.  
  • Para evitar a debicagem, não coloquem muitos filhotes em uma única gaiola.
  • Se possível preserve os melhores filhotes em gaiolas individuais.
  • Se criar canários com fator e sem fator, coloque as gaiolas distantes para evitar que resíduos da farinhada com pigmentante das gaiolas dos canários com fator, sejam fogados na gaiola dos canários sem fator. 
Identificação do sexo dos filhotes

O único tipo de canário que conseguimos identificar o seu sexo antes de começar a cantar são os mosaicos. Devido ao fato de morfológicamente os machos e fêmeas serem diferentes (Dimórficos).
A partir da primeira muda os filhotes machos começam a ensaiar o seu canto de forma enrrolada e não melódica. O ato de cantar nesta fase ainda não deve ser a prova final do seu sexo, devido ao fato das fêmeas também cantarem. Para homologar o filhote como macho espere um pouco mais, até que ele tenha o seu canto completo, com nitidez e volume. Alguns filhotes machos por algum tipo de problema dos tipos; acariose,doenças respiratórias ou até mesmo por serem perseguidos por filhotes machos dominantes nos gaiolões, não irão cantar. Estes canários somente serão identificados o seu sexo na época do acasalamente pela visualização da sua cloaca. Também podemos ter algumas indicações externas que podem nos ajudar a identificar os machos das fêmeas;
  • As fêmeas possuem maior quantidade de feomelanina (cor marrom).
  • A cor lipocromica dos machos são mais intensas.
  • Nos canários negros intensos as marcações nos flancos são menos acentuadas que nas fêmeas.
  • Nos canários negros a melanina negra ou marrom é mais forte.
  • Nos canários negros a oxidação dos bicos e patas são mais acentuadas nos machos.     
Obs.: As perseguições dos canários dominantes a outros canários, como foi citado no texto acima, é um dos problemas quando se colocam os filhotes juntos em gaiolões. As vezes não percebemos estas perseguições e acabamos perdendo canários excelentes que não irão servir para nada, pois não irão cantar e nem galar. Já ví diversas vezes, filhotões de canários machos, serem perseguidos por machos dominantes e serem rolados no fundo da gaiola como se fossem canárias e com tentativa de gala pelo macho dominante. Mais tarde quando tentamos utilizá-los em acasalamentos estes canários não se aprontam nunca. Note que eu não estou me referindo as brigas entre os filhotes que são normais, quando estas não forem excessivas. Estou me referindo a aquelas perseguições entre machos e fêmeas. Por este motivo, quando noto algum canário muito fogoso no gaiolão retiro ele imediatamente, ficando o mesmo em gaiola separada.  





Distúrbios de comportamento nas fêmeas

Esse ano tive problemas com uma fêmea de Harz Roller que colocou 8 ovos! Percebi que na verdade ela tinha emendado duas posturas, com apenas 5 dias de diferença. Dessa ninhada sobreviveu apenas 1 filhote, pois dos outros ovos parte estavam brancos e outros morreram no embrião, uma vez que o choco dela foi bem perturbado.

Segue abaixo uma lista de disturbios de comportamento nas fêmeas na época de reprodução.


O sucesso da criação depende do bom comportamento das fêmeas. Normalmente a fêmea colocada na presença do macho, faz o ninho, põe, choca os ovos e alimenta os filhotes.

O macho pode ajudar na construção do ninho e participa na alimentação dos filhotes; a sua função torna-se cada vez mais importante à medida que os filhos crescem.

Os principais problemas do comportamento concernentes às fêmeas são os seguintes:

  • A fêmea não põe 
  • A fêmea destrói constantemente o ninho 
  • A fêmea põe fora do ninho 
  • A fêmea põe sem parar 
  • A fêmea põe, mas não incuba 
  • A fêmea pica os ovos 
  • Os filhotes são atirados para fora do ninho 
  • Os filhotes são pouco ou mal nutridos 
  • A fêmea pica os filhotes

Analisemos os diferentes casos.

A FÊMEA NÃO PÕE

Normalmente a postura é desencadeada pela visão do ninho; ela é favorecida pela presença do macho. Na ausência de ninho, a presença dum recipiente côncavo pode incitar a fêmea a por; até pode pôr num comedouro.
Mas é necessário que a fêmea esteja pronta para pôr, mesmo que o seu ovário contenha os futuros óvulos. Isto supõe que a temperatura e a luz tenham variado normalmente como aquelas produzidas na Primavera. Muita luz e sem muito calor ou o inverso, muito calor e pouca luz, provocam uma alteração do ciclo sexual, que é frequentemente acompanhada por uma muda parcial.
Se a fêmea não põe, malgrado a presença do ninho e do macho, pode-se mudar o macho e trocá-lo por outro mais ardente, mais viril. Se o comportamento da fêmea não muda, é necessário troca-la por uma outra.
A melhor fêmea é uma de dois anos, cujo comportamento terá sido testado no ano anterior. Uma fêmea muito velha pode estar inapta à postura: torna-se estéril.

A FÊMEA DESTRÓI O NINHO CONSTANTEMENTE

A maioria das fêmeas constrói metodicamente o ninho: empregam materiais grosseiros, depois materiais finos para o acabamento. Algumas começam a construção do ninho sem contudo acabar: elas confundem frequentemente os materiais e finalmente o primeiro ovo é posto num ninho inacabado e muito mal feito. Geralmente este comportamento é hereditário. Ele persiste de ano a ano. A fêmea não sabe fazer o ninho, porque nasceu, geralmente, num ninho mal feito.
O criador deve intervir para terminar o ninho ou oferecer à fêmea um ninho completamente feito.
No caso dum ninho de canários, pode-se colocar um ninho de fibras de coco comprado no comércio. Aos exóticos pode-se oferecer um ninho bola, em vime, no interior do qual se cola um revestimento macio, que o pássaro não poderá arrancar. Geralmente o criador contenta-se em terminar o ninho, colocando um suplemento de materiais e construindo uma cavidade para os ovos. Ele pode obter esta cavidade, fazendo rodar uma maçã no ninho, ou moldando com sua mão.
Como no curso de criação, o ninho se suja, ele não pode hesitar em mudar o revestimento no momento em que ele se torne muito sujo. Os filhotes têm necessidade de asseio e esta limpeza agirá sobre o comportamento de adulto. Isto é sobretudo necessário quando o número de filhotes é importante. Isto é indispensável no momento em que os filhotes defecam sobre as paredes do ninho e quando os pais penetram no ninho para alimentá-los.

A FÊMEA PÕE FORA DO NINHO

Sucede que uma jovem fêmea põe fora do ninho, seja sobre o fundo da gaiola, seja num comedouro. Ela não compreendeu a função do ninho que o criador lhe ofereceu, e não o adoptou.
O mais simples é colocar o ovo no ninho onde ele deveria ser posto; faz-se o mesmo para o segundo ovo, e assim por diante até a obtenção duma postura normal. Se a postura se faz num comedouro, tira-se o comedouro à noitinha, uma vez que a postura tem geralmente lugar ao nascer do dia. Para seduzir a fêmea no ninho, pode-se aí colocar um ovo claro (dum outro casal) ou um ovo falso. Quando se trata dum ninho caixa, junta-se materiais que se deixam passar pela abertura; esses materiais excitarão a curiosidade da fêmea, que visitará então o ninho.
É possível que a fêmea não ponha no ninho, porque está infestado pelos piolhos ou porque não é suficientemente próprio. O asseio é necessário e é preciso então mudar ao menos o revestimento do ninho, entre duas ninhadas.

A FÊMEA PÕE SEM PARAR

Encontra-se no ninho um número de ovos anormal. No caso de uma espécie onde o macho e a fêmea são parecidos, é possível que o casal compreenda duas fêmeas. É necessário sexar atentamente os pássaros.
Mas num casal normal, a fêmea pode pôr numerosos ovos. Geralmente são ovos claros e isto ocorre porque quando uma primeira postura era feita de ovos claros, a fêmea continuava a pôr.
Uma observação atenta do número de ovos teria permitido ao criador ver que não se trata duma só postura, mas de duas sucessivas separadas por 5 a 6 dias. Algumas fêmeas são capazes desde o 5º dia de reconhecer se um ovo está claro ou não; neste momento elas podem abandonar o ninho ou pôr de novo.
Uma perturbação do comportamento pode explicar uma postura abundante e contínua. A fêmea é vitima dum desarranjo endócrino. Normalmente quando a postura atingiu a cifra própria à espécie (5a 6 ovos no máximo), uma inibição se produz e isto bloqueia a produção de óvulos pelo ovário. Em alguns pássaros mais sensíveis que outros, o bloqueio tem lugar mais cedo e a fêmea põe menos ovos. A postura torna-se contínua quando o bloqueio não tem lugar. É necessário tirar a fêmea e trocá-la por uma outra. Esta perturbação desaparece geralmente quando a fêmea é colocada em viveiro não contendo qualquer ninho, sobretudo na ausência de machos. Pode também atenuar-se pouco a pouco: a fêmea podendo pôr ainda alguns ovos num comedouro, antes de se tirar definitivamente.

A FÊMEA PÕE MAS NÃO INCUBA

Esta perturbação pode ter várias causas:
O desenvolvimento é desfavorável: há muito barulho ou a fêmea está inquieta. Pode ser suficiente mudar o lugar do ninho ou aquele da gaiola: a primeira ninhada estará perdida, mas uma segunda será levada a termo. A fêmea não choca porque os ovos estão claros, e isto porque ela não foi coberta pelo macho. É necessário tirar os ovos e aguardar uma segunda postura. Se a fêmea não choca, é preciso mudar o macho. O melhor macho é aquele que não somente cobre frequentemente a fêmea, mas também que a ajuda a ir para o ninho. Alguns machos chocam tanto e mesmo mais que a fêmea, mas o mais frequente e necessário é que a fêmea comece a chocar.

A FÊMEA PICA OS OVOS

Acontece quando os pássaros comem os ovos. O criador que constata a presença dum ovo e não o vê no dia seguinte ou quando o número de ovos diminui. Frequentemente não fica nenhum traço do ovo desaparecido: ele foi comido. Um pássaro pode muito bem comer um ovo. Ás vezes um filhote eclode e não se acha a casca: ela comeu-a, e isto evita que ela atraia a atenção dum predador, o que pode ter lugar quando a casca vazia é lançada fora do ninho. Sabe-se assim quando os pássaros de gaiola podem consumir os fragmentos de cascas; esses fragmentos dados pelo criador são uma fonte de cálcio. Por prudência, ele vai dar o melhor, (por ex. ostras trituradas ou fragmentos de cascas de ovos...)
É normal que um ovo seja comido depois de ter sido posto. Geralmente, o criador acusa o macho. Pensa-se que o macho viu no ovo um corpo estranho que ele quer tirar do ninho; o ovo é quebrado e comido. Isto é possível, mas a fêmea pode comer os ovos. É o que tenho constatado com um casal de mandarins. Para saber se comia o ovo, coloquei sobre a casca um produto utilizado para impedir as crianças de roer as unhas. Um primeiro ovo desapareceu sem problema aparente nos pássaros. Porém após o desaparecimento dum segundo ovo, a fêmea foi gravemente intoxicada, enquanto que o macho ficou normal. A mãe era, pois, culpada. É preciso, então, no momento em que os ovos desaparecerem depois de terem sido postos, tirar a fêmea e trocá-la por uma outra.

OS FILHOTES SÃO LANÇADOS PARA FORA DO NINHO

Acontece quando os filhotes são encontrados fora do ninho, sobre o fundo da gaiola.
Frequentemente apresentam feridas provocadas por cortes de bico.
No momento em que o criador se apercebe, rapidamente deve colocar os filhotes no ninho.
Podem cair acidentalmente ou ser assassinados pelas patas da fêmea, quando abandona muito brutalmente o ninho. É necessário então evitar assustar a fêmea que choca, e cuidar para que o ninho seja suficientemente profundo.
Mas é possível que os filhotes tenham sido lançados para fora do ninho por um dos pais. Pouco depois da eclosão, o principal culpado é o macho; ele não reconhece no filhote o produto dum ovo, e lança-o para fora numa preocupação de propriedade, ou de defesa do ninho. Neste caso, é preciso tirar o macho, esperando-se que todos os filhotes tenham eclodido e chegado a ser bastante grandes. No Diamante Gould, mais sujeito ao stress, o macho pode reagir a uma perturbação (barulho, visitante estranho...), lançando os filhotes pouco depois.
No momento em que os filhotes estão emplumados e prontos para sair do ninho, podem ser lançados pela fêmea desejosa de limpar o ninho para tornar a pôr. Algumas fêmeas tornam a pôr num ninho ocupado, mas outras expulsam os filhotes a golpes de bico. O sangue pode ocasionar a picagem: os filhotes se estiverem ainda depenados podem morrer.

OS FILHOTES SÃO POUCO OU MAL ALIMENTADOS

O crescimento dos filhotes é programado; se ele é retardado, os pais podem abandoná-los. Na natureza um retardamento no crescimento corresponde a uma doença ou ainda afecta o último nascido; esses pássaros estão condenados; eles não darão jamais um adulto robusto; os pais têm pressa de fazer uma nova ninhada, e cessam de alimentar os atrasados. Este comportamento permite a selecção natural indispensável à sobrevivência da espécie.
Na criação, o atraso de crescimento tem as mesmas causas, mas o abandono é menos brutal.
Um pássaro cego será alimentado tanto quanto será capaz de pedir com insistência sua alimentação: cessará de o ser quando não virar mais o bico do lado certo. Os filhotes debilitados por uma doença (frequentemente colibacilose) serão cada vez menos alimentados visto que eles terão cada vez menos força para pedir, levantar a cabeça e abrir o bico.
No que concerne aos filhotes de crescimento mais lento numa ninhada, trata-se de mutantes, ou de últimos nascidos. Para salvá-los, o criador confiá-los-á a outros pais, que tenham filhotes no mesmo tamanho. Para que todos os filhotes duma ninhada sejam salvos é necessário que a ninhada fique homogénea, isto quer dizer que todos os filhotes cresçam regularmente.
Pode-se activar o crescimento dos filhotes, dando-lhes uma pasta enriquecida em vitaminas. No início do crescimento, os protídios devem representar perto de 25% da ração; a seguir sua taxa deve diminuir regularmente em benefício dos glucídios (amidos dos grãos). Na natureza, os pássaros aí compreendidos, os granívoros, fornecem aos recém-nascidos uma alimentação muito rica à base de insectos e de pólen, bem como filhotes de larvas e grãos germinados. Por conseguinte, eles dão mais grãos de amoras.
Se é necessário, em caso de doença, utilizar um antibiótico, ele deve ser associado a uma mistura vitaminada e de grãos germinados. Um antibiótico pode provocar uma carência em vitaminas e retardar o crescimento.

A FÊMEA PICA OS FILHOTES

Dissemos que a fêmea desejosa de pôr pode expulsar os filhotes para fora do ninho e picá-los para arrancar-lhes as penas. Esta hostilidade cessa no momento em que os filhotes deixam o ninho, salvo se o sangue correu. No último caso, a visão do sangue tem um efeito agressivo: ele estimula a picagem. É necessário isolar o filhote, tirar a pena que sangra e colocar um pó bactericida sobre a ferida.
Filhotes machos podem ser igualmente picados pelo pai que o deseja expulsar. Se os filhotes devem ser deixados na presença dos pais, é necessário dispor duma gaiola suficientemente grande ou colocar uma separação através da qual os pais poderão alimentar os filhotes. Quando uma gaiola é muito pequena, os pais têm tendência a picar os filhotes. Pode-se também evitar isto, colocando os pais e os filhotes que deixaram o ninho numa outra gaiola, onde não haverá ninho.

CONCLUSÃO

Os distúrbios de comportamento não são raros numa criação. Isto vem do fato de que se está longe das condições naturais bem como em matéria de ambiente, quer de material ou de alimentação. Cuidados de atenção e a experiência permitem evitá-los ou tratá-los. A maior parte dessas perturbações não são hereditárias e não duram de ano a ano. O criador deve ter interesse em possuir muitas fêmeas e vários machos de reserva; mudam o macho ou a fêmea sendo este o meio mais eficaz para pôr fim a uma distúrbio de comportamento que torna um casal improdutivo.

Autor: Ivo Leite

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Perguntas e respostas sobre doenças de pássaros de goiola



1. Podemos tratar preventivamente a coccidiose?

O melhor elemento na prevenção da coccidiose é a higiene. Há vários programas de prevenção pelo uso contínuo de produtos homeopáticos. As empresas Arenales Fauna e Flora (http://www.arenales.com.br/) e Vida Animal (http://www.vidaanimal.far.br/) oferecem opções nessa linha de tratamento.

Um protocolo muito adotado pelos criadores de silvestres é o emprego preventivo de produtos à base de metilclorpindolo, como o Coccidex da Aarão ou o Coccinon da Angercal consorciados com emprego de simbióticos na alimentação.
Um protocolo bastante eficiente consiste no emprego de 2 cápsulas de Coccidex por litro de água, durante 10 dias seguidos, em quatro tratamentos anuais, consorciado com o emprego de Organew da Vetnil, na farinhada.
O metilclorpindolo, presente no Coccidex, é um coccidiostático, interferindo na reprodução dos coccídeos, reduzindo o nível de infestação e permitindo o desenvolvimento da imunidade ativa pelo organismo do pássaro. O uso continuo de simbióticos irá mobiliar a microbióta intestinal com organismos vivos não nocivos, reduzindo a possibilidade de instalação de agentes patógenos.
Uma observação importante é que, no caso de um quadro agudo de coccidiose, o metilclorpindolo não deverá ser mais a primeira escolha de tratamento, pela possibilidade de desenvolvimento de resistência.


2. Minha fêmea bota 3 ovos mas sempre o terceiro com a casca mole. Como posso corrigir isso?

Muitas podem ser as causas da má formação da cascas dos ovos. Nesse caso específico, parece faltar cálcio para a formação da casca. O correto balanceamento da dieta, com o fornecimento cálcio, fósforo e vitamina D em níveis adequados é fundamental para a correta formação dos ovos.
Como medida paliativa emergencial pode ser adicionada uma pitada de bicarbonato de cálcio na água de bebida, a partir da primeira gala até a postura do último ovo. Esse procedimento elevará a concentração plasmática de cálcio, facilitando a sua deposição na formação da casca.

3. Meus filhotes estão morrendo antes de sairem do ninho. Notei pequenas manchas amareladas no abdomem. Qual é o problema?

As manchas amareladas parecem evidenciar restos de gema não absorvidos no desenvolvimento do embrião. É provável a mycoplasmose nos reprodutores. O diagnóstico somente pode ser comprovado por exame necrológico e cultura de material em laboratório. Emergencialmente, pode ser ministrado Nalit Baby, da Angercal, 1g em 50 mL da água de bebida durante os oito primeiros dias de vida dos filhotes.
Comprovado o diagnóstico, provavelmente a indicação será tratar o plantel com Linco-Spectin, da Pfizer, 3 mL por litro de água, durante 6 dias.
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4. Meu pássaro prendeu a anilha no porta-frutas e está com a canela e o pé feridos. Como tratar?

Costumamos empregar nos casos mais graves, o Cort-Trat, da SM, destinado aos caninos e felinos, cujo princípio ativo é a Dexametazona, usando ¼ de comprimido em 50 mL de água, por, no máximo, 3 dias seguidos.
Para uso tópico, nossa primeira opção é a pomada de uso humano, Queimalive, da Cifarma.
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5. Tenho uma fêmea de azulão que está perdendo as penas na nuca e nas costas. A falha está aumentando e eu já pinguei ivomec e não melhorou. O que posso fazer?

O melhor é procurar um veterinário para colher material do local e examinar em laboratório. Se não houver essa disponibilidade, a nossa primeira escolha seria o Frontline, Spray, da Merial, destinado ao combate de pulgas em cães. O produto tem como principio ativo o Fipronil, bastante seguro para pulverização em pássaros. Tendo o cuidado de não borrifar sobre comedouros e utensílios.

Se não houver melhora, poderá ser ministrado Cetoconazol solução oral, também destinada aos cães. Uma gota em 50 mL de água durante 30 dias.

6. A Ivermectina é o vermifugo mais indicado para os pássaros?

O melhor vermífugo é sempre o específico para a infestação, indicado pela analise laboratorial de fezes colhidas.
A Ivermectina é um potente anti-parasitário, com ação eficaz sobre Nematóides (vermes redondos) e artrópodes (ácaros, piolhos e outros insetos), muito empregada na avicultura de gaiola.
Nos casos de quarentena de pássaros chegados ao criatório, sempre iniciamos o tratamento pelo emprego da Ivermectina (G-Tróx da Aarão) em dois tratamento intervalados por 8 dias. Ministramos após uma semana o Mebendazole, efetivo contra os Cestóides (vermes chatos), também em dois tratamentos intervalados por 10 dias.
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7. Tenho perdido muitos filhotes de curió e um amigo mais experiente observou que estão com a doença da pinta preta no lado direito do abdomem. O que devo fazer?

A mancha escura que você observou na lateral direita do abdome dos filhotes é, provavelmente, a vesícula biliar aumentada, e (ou) o próventrículo aumentado por acumulo de alimentos não digeridos, podendo refletir Salmonelose ou (e) Colibacilose.
Emergencialmente, você poderá ministrar para as ninhadas, Clavulin (250mg), medicamento de uso humano que associa AMOXICILINA+CLAVULANATO. A solução oral é fornecida em pó, para ser hidratada pelo usuário. Não a hidrate. Ministre uma pitada do pó, com volume semelhante ao de um grão de arroz com casca, em 50 mL de água, por 8 dias.
Procure um veterinário para a avaliação das matrizes. Essa ocorrência é comum em planteis imunossuprimidos, normalmente com aves portadoras crônicas de Mycoplasmose.

8. Minha fêmea de bicudos está ficando com as penas do peito molhadas e desarrumadas. Os filhotes estão com 5 dias. Acho que é a doença do suor das fêmeas. Como posso tratar?

As fêmeas de bicudo, como outros pássaros, não suam. Os filhotes têm diarréia e suas fezes umedecem a plumagem do peito das fêmeas.
Os filhotes quando nascem não apresentam flora intestinal. A colonização intestinal é lenta e gradual pela flora benéfica. Evidentemente que bactérias patogênicas, quando conseguem localizar-se no tubo digestivo destes filhotes, encontram terreno propício à proliferação causando diarreias.
O uso de probióticos nas farinhadas auxilia na prevenção das diarréias de ninho. Devido a grande resistência bacteriana aos principais medicamentos empregados na avicultura de gaiola, a coleta de matéria para exame laboratorial e antibiograma é importantíssima.
Na impossibilidade, a associação de 5 gotas de Neocolin, da Vansil, com 8 gotas de R-Trill, da Aarão, em 50 mL, por 8 dias, têm apresentado excelente resultado.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A mutação intenso

Exclusiva do canário, a mutação intenso reveste-se de aspectos de extraordinária raridade e de grande interesse cientifíco. É geneticamente dominante e sub-letal, provavelmente com um aspecto de expressiva variabilidade, e compreende o antigimento pelo lipocromo da ponta da pena, cujas bárbulas são mais curtas. A expressão lipocrômica é muito forte e a forma do corpo é mais leve e esbelta.

O gene responsável por esta mutação é pleiotrópico, ou seja ele  influencia várias características do portador. Nos sujeitos homozigotos, as características se exaltam, reduzindo o seu tamanho, com plumagem muito curta e fortíssima expressão do lipocromo.
Existem fortes variações de um indivíduo para outro, podendo ser mais ou menos evidentes os resíduos de nevadismo. Nos machos, a atuação do fator intenso é geralmente mais forte.

Um fenômeno excepcionalmente notável, que permanece sem explicação e que nunca havia acontecido anteriormente, é o fato da categoria nevado (forma ancestral) precisar de cruzamento misto com a mutação intenso. Efetivamente, o sucessivo cruzamento entre nevados é desaconselhado, uma vez que se obtêm todos os filhotes nevados, normalmente de má qualidade, com nevadismo excessivo que pode estender-se às zonas "de eleição", com carência de lipocromo e, por fim, tendência à plumagem muito abundante. Em caso de repetidos cruzamentos entre exemplares nevados, essas características negativas tendem a aumentar.
Na natureza, os canários se reproduzem sempre entre exemplares nevados sem qualquer problema, mesmo porque não há intensos. No entanto, em cativeiro, o mesmo tipo de cruzamento produz os resultados negativos acima citados. Por outro lado, o acasalamento entre exemplares intensos e nevados permite o nascimento de nevados de boa qualidade e equilibrados. Em todas as espécies criadas em cativeiro, a regra geral é que maiores serão o equilíbrio e a vitalidade dos filhotes quanto mais fortes forem as características presentes do tipo ancestral. É realmente difícil explicar esta exceção nos canários!

Infelizmente são poucos os que se aprofundam no problema. Na minha opinião, provavelmente o fenômeno é uma conseqüência induzida pela mutação intenso, que pode ser capaz de induzir outras mutações e de modificar, mesmo que não de forma evidente a própria forma genética.

Um outro problema a ser considerado é por que os nevados resultantes do cruzamento entre intensos e nevados são bons. Acredito que possa ocorrer um fenômeno semelhante ao da heterogênese não transmissível. Os nevados obtidos de acasalamentos entre dois exemplares intensos, nascidos na probabilidade de 25% dos filhotes, geralmente apresentam uma situação de excesso que os faz semelhantes aos obtidos através de cruzamnetos puros. Por outro lado, usando uma fêmea intensa com um macho nevado, obtêm-se em geral, apenas como uma tendênmcia, resultados ligeiramente melhores que os obtidos quando se usam uma fêmea nevada com um macho intenso. A regra é válida tanto para os filhotes intensos quanto para os nevados. Os intensos tendem a apresentar uma melhor intensidade de cor, e os nevados, um ótimo equilíbrio e bom nevadismo.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Dicas sobre formação de uma linhagem


Não acredito que seja possível ter sucesso na criação de canários de qualquer raça sem a formação de uma linhagem própria baseada em pássaros de ótima qualidade, por isso tenho lido muito e pesquisado sobre cruzamentos in-breeding, além de genérica básica aplicada aos pássaros.

Abaixo sumarizo algumas lições que aprendi com criadores de longa data de Gloster que escreveram este artigo:
http://www.glosters-usa.com/inbreeding.htm

1. Iniciar a criação com os melhores canários que se puder adquirir.
2. Será preciso ter ótimos coronas e ótimos consortes. O Gloster é UMA raça, que possui pássaros com e sem topete. Não dá pra ter uma linhagem somente com topete ou somente sem topete.
3. Qualidade é melhor que quantidade. Por isso não cruzar canários que tenham características indesejáveis.
4. Não manter uma ave apenas porque é da linhagem (família), ao menos que possuam todas as boas características que os outros membros da linhagem portem.
5. Você precisará inserir novos pássaros, com cautela. até ter uma linhagem com a genética desejada. Não dá pra tentar melhorar o padrão somente com cruzamentos cosanguíneos se a família não tiver todas as qualidades que você quer alcançar.
6. Cruzar sempre linha clara com linha escura afim de manter a qualidade das penas.
7. Cruzar consorte com consorte não produzirá bons coronas. Bons coronas devem ter uma cabeça larga, redonda em todos os pontos com boa subida para o centro do crânio.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Porque meus filhotes estão morrendo no ovo?


Todos os anos durante o período de reprodução sou procurado por criadores de diversas espécies de pássaros sempre com os mesmos problemas. Entre eles a baixa fertilidade dos reprodutores, morte de filhotes nos primeiros dias de vida e a baixa eclodibilidade dos filhotes (lembrando que é o filhote que eclode o ovo e não o ovo que eclode). Costumo dizer que daria pra escrever um livro sobre cada um destes temas, porem o tema que abordarei resumidamente neste artigo é “a morte embrionária” ou seja, aqueles casos em que o ovo esta “cheio”, porem o embrião não nasce. Existem muitas possíveis causas que justificam a morte embrionária e para melhor entendimento dividirei-as em 7 principais grupos de causas:

Causas genéticas
Geralmente estão relacionadas a gene letal, ou seja, alterações nos cromossomos que induzem a mau formações levando o embrião a morte.

Causas nutricionais
Estão relacionadas às deficiências de nutrientes importantes no desenvolvimento embrionário, como vitamina A, vitaminas do complexo B, vitamina D, acido fólico. Carência de cálcio, e também os excessos de nutrientes podem ser extremamente prejudiciais, como é o caso do selênio que em altas concentrações reduz a eclodibilidade alem de ser teratogênico.

Causas tóxicas
O uso de diversos produtos como desinfetantes e mesmo inseticidas para controle de piolhos podem ser tóxicos quando entram em contato com a casca dos ovos causando a morte dos embriões. Sempre quando desinfetamos ninhos e forros devemos estar atentos aos produtos utilizados, os ovos apresentam poros na casca que permite a passagem de agentes químicos para o interior dos mesmos. Portanto é desaconselhável a pratica de lavar ou aplicar produtos nos ovos de pássaros antes do choco, exceto em situações especiais com recomendação do médico Veterinário.

Causas relacionadas ao manejo
Muitas vezes temos o habito de tirar os ovos e colocá-los em recipientes com alpiste ou painço, pra voltá-los ao choco assim que a fêmea coloque o ultimo ovo, essa pratica visa o nascimento simultâneo da prole. No entanto a maneira que isto é feito pode prejudicar os embriões, por exemplo, mãos sujas ao manipular os ovos podem contaminá-los, vibrações excessivas, estocagem por tempo excessivo, alem do que, as sementes de alpiste ou painço são ricas em fungos e bactérias que podem também contaminar os ovos.

Causas ambientais
A temperatura e a umidade inadequadas dentro do criatório incorrem em distúrbios da eclodibilidade. Tanto as altas temperaturas quanto muito baixas podem alterar o tempo de choco ou mesmo desidratar os ovos causando a morte do embrião o mesmo acontece com a umidade. Esses fatores são de extrema importância aos criadores que recorrem a chocadeiras artificiais.

Causas comportamentais do casal reprodutor
Fator muito importante que quase não é considerado, freqüentemente pássaros inexperientes tem problemas durante o choco. Por exemplo, fêmeas que saem muito do ninho ou mesmo fêmeas que saem de menos do ninho. Também machos agressivos ou excessivamente “fogosos” que atacam as femeas durante o choco e muitas vezes provocam pequenas lesões na casca dos ovos que facilitam a contaminação ou ate a desidratação dos mesmos.

Causas infecciosas
Talvez seja o grupo mais importante, por essa razão o deixei por último. Nesse grupo podemos incluir as infecções fungicas geralmente relacionadas ao Aspergillus spp., as infecções virais causadas por paramyxovirus e Poliomavirus e finalmente as mais freqüentes causas, as bacterianas causadas por diversos gêneros como Salmonella spp., Escherichia coli, Micoplasma, Staphiloccocus, Strepyoccocus, Clamidophila psittaci e outros menos freqüentes. O diagnostico muitas vezes é difícil e deve se recorrer ao auxilio técnico de um profissional especializado, pois muitas vezes há a necessidade de exames de cultura e antiobiograma para identificar qual agente infeccioso é o causador de tal problema e qual a terapia mais adequada para sanar o problema. No mais cabe ao criador estar atento às dicas de manejo, cuidados profiláticos e ao manejo nutricional para prevenir que o plantel apresente taxas reduzidas de eclodibilidade, gerando prejuízos genéticos e econômicos. No que se refere as causas infecciosas é indispensável estar ciente de que não se deve utilizar antibióticos aleatoriamente visando a prevenção da morte embrionária, pois normalmente o prejuízo é bem maior, com o surgimento de bactérias selecionadas e super poderosas, e mesmo redução da fertilidade dos reprodutores ou até esterilidade, sem contar que antibióticos também tem efeitos tóxicos que podem induzir a teratogenia e morte do embrião. Portanto em casos de processos infecciosos o melhor é contar com ajuda profissional, procure sempre um veterinário especializado em pássaros para a realização dos exames adequados e tratamento correto.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Registo do Plantel - Um Degrau Para a Melhoria



Qualquer bom criador, ou pelo menos dedicado, tem objetivos e sonhos, que passam por ter um bom aviário, bom plantel e o mais importante que este seja saudável e produtor de bons resultados.
Para que estes objetivos sejam atingidos, são necessários vários requisitos: dedicar muitas horas do seu tempo ao viveiro, investir algum dinheiro (em equipamentos, alimentos, vitaminas, mão-de-obra, ou em novas aves), muita dedicação, muita paixão, não olhar para o lado comercial, etc.
Mas muitas vezes, mesmo seguindo todos estes requisitos, observamos ainda assim o insucesso.
Muitos criadores, ao colher os insucessos, contabilizam os prejuízos mas seguem ano após ano, essa atividade inglória.

Quando são questionados, o argumento é de que a avicultura desportiva é mesmo assim, mais sujeita ao insucesso que a vitórias. Outros acabam mesmo por abandonar a atividade desiludidos e frustrados, culpando a sua má sorte ao “mau olhado do vizinho”, pois muitas vezes sentem-se enganados, pela sua pouca experiência não ser acompanhada da melhor forma pelos amigos.

Será que estes insucessos não passarão simplesmente por uma organização mais cuidadosa de seu plantel?
Penso que sim, pois se dedicamos muito do nosso tempo, se gastamos muito dinheiro, se temos boas aves e não lhes faltamos com nada; falta qualquer coisa que pode ser apenas, a simples organização escrita do plantel, ou seja os registos de tudo o que se passa durante todo o ano. Aí de certeza vamos encontrar as explicações para o insucesso ou comprovar o sucesso.

Os registos são importantíssimos, com eles saberemos ao pormenor as despesas, os rendimentos, as linhagens etc.
Muitas vezes, as aves deixam a postura, os ovos não eclodem, os filhotes morrem em idades diferentes e por motivos diferentes, não sabemos quem é filho de quem, que produtos usamos neste ou naquele pássaro etc.

Ficamos perdidos, tentamos várias soluções, sem encontrar a melhor, resolvemos mudar tudo ou mesmo trocar os progenitores. Nessa hora esquecemos os bons casais que temos e o quanto custaram a conseguir. Se houvesse registos confiáveis, com uma análise cuidada e racional poderia-se chegar a possível ou possíveis causas do insucesso ou problemas surgidos.

Mesmo assim encontramos muitos criadores que dizem ter casais a produzir 4/5 filhotes por ninhada. Mas se lhe perguntamos, qual a média de filhotes anual por casal ou do plantel, eles simplesmente não sabem ou atiram com qualquer número.

É possível que até tenham no plantel casais velhos ou doentes ou mesmo sofrendo de infertilidade, que há muito não põe um ovo sequer, e se põem não eclodem. E quantos casais existirão que produzem um ou dois filhotes por ninhada?
O que obtém o criador com um plantel assim?

  • Financeiramente: prejuízo
  • Emocionalmente: frustração
  • Em relação aos outros criadores: sentimento de inferioridade, e atrasos devido ao sucesso dos companheiros.

Muitas vezes questionam-se: “porque é ele que consegue e eu não?”


Os registros

Falamos então dos registos, eles que são elemento fundamental para o sucesso nas criações, sendo feitos de maneira precisa. São eles que ajudam o criador a ter o registo correto da trilogia da saúde que levará ao sucesso: alimentação, património genético e todos os aspectos do ambiente que circundam os casais e filhotes. Sem anotações não se pode fundamentar qualquer decisão séria e racional.

Serão eles também que nos vão dar o registo preciso das descendências e linhagens. Os rendimentos por casal e do plantel. Em resumo, com os registos, teremos tudo gravado do que se passou durante a época.

As dificuldades

 Por incrível que pareça, fazer o registo dum plantel, é uma actividade muito difícil e ignorada pelos criadores, tendo as seguintes razões ou causas básicas inter-relacionadas entre si:

  • preguiça: descrédito (interrogando-se, se será mesmo uma atividade recompensadora)
  • falta de material ou lugar para as anotações
  • desconhecimento (para muitos a mais previsível)

Assim acontecendo, uma coisa reforça a outra, tornando o criador incapaz passando a vida a achar que isso não “paga o trabalho”. Não embarca nessa onda do progresso, porque não pode raciocinar sobre dados que não tem. Não pensa de maneira cientifica.

Aqueles que convencidos da importância do processo, dominam a preguiça, ultrapassam as barreiras, e passam a ter meio caminho andado para a eficiência na criação, e os resultados vão ser o testemunho do sucesso e a recompensa do esforço.

Onde e o que registrar

Podemos utilizar apenas umas folhas de papel ou um simples caderno: hoje já existem programas informáticos para o efeito, aqui temos a melhor solução, mas não ao alcance de todos.

O melhor caminho é optar por um dos processos, mais simples de registar e consultar.
O que devemos registar? Essencialmente deve-se anotar os registos básicos numa criação, estes em traços gerais são: o casal, os filhotes, linhagens, esquemas de cruzamento, manejo sanitário, despesas com alimentação, equipamentos e outras, e pequenas notas de situações pontuais verificadas.

Cada criador elabora aquela ficha que mais lhe interessa, pois vários modelos existem.

Devem ser feitas todas as anotações no momento que ocorrem: a postura, os nascimentos, mortes (a causa provável), a troca de ovos e filhotes de pais, tratamentos individuais etc. Outros semanalmente ou mensalmente como aquisição de alimento ou equipamento, tratamentos coletivos, medida e cor dos ovos etc.

Consulta e trabalho com os registros

Em períodos que podem ser semanal, mensal, semestral ou mesmo anualmente, o criador pode fazer consultas com levantamentos de dados obtendo o balanço da situação.
Por essa altura alguns dados interessam sobremaneira:

  • qual o número de filhotes desmamados?
  • qual o número de filhotes nascidos?
  • embriões mortos?
  • número de ovos sem eclodir?
  • qual a média de filhotes por casal?
  • qual o número de casais sem produzir e quais?
  • qual o consumo de alimento por ave?
  • qual o custo de manutenção por casal?
  • o custo por cada filhote?
  • os resultados dos tratamentos?

Todos estes dados obtidos irão facilitar as análises que identificarão tendências, surpreenderão fatos até mesmo antes de acontecerem e teremos a satisfação do sucesso. Mas como importância maior, temos o aparecimento de respostas concretas para aquelas questões mais simples:

  • a criação de aves está a correr bem ou não?
  • a criação teve bons resultados ou maus?
  • que modificações há a fazer?
  • o que tem que ser melhorado?

Isto em linhas gerais é o que nos permite estabelecer os níveis mínimos de qualidade e produtividade que desejamos atingir na criação. Sem isto, ficamos a brincar ao “faz de conta”, a tendência de muitos que deve ser abolida para dar lugar ao criador moderno que tenha um crescente de qualidade no seu plantel ganhando competitividade no cenário ornitófilo nacional e mundial.

Espero com estas modestas linhas, ter pelo menos alertado os menos atentos e os mais preguiçosos, para a importância deste tema, fazendo com que se elevem os números de quantidade, qualidade e competitividade da ornitofilia portuguesa.

A todos um bom ano de criações que agora começa e para aqueles que vão participar no nosso mundial (que todos esperamos ser um sucesso, eu pelo menos tenho a certeza e sei que vai ser um orgulho para todos nós Portugueses), a maior sorte do mundo e que atinjam os objectivos pretendidos.

Revista Pássaros – Ano 6 – nº 29

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Canários - Como iniciar uma criação


Embora teoricamente possa parecer extremamente fácil montar uma criação de canários não é o que ocorre na prática.

A decisão de inciar a criação não pode estar amparada apenas em cima de alegação de que "gosto muito do canto dos canários belgas e rollers".

Antes de se decidir pela montagem de um plantel é necessário refletir sobre certos aspectos como por exemplo:

  • Disponibilidade financeira
  • Disponibilidade de tempo
  • Disponibilidade de local
  • Aceitação familiar;
  • Disponibilidade para leituras técnicas;
  • Possibilidades de intercâmbio.

Há pessoas que mantêm um ou dois casais de canários pendurados em qualquer canto da casa e que acabam por obter alguns filhotes. Mas não é disso que estamos falando. Na realidade, o que pretendemos é comentar os vários aspectos da montagem e desenvolvimento de um plantel, dentro de critérios técnicos mínimos que permitam ao criador entrosar-se no meio ornitológico e até mesmo se tornar um campeão.
Tomada a decisão de se iniciar uma criação vejamos o que deve ser considerado.

1.A escolha da variedade ou raça do canário 

Os canários atualmente estão distribuídos em:

  • Canários de cor, com ou sem fator vermelho;
  • Canários de porte e desenho;
  • Canários de canto clássico.

É desejável que o pretenso iniciante visite uma exposição onde possa observar e ouvir (no caso dos canários de canto) todas as variedades, nos concursos regionais. De qualquer modo já é um bom princípio visitar uma exposição local ou regional.
Entre os canários de cor a opção mais fácil recai sobre os canários sem fator (brancos, amarelos) que dispensam a administração diária do suplemento corante (cataxantina) para manifesta toda a plenitude de suas cores.

A administração da cataxantina além de onerosa é trabalhosa e mesmo criadores experientes costumam ter problemas com sua administração.

Aconselhamos, portanto, que os principiantes iniciem com brancos e amarelos até mesmo com pássaros da linha escura sem fator.

Aqueles que optarem pelos canários de porte e de desenho (lizards) deverão decidir por uma ou duas raças, no máximo. Os ingleses, tradicionais criadores das raças de porte e desenho, são quase sempre especialistas em uma determinada raça border, norwich, yorkshire, gloster, fife-fancy, etc.

Aqui, ao contrário dos canários de cor cada raça apresenta características próprias que deverão ser observadas e trabalhadas.

Com relação aos canários de canto-clássico é necessário ser dotado de um certo dom musical ou será completa perda de tempo e dinheiro. Estes pássaros são avaliados pelas notas ou conjuntos de notas musicais que emitem. Exigem muita paciência e tempo para ouvi-los e selecionar os melhores cantores. Definido o que criar vamos adiante.

2. Quantidade e local 

São os fatores fundamentais de decisão. A quantidade depende necessariamente do local que se predente acomodá-los. E mesmo que o local permita não se deve iniciar com um grande número de casais.

Diriamos que o número ideal de casais para iniciar uma criação é de no máximo 10 (dez), alguns podem achar muito e outros muito pouco.

Para esclarecer alguns aspectos da quantidade montamos a tabela 1, que representa aproximadamente o que em média ocorre na prática. É evidente que em função de muitas variáveis tais dados podem ser bastante alterados.

Com respeito ao local o ideal é que seja especificamente destinado à criação; bem iluminado, voltado para a nascente, com janelas amplas e teladas (pernilongos são inimigos mortais dos canários). Cômodos úmidos e frios são sinônimo de insucesso. A iluminação, pode ser controlada artificialmente desde que tecnicamente bem orientada (lâmpadas especiais e TIMER’S).

É importante lembrar que o local deve ser suficiente para acomodar os futuros filhotes e que as voadeiras geralmente em conjunto de três ou quatro não acomodam mais do que 15 – 20 filhotes cada.

Deve estar previsto, ainda, que o local ou criadouro de acesso à área ou pátio onde os pássaros possam ser expostos ao sol (banho e sol são fundamentais para desenvolver a plumagem). Recomenda-se não esquecer os pássaros ao relento quanto o tempo estiver nublado ou na existência de ventos, pois as correntes de ar podem causar sérios problemas respiratórios levando ao óbito.

Outro aspecto que deve ser observado é quanto à forração e vedação do criadouro. Insetos e roedores (camundongos) são extremamente indesejáveis. Seus dejetos podem transmitir doenças e sua presença principalmente, à noite pode causar verdadeiro caos na criação.

3. Gaiolas, acessórios e utensílios 

A gaiola ideal para a criação de canários deve possuir dimensões aproximadas de 60x40x30 cm, divisória central, laterais removiveis, bandeja, duas portas de mola e duas portas-guilhotina.

É perfeitamente possivel criar com qualquer outro tipo de gaiola, mas o criador irá descobrindo pouco a pouco a necessidade de se adequar ao modelo ideal.

A padronização é outro elemento fundamental, pois o que serve em uma serve na outra. Assim pode-se facilitar o corte de papel para forrar a bandeja sem a preocupação de tamanhos diferentes.

Manter grades e poleiros em duplicata, também é norma habitual e facilita a troca sempre que necessário.

Evite comprar um artigo pior somente porque é mais barato. Você poderá sentir na pele os efeitos de tal compra: uma aresta mal lixada pode causar escoriações ou mesmo verdadeiros cortes na pele.

É necessário, ainda, manter um determinado número de gaiolas individuais de modo a permitir o preparo de alguns exemplares para concurso e, eventualmente, separar algum pássaro por qualquer outra razão: doença, debicagem, observação, etc.

Entre os acessórios e utensílios existentes no comércio vamos nos ater aos que são imprescindíveis na criação de canários.

Os comedouros e bebedouros utilizados pela grande maioria dos criadores são do tipo externo, em plástico, com cúpula destacável em forma de meia lua.

Os de cúpula fixa não permitem uma boa limpeza e/ou desinfecção, não sendo recomendados. Considerando que a gaiola de cria ideal deve possuir 6 suportes externos recomenda-se distribuir 2 comedouros e um bebedouro de cada lado da divisória colocar água e comida dos dois lados evita que se percam pássaros, inadvertidamente, por sede ou fome, quando se esquece uma divisória central.

Tigelas de louça ou PVC são utilizadas para oferecer a farinhada de ovos, diariamente. Toma-se o cuidado de retirá-las ao final do dia, desprezar as sobras e lavá-las adequadamente.

Banheiras de plástico ou chapa galvanizada são apropriadas para o banho. A freqüência que se oferece depende da temperatura ambiente e das fases da criação, sendo muito comum propiciá-lo às vésperas da eclosão dos ovos para facilitá-la caso a umidade relativa do ar seja baixa.

Os ninhos mais frequentemente utilizados são os de pássaros podendo ser revestidos com espuma (1 cm de espessura), flanela, feltro ou corda de bacalhau (cizal). Sacos de estopa, previamente lavados e fervidos, cortados em pedaços de 5x5 cm e desfiados, são oferecidos para a "confecção dos ninhos".

4. Constituição do plantel 

Esta é sem dúvida alguma, a etapa crucial de todo o processo podendo respresentar o sucesso ou o completo fracasso.

Nesta etapa não basta gostar. É preciso humildade e contar com a participação efetiva de algum criador recomendado ou pelo menos idôneo e conhecer.

A escolha dos reprodutores não é tarefa fácil mesmo quando se tem possibilidade financeira.

Os criadores, via de regra, não cedem seus melhores pássaros mesmo a "peso de ouro". É mais fácil conseguir um bom exemplar por amizade do que por outro método.

Associar-se a um clube ornitológico e solicitar a ajuda do diretor técnico pode ser um bom princípio.

Quando da aquisição dos pássaros dirija-se pessoalmente ao criador acompanhado de um "expert" evitando, sempre que possível, comprar pássaros por telefone. Evidentemente, existem situações que não permitem esta conduta, como no caso de criadores que residem em estados distantes dos principais centros. Neste caso dirifa-se sempre a um criador recomendado para fazer a encomenda.

Ao escolher os exemplares é importante observar os seguintes ítens.

  • Condições higiênicas do criadouro;
  • Estado de saúde do plantel, como um todo;
  • Média de problemas durante a estação de cria;
  • Média de filhotes obtidas pelo criador;
  • Vivacidade do exemplar a ser adquirido (pássaros quietos, embolados denotam problemas);
  • Conferir os dados do anel, principalmente do ano de criação;
  • Pegar o pássaro na mão e verificar seu estado de saúde (cor da barriga ou ventre, presença de cistos de plumagem, sentir seu peso e mobilidade);
  • Observar forro da gaiola e verificar a consistência das fezes (se diarréica ou normais);
  • Levar os pássaros ao ouvido e tentar detectar se está chiando (os acometidos de ácaros e outros problemas respiratórios geralmente chiam);
  • Observar quanto a existência de trocas de penas.

5. Onde e de quem adquirir 

Em nosso pais existem inúmeros criadores espalhados em cidades de vários estados. De uma maneira geral se congregam em clubes ou associações onde podem obter informações técnicas, adquirir anéis oficiais e trocar relacionamento com outros criadores. Os clubes por sua vez podem estar vinculados a Federações Estaduais como por exemplo no Rio Grande do Sul ou diretamente à Federação Ornitológica do Brasil (FOB).

A FOB edita o "VADE-MECUM" onde pode ser encontrado o endereço dos clubes filiados e de todos os criadores a eles registrados.

O endereço da FOB é Av. Francisco Matarazzo, 455 Parque Água Branca Caixa Postal 61131 CEP 05071-970 São Paulo-SP.

Dentre os criadores existem aqueles que anualmente participam de competições e mesmo alguns profissionais que criam estritamente para venda.

Aconselhamos visitar o maior número possível de criadores antes de decidir pela compra, pois há variações absurdas de qualidade e preço.

Estes podem variar de criador para criador, de cidade para cidade e de estado para estado para um mesmo exemplar. Assim o preço de um bom exemplar BCOBRE INTENSO pode custar 50 US$ no criador X e 100 US$ no criador Y. Isto depende em parte de sua "fama" e de onde se localize, sendo que os pássaros no eixo Rio-São Paulo tendem a custar mais caro do que em outras regiões do país, mesmo porque a maioria de criadores renomados ai residem.

Importar não é a melhor solução para o iniciante, trabalhar com pássaros filhos de importados, já adaptados ao nosso clima pode evitar uma série de desilusões e mesmo prejuízo financeiro. Deixe a importação para uma Segunda etapa.

As exposições regionais são, também, um ótimo local para as primeiras aquisições. Permitem que o futuro criador possa avaliar a qualidade, conhecer as diferentes raças e, via de regra, os pássaros em concurso são saudáveis. Lembre-se que nem sempre o campeão será o melhor reprodutor. Pássaros classificados em 20 e 30 lugares são uma boa opção.

6. Acasalamento 

Os criadores "antigos" jamais acasalavam seus pássaros antes da primavera (21/09) e até hoje os criadores de frisados parisienses mantêm esta tradição.

Por outro lado os criadores de canários de cor podem acasalar tão cedo em ABRIL sob alegação de que os pássaros já estão "prontos".

Em nosso país o período mais apropriado para a criação se estende de JULHO a DEZEMBRO. Começar um pouco antes ou terminar um pouco depois não traz modificações importantes.

Os casais devem ser formados obedecendo critérios de acasalamento e aqui a genética traz importante contribuição, podendo afirmar-se que é fundamental, no desenvolvimento de um plantel.

Não cabe aqui descrever os acasalamentos corretos pois as variedades de cores, mutações combinadas, passam de 350.

Aconselhamos a leitura do Manual Técnico da OBJO que pode ser obtodo na Ordem Brasileira de Juizes de Ornitologia (OBJO) (veja endereço para contato na págima LITERATURA desta home page).

Recomenda-se que durante o período de cria as laterais das gaiolas sejam vedadas evitando que um casal interfira com o outro.

Ao se iniciar a formação dos casais certifique-se de que o macho esteja cantando vigorosamente e de que a fêmea esteja "pronta". Isto evitará posturas de ovos não fertilizados e perdas de tempo.

É boa norma colocar-se primeiro na gaiola a fêmea oferecendo-lhe material para confecção do ninho. Se não demosntrar interesse nem pelo material e nem pelo ninho, provavelmente não está preparada para criação. Caso contrário coloca-se o macho após 2, 3 dias observando o comportamento do casal. As brigas não são raras e se freqüentes é melhor separá-los colocando a divisória. Alguns casais não se adaptam definitivamente sendo necessário a troca de um dos dois.

As bigamias e poligamias são procedimentos não aconselhado aos que iniciam na canaricultura, alum de Tudor demandam maior possibilidade de tempo para se observar o comportamento dos canários.

7. Postura 

Geralmente, sucede 6 – 10 dias após o acasalamento quando so parceiros estão prontos. Também, pode ocorrer mesmo que o macho esteja inapto e neste caso ao verificar os ovos quanto à fertilização, por volta do 60 dia, obviamente estarão claros.

Como regra geral as fêmeas põem 3 –4 ovos, em média, podendo variar de 2 a 8 ovos por postura. A medida que os ovos são postos devem ser retirados e susbstituídos por "ovos indez"( ovos plásticos) devendo ser recolocados ao final da postura. Um pequeno recepiente em plástico, louça ou até mesmo uma lata de sardinha contendo mistura de sementes, ou algodão, servirá para a acondicionar os ovos recolhidos e que devem ser virados diariamente, evitando que a gema se "precipite". A finalidade de tal procedimento é simplesmente permitir que a eclosão ocorra simultaneamente, evitando discrepância de desenvolvimento entre os filhotes. Geralmente, os nascidos por último morrem, quando não se utiliza tal conduta.

Algumas fêmeas teimam em não realizar postura no ninho e é sempre uma surpresa desagradável recolher ovos quebrados no fundo da gaiola. Em alguns casos a mudança de local do ninho pode resolver e se isto não ocorrer recomenda-se remover a grade e forrar a bandeja com areia ou jornal, em várias camadas. Outras fêmeas (às vezes, são os machos) tem o péssimo hábito de comer os ovos. Nesses casos recomenda-se reforçar o cálcio administrando osso de CIBA e furar o centro do ninho de modo que o ovo ao ser posto caia num pequeno saco fixado por baixo daquele. Este saco poderá ser confeccionado com a ponta de uma meia.

Outros problemas e soluções o criador irá descobrindo com o passar do tempo.

8. Incubação 

O período de incubação dura 13 dias, contados à partir da data em que os ovos são recolocados no ninho. Podem ocorrer atrasos de 1 ou 2 dias quando as fêmeas não são assíduas ao ninho. Os ovos são incubados exclusivamente pelas fêmeas, que deixam o ninho por breves períodos com a finalidade de se alimentarem e mesmo para defecar. Alguns machos costumam substituí-las nesse espaço de tempo.

Verificar se os ovos forem fertilizados é tarefa simples e pode ser realizada de várias maneiras: olhar os ovos contra a luz do sol, ou com lanterna, fazendo com que o facho de luz atravesse o ovo, ou ainda, utilizar uma pequena caixa dotada de lâmpada no seu interior e furo suficiente para receber o ovo para inspeção. Ao acender a lâmpada verifica-se pro transparência o conteúdo do ovo. Por volta do 6º dia já se percebe a mancha avermelhada contendo vasos no seu interior e que ocupa quase a metade do ovo. Caso se perceba apenas a presença da gema, diz-se que o ovo está "branco".

Quando, por qualquer razão, o criador deixa a inspeção para mais tarde – 11º - 12º dia – já encontrará um ovo totalmente opaco e que não permitirá a passagem de luz. Sua casca apresentará brilho e a superfície mais lisa ao tato.

Retirar os ovos não fecundados é boa praxe. Se ocorrer de todos estarem brancos retira-se inclusive o ninho por 3 – 4 dias de modo a incentivar que a fêmea faça nova postura.

Em regiões onde a umidade do ar é alta (70 a 90%) não há necessidade de molhar os ovos ou de se oferecer banho às fêmeas. No entanto, em locais secos como por exemplo: Brasília, o banho é fundamental para aumentar o índice de eclosão.


9. Eclosão. 

Completados 13 dias de incubação, os filhotes começam a nascer: um após o outro ou todos ao mesmo tempo. É comum que o nascimento ocorra à noite e pela manhã já se encontram todos os filhotes no ninho.

Se o período de 13 dias for superado aguarde mais um dia ou, então faça o teste de vitalidade do embrião. Para tal, basta colocar os ovos num recipiente com água morna e observar quanto à flutuação e movimentos. Ovos com embriões vivos flutuam com a ponta para baixo e exibem pequenos movimentos enquanto aqueles com embriões mortos flutuam de lado, ou não vêm à tona, e nem possuem movimentação.


10. Desenvolvimento até o Sétimo Dia

Quando o desenvolvimento se faz normalmente, os filhotes exibem a penugem solta e fofa como um chumaço de algodão. Também estão sempre de "papo" cheio e ao menor movimento do ninho, mostram-se ativos e abrem o bico solicitando comida.

Se isto não ocorre, algum problema está acontecendo: ou estão mal alimentados ou já apresentam comprometimento de sua saúde. As fêmeas que exibem a plumagem do ventre molhada demonstram que s filhotes estão com diarréia.

Não se justifica molestar as fêmeas para que saiam do ninho com freqüência, pois poderá ocorrer até mesmo o abandono da ninhada. Procure inspecionar o ninho quando as fêmeas saem para se alimentar.

Uma causa frequente de falta de desenvolvimento são so "vermelhinhos"(piolhos). Os filhotes ficam fracos, pálidos e terminam por morrer mesmo de papo cheio.

Quando tudo corre bem, aos 7 dias de vida os filhotes já exibem os primeiros cartuchos de penas e olhos abertos.

11. Anilhamento ou Anelamento. 

Embora não seja uma prática universal, pois os ingleses não anelam algums raças de porte e mesmo assim realizam concursos de pássaros desprovidos de anilhas, o anilhamento é a modalidade mais prática para registrar qualquer ave. O anel, ou anilha, quando do tipo fechado e de diâmetro compatível com a ave, garante a legitimidade da sua criação em cativeiro e permite que o criador possa participar dos concursos oficiais. Em nosso país é obrigatório o anelamento para qualquer pássaro de concurso.

Os anéis de cunho oficial são obtidos através de clubes registrados na FOB, a quem cabe o direito de distribuição exclusiva para seus filiados.

Tais anéis são fornecidos com diâmetros variáveis de acordo com o porte da ave que se pretende criar. Para os canários de cor o diâmetro atual é de 3mm.

O anel traz gravado o número de sócio, a sigla do clube ao qual pertence, a sigla FOB, o número do próprio exemplar e o ano da criação.

Colocado por volta do 7 dia, obedecendo à seguinte técnica passam-se primeiro os 3 dedos dianteiros e dobrando-se o posterior de encontro ao tarso (perna) prossegue-se com o anel até que se consiga puxar o dedo para frente, deixando livre o anel. Uma vez anelado e após o crescimento da ave, não será possível retirá-lo a não ser cortando-o. Também, não será possível anelar uma ave adulta sem adulterar o anel (alargando-o ou usando anel de diâmetro superior indicado).

12. Separação dos filhotes 

Entre o 15 e 20 dias os filhotes começam a deixar o ninho. A saída prematura é indesejável e representa algum tipo de problema: o menor deles é quando o filhote se assusta e salta fora do ninho.

Recomenda-se não trocar o ninho após o 12 dia. Filhotes quando mal nutridos tendem a sair precocemente do ninho em busca de alimentação (atrás dos pais). Nestes casos não há muito o que fazer e tentar recolocá-los de volta é perda de tempo.

Por outro lado, os bens criados, deixam o ninho de modo tranqüilo, completamente emplumados e sem mostrar desespero por alimentação.

Esta fase costuma ser crucial para o futuro dos pretensos "Campeões". Acontece que, de um modo geral, tende a ocorrer a debicagem dos filhotes. Algumas fêmeas deixam completamente desnudos seus filhos o que representa uma tragédia para o futuro: dificilmente se formará uma plumagem normal.

Ao se perceber os primeiros sinais de debicagem o criador deve interferir seja separando os filhotes com uma grade divisória, seja fornecendo material para confecção do novo ninho. Sugerimos que os filhotes passem a metade do dia com o macho e a outra metade sozinhos. Colocando-se a farinhada de ambos os lados tanto a fêmea quanto o macho tratarão dos filhotes e, ainda estaremos proporcionando a oportunidade para que o macho fertilize, quando estiverem juntos.

Quando os filhotes estiverem comendo sozinhos é chegada a hora da separação. Geralmente, ocorre entre o 28 e 30 dias. Separados deverão ser colocados em uma voadeira de modo que possam se exercitar e serem levados para os "banhos" de sol e água.


13. Recomendações complementares

A separação dos filhotes precocemente pode causar a sua morte prematura. Certifique-se de que estejam se alimentando sozinhos, observando seu comportamento com relação à água, sementes e farinhada. Quando solicitam insistentemente aos pais para que os alimentem é sinal de que, são dependentes.

Ao separar os filhotes procure não colocá-los juntos com pássaros de idades muito diferentes sugerimos que essa diferença não seja superior a 20 dias. É uma questão de competição e os mais velhos sempre levam a melhor.

A higienização do material: poleiros, grades, bandeja e do próprio cômodo deve ser executada periodicamente a fim de evitar a propagação de doenças. Recomendamos a leitura de artigos exclusivos a este fim.

A prevenção do desenvolvimento de ácaros, piolhos tipo "vermelhinhos" e insetos dentro do criadouro é fundamental e pode ser realizada de várias maneiras. A quarentena é a melhor maneira de se evitar problemas futuros. Recomendamos 30 dias de observação do exemplar antes do introduzi-lo no plantel.

As "VAPONAS" parasiticidas e repelentes de insetos são produtos eficazes no combate aos insetos, ácaros e outros parasitas. Não são encontrados em nosso meio, porém os que puderem adquiri-los no exterior Não deixem de fazê-lo. Tem durabilidade de 2 a 3 meses.

Pulverizar com Protecotr ou SBP, faixa azul, também, ajuda na prevenção.

Verduras tipo couve, almeirão, jiló são muito úteis como complemento alimentar. Usá-las com parcimônia e levar em conta que um canário pesa por volta de 10 a 15 gramas, não deve comer uma folha inteira de couve ou almeirão.

Padronize sua alimentação e desde que esteja dando certo não mude. Existem milhares de fórmulas de farinhadas. Você acabará adotando a sua própria de acordo com suas conveniências.

No mais, sucesso na nossa criação!!
Mauro de Queiróz
Extraído Revista SOAM 1995